sexta-feira, 5 de março de 2010

CNBB lança a campanha nacional "Projeto 1 milhão de Bíblias"

CNBB

Será lançada, neste sábado, 6, em Teresina (PI), o “Projeto 1 milhão de Bíblias”. Como o nome mesmo diz, o objetivo da campanha é levar a Palavra de Deus a todos no Brasil que não tem condições de comprar a Bíblia e outros materiais educativos de evangelização.

O lançamento será feito pelo secretário geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, e contará com a presença do bispo de Teresina e presidente do Regional Nordeste 4 da CNBB (Piauí), Dom Sérgio da Rocha. Após o lançamento na capital, será lançada também na diocese de Picos (PI), com a presença do bispo Dom Plínio José Luz da Silva e em Campo Maior (PI), com a presença de Dom Eduardo Zielski.

"É grande a expectativa do Regional Nordeste 4 da CNBB, no estado do Piauí, para o lançamento da Campanha Nacional de 1 Milhão de Bíblia, nos dias 06 e 07, em Teresina, Picos, Oeiras e Campo Maior. Todas as dioceses do Regional já receberam o material da Campanha e os bispos, juntos, já discutiram os critérios de distribuição e utilização. Como somos os primeiros a fazer a experiência da Campanha, esperamos, em breve, poder compartilhar o resultado positivo com os demais Regionais", afirmou o bispo de Picos, Dom Plínio José.

Projeto

A campanha nacional desenvolvida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com a Comissão para a Missão Continental no Brasil tem como tema “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19) e lema “Discípulo e servidores da Palavra de Deus”.

A primeira fase da campanha consiste na apresentação de um projeto de evangelização pelas (arqui)dioceses à CNBB. Após a comissão responsável analisar o projeto, se aprovado, iniciará a distribuição das Bíblias de forma gratuita, inclusive o transporte, para atender as necessidades apresentadas pelas (arqui)dioceses.

“Inserido no Projeto Brasil na Missão Continental, esta nova campanha é um serviço que a CNBB oferta a todos os Regionais, (arqui) dioceses, pastorais, organismos do povo de Deus, movimentos e outras associações da Igreja em nosso país, bem como a todos os discípulos missionários chamados a anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo”, afirmou o secretário geral da CNBB, Dom Dimas.

Segundo um dos participantes do “Projeto 1 milhão de Bíblias”, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária da CNBB e secretário executivo do Conselho Missionário Nacional (Comina), padre Altevir Silva, a Conferência de Aparecida destacou a Palavra de Deus e o novo ardor missionário. “O caminho aberto pela Conferência de Aparecida demonstra que a Palavra de Deus é a carta de amor ao seu povo. Assim sendo, e diante do contexto brasileiro de miséria e pobreza onde muitos não têm condições de se alimentar, o ‘Projeto 1 milhão de Bíblias’ tende a suprir a ânsia pela Palavra dos que não tem condições. A leitura orante da Bíblia é a alma da Missão Continental”.

O padre Altevir lembra que a impressão das Bíblias foi fruto de doações, e que na entrega às dioceses foi montado um “kit” contendo, além da Bíblia Sagrada, uma Bíblia infantil; um Pequeno Catecismo: Eu creio; e um Livreto sobre a iniciação à leitura da Bíblia.

O processo, depois do lançamento da campanha, é fazer um acompanhamento das dioceses atendidas com base no projeto de evangelização apresentado por cada uma delas, levantando dados para possível continuação da campanha.

Segundo os organizadores do projeto, alguns Regionais terão prioridade no atendimento para receber os “kits” do Projeto 1 milhão de Bíblias. São eles: o Regional Nordeste 4 (Piauí); Regionais da Amazônia Legal; Regional Nordeste 1 (Ceará); Regional Nordeste 2 (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte); Regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe); Regional Nordeste 5 (Maranhão); Regional Oeste 1 (Mato Grosso do Sul); Regional Oeste 2 e Regional Centro Oeste (Distrito Federal, Goiás e Tocantins).

Centenas de pessoas passam a tarde em adoração pelos sacerdotes

Roma


A Congregação para o Clero promoveu na tarde desta quinta-feira, 4, na Basilica de Santa Maria Maior, em Roma, uma adoração pelos sacerdotes. Centenas de pessoas de várias raças e línguas participaram deste grande ato de fé.

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A Basílica de Santa Maria Maior estava lotada. Todos unidos por uma mesma intenção: os sacerdotes do mundo inteiro.

Diante do Santíssimo Sacramento o presidente da Congregação para o Clero, Dom Cláudio Hummes, junto com o secretario deste dicastério, Dom. Mario Piacenza, conduziram este momento de oração, promovido por este órgão do Vaticano responsável pelos padres. A cada primeira quinta-feira do mês, a Basílica de Santa Maria Maior é testemunha deste grande momento de intercessão pelo clero do mundo inteiro.

Essa é apenas uma das várias iniciativas da Congregação para o Clero neste Ano Sacerdotal, que começou o ano passado e vai até 11 de junho deste ano. Os sacerdotes de todo o mundo, como intenção, aos pés de Jesus Eucarístico.

"Nós enviamos a todas as dioceses do mundo, aos bispos, para que promovessem Adoração Eucarística com os padres e pelos padres. E também pedimos às igrejas locais, que nos acompanham, que em um ou outro momento façam também", disse Dom Cláudio.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Amar a Cristo e imitá-lo é "programa" para a Igreja, diz o Papa

Rádio Vaticano
Bento XVI durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 3
"São Francisco de Assis é um alter Christus, um homem que se se aproximou apaixonadamente de Cristo. No amor que leva à imitação, ele se configurou plenamente com Ele. São Boaventura apontava este vivo ideal para todos os seguidores de Francisco. Esse ideal, válido para todos os cristãos, ontem, hoje e sempre, foi identificado como um programa também para a Igreja do Terceiro Milênio pelo meu Venerado Predecessor João Paulo II. Tal programa, ele escreveu na Carta Novo Millennio ineunte, se concentra 'no próprio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n'Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até à sua plenitude na Jerusalém celeste'".

Um dos maiores teólogos da história da Igreja e importante santo na Ordem Franciscana, São Boaventura de Bagnoregio foi o tema central da Audiência Geral (Catequese) de Bento XVI nesta quarta-feira, 3. Foi a primeira audiência pública do Pontífice após o término dos Exercícios Espirituais em preparação à Quaresma.

Além de recordar esse programa para a vida cristã - o amor a Cristo que leva à imitação -, o Papa destacou diversos episódios da vida desse santo franciscano que exerceu papel crucial durante a formação e estudos do então padre Joseph Ratzinger.

"Vos confesso que, ao propor este tema, sinto uma certa nostalgia, porque recordo das pesquisas que, como jovem estudioso, realizei sobre este autor, particularmente caro para mim. Conhecê-lo afetou de modo considerável a minha formação", confessou.


Papel fundamental

Antes de entrar na Ordem Franciscana, São Boaventura vivia em Paris e se fez um questionamento importante, que perpassa os jovens de todas as épocas: "O que devo fazer da minha vida?"

Bento XVI salienta que a atração exercida sobre Boaventura foi a de perceber a ação de Cristo no movimento franciscano, que o levou a ter um pensamento profundamente cristocêntrico.

Naquela época, havia uma grande polêmica em torno das Ordens Mendicantes (franciscanos e dominicanos), quando se questionava o direito de seus membros ensinarem nas Universidades. Boaventura aquietou ao problema com a publicação de um ensaio intitulado A perfeição evangélica.

Bento XVI destaca: "Para além destas circunstâncias históricas, o ensinamento ministrado por Boaventura nesta sua obra e na sua vida permanece sempre atual: a Igreja fica mais luminosa e bonita na fidelidade à vocação daqueles filhos e filhas que não somente colocam em prática os preceitos evangélicos, mas, pela graça de Deus, são chamados a observar os conselhos e testemunhos também com seu estilo de vida pobre, casto e obediente, de que o Evangelho é a fonte de alegria e perfeição".

Catequese de Bento XVI sobre São Boaventura - 03/03/2010

Vatican Information Service

Queridos irmãos e irmãs,

hoje, eu gostaria de falar sobre São Boaventura de Bagnoregio. Vos confesso que, ao propor este tema, sinto uma certa nostalgia, porque recordo das pesquisas que, como jovem estudioso, realizei sobre este autor, particularmente caro para mim. Conhecê-lo afetou de modo considerável a minha formação. Com grande alegria, alguns meses atrás, fui em uma peregrinação à sua terra natal, Bagnoregio, uma pequena cidade italiana, na região do Lácio, que preserva com veneração a memória do santo.

Nascido provavelmente em 1217 e morto em 1274, ele viveu no século XIII, época em que a fé cristã, penetrada profundamente na cultura e na sociedade da Europa, inspirou obras imperecíveis no campo da literatura, das artes visuais, filosofia e teologia. Entre as grandes figuras cristãs que contribuíram para a composição desta harmonia entre fé e cultura destaca-se precisamente Boaventura, homem de ação e contemplação, de profunda piedade e prudência no governo.

Ele se chamava Giovanni da Fidanza. Um episódio que aconteceu quando ele era garoto marcou profundamente sua vida, como ele mesmo recorda. Sofria de uma doença grave e nem mesmo seu pai, que era médico, esperava conseguir salvá-lo da morte. Sua mãe, então, recorreu à intercessão de São Francisco de Assis, canonizado fazia pouco. E Giovanni foi curado.

A figura do Pobrezinho de Assis se tornou ainda mais familiar poucos anos depois, quando se encontrava em Paris, onde ele tinha ido para seus estudos. Havia obtido o grau de Mestre de Artes, que poderíamos comparar àquele de alguma prestigiosa instituição de nosso tempo. Naquele ponto, como tantos jovens do passado e também de hoje, Giovanni fez uma pergunta crucial: "O que devo fazer da minha vida?". Fascinado pelo testemunho de fervor e radicalidade evangélica dos Frades Menores, que tinha chegado a Paris em 1219, Giovanni bateu às portas do Convento franciscano daquela cidade, e pediu para ser aceito na grande família dos discípulos de Francisco. Muitos anos mais tarde, ele explicou as razões da sua escolha: em São Francisco e no movimento por ele iniciado, conseguia perceber a ação de Cristo. Ele escreveu isso em uma carta endereçada a um outro frade: "Confesso diante de Deus que a razão que me fez amar cada vez mais a vida do Beato Francisco é que ele se parece com os tempos do início e do crescimento da Igreja. A Igreja começou com simples pescadores, e se enriqueceu, em seguida, de doutores muitos ilustres e sábios; a religião do Beato Francisco não foi estabelecida pela prudência dos homens, mas de Cristo" (Epistula de tribus quaestionibus ad magistrum innominatum, em Opere di San Bonaventura. Introduzione generale, Roma 1990, p. 29).

Por volta do ano 1243, Giovanni tomou o hábito franciscano e assumiu o nome de Boaventura. Ele foi imediatamente enviado para os estudos, e frequentou a Faculdade de Teologia da Universidade de Paris, seguindo uma série de cursos bastante desafiadores e exigentes. Conseguiu vários títulos na carreira acadêmica, incluindo o de "baccelliere biblico" e de "baccelliere sentenziario". Assim, Boaventura estudou a fundo as Sagradas Escrituras, as Sentenças de Pedro Lombardo, um manual de teologia daquele tempo, e os mais importantes escritores de teologia e, em contato com os professores e estudantes de toda a Europa que afluíam a Paris, amadureceu sua própria reflexão pessoal e uma sensibilidade espiritual de grande valor que, ao longo dos anos que se seguiram, soube transfundir em suas obras e em seus sermões, tornando-se assim um dos teólogos mais importantes da história da Igreja. É significativo recordar o título da tese que defendeu a fim de ser habilitado ao ensino da teologia, a licentia ubique docendi, como se dizia então. Sua dissertação tinha como título Questões sobre o conhecimento de Cristo. Este argumento mostra o papel central que Cristo sempre teve na vida e no ensinamento de Boaventura. Podemos dizer, sem hesitação, que todo o seu pensamento foi profundamente cristocêntrico.

Naqueles anos, em Paris, a cidade de adoção de São Boaventura, se reproduzia uma violenta polêmica contra os Frades Menores de Francisco de Assis e os Frades Pregadores de Domingos de Gusmão. Se contestava o direito de que eles ensinassem na Universidade, e se duvidava até mesmo da autenticidade de suas vidas consagradas. Certamente, as alterações introduzidas pelas Ordens Mendicantes no modo de compreender a vida religiosa, que eu mencionei nas Catequeses anteriores, eram tão inovadoras que nem todos podiam compreendê-las. Acrescente-se também, como algumas vezes acontece mesmo entre pessoas sinceramente religiosas, os motivos da fraqueza humana, como a inveja e o ciúme. Boaventura, também cercado pela oposição dos outros professores universitários, já havia começado a ensinar na cadeira de teologia dos Franciscanos e, em resposta aos críticos das ordens Mendicantes, compôs um ensaio intitulado A perfeição evangélica. Ali, mostra como as Ordens Mendicantes, especialmente os Frades Menores, praticando os votos de pobreza, castidade e obediência, seguiam os conselhos do próprio Evangelho. Para além destas circunstâncias históricas, o ensinamento ministrado por Boaventura nesta sua obra e na sua vida permanece sempre atual: a Igreja fica mais luminosa e bonita na fidelidade à vocação daqueles filhos e filhas que não somente colocam em prática os preceitos evangélicos, mas, pela graça de Deus, são chamados a observar os conselhos e testemunhos também com seu estilo de vida pobre, casto e obediente, de que o Evangelho é a fonte de alegria e perfeição.

O conflito foi aquietado, pelo menos por um tempo, e, por intervenção pessoal do Papa Alexandre IV, em 1257, Boaventura foi oficialmente reconhecido doutor e mestre da Universidade parisiense. Todavia, ele teve que renunciar a este prestigioso posto, porque nesse mesmo ano o Capítulo Geral da Ordem o elegeu Ministro Geral. Realizou essa missão durante dezessete anos com sabedoria e dedicação, visitando as províncias, escrevendo aos irmãos, falando às vezes com uma certa severidade para eliminar os abusos. Quando Boaventura começou este serviço, a Ordem dos Frades Menores havia crescido de modo prodigioso: eram mais de 30.000 frades espalhados por todo o Ocidente, com presença missionária no Norte de África, Oriente Médio e até mesmo em Pequim. Era necessário consolidar essa expansão e, sobretudo, conferi-la em plena fidelidade ao carisma de São Francisco, unidade de ação e do espírito. De fato, entre os seguidores do santo de Assis, havia diferentes maneiras de interpretar a mensagem e existia realmente o risco de uma ruptura interna. Para evitar este perigo, o Capítulo Geral da Ordem em Narbona, em 1260, aceitou e ratificou um texto proposto por Boaventura, no qual se reuniu e unificou as normas que regeriam a vida quotidiana dos Frades Menores. Boaventura intuía, no entanto, que as disposições legislativas, embora inspirassem a sabedoria e a moderação, não eram suficientes para assegurar a comunhão do espírito e do coração. Era necessário partilhar os mesmos ideais e as mesmas motivações. Por esta razão, Boaventura quis apresentar o autêntico carisma de Francisco, sua vida e seu ensinamento. Recolheu, por isso, com grande zelo os documentos relativos ao Pobrezinho e ouviu atentamente as memórias daqueles que haviam conhecido Francisco diretamente. Isso deu origem a uma biografia, historicamente fundamentada, do santo de Assis, intitulada Legenda Maior, também escrita de modo mais sucinto, e chamada Legenda Menor. A palavra latina, "Legenda", ao contrário do italiano, não indica um fruto da fantasia, mas, pelo contrário, "Legenda" significa um texto oficial, "a se ler" oficialmente. De fato, o Capítulo Geral dos Frades Menores, de 1263, reunidos em Pisa, reconheceram na biografia de São Boaventura o retrato mais fiel do fundador e se tornou a biografia oficial do santo.

Qual é a imagem de São Francisco que emerge do coração e dos escritos de seu filho devoto e sucessor, São Boaventura? Ponto essencial, Francisco é um alter Christus, um homem que se se aproximou apaixonadamente de Cristo. No amor que leva à imitação, ele se configurou plenamente com Ele. Boaventura apontava este vivo ideal para todos os seguidores de Francisco. Esse ideal, válido para todos os cristãos, ontem, hoje e sempre, foi identificado como um programa também para a Igreja do Terceiro Milênio pelo meu Venerado Predecessor João Paulo II. Tal programa, ele escreveu na Carta Novo Millennio ineunte, se concentra "no próprio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n'Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até à sua plenitude na Jerusalém celeste" (n. 29).

Em 1273 a vida de São Boaventura experimentou uma outra mudança. O Papa Gregório X desejou sagrá-lo Bispo e nomeá-lo Cardeal. Ele também foi convidado a preparar um importantíssimo evento eclesial: o II Concílio Ecumênico de Lyon, que tinha como objetivo o restabelecimento da comunhão entre a Igreja Latina e a Grega. Ele se dedicou a esta tarefa com diligência, mas não conseguiu ver a conclusão daquele assembleia ecumênica, porque morreu durante o seu desenrolar. Um notável anônimo pontifício compôs um elogio de Boaventura, que nos oferece um retrato conclusivo deste grande santo e excelente teólogo: "Homem bom, afável, piedoso e misericordioso, cheio de virtudes, amado por Deus e pelos homens [...] Deus, de fato, lhe tinha dado tal graça que todos aqueles que o viam ficavam imbuídos de um amor que o coração não conseguia esconder" (cf. J.G. Bougerol, Bonaventura, in A. Vauchez (a cura), Storia dei santi e della santità cristiana. Vol. VI. L’epoca del rinnovamento evangelico, Milano 1991, p. 91).

Recolhamos a herança deste santo Doutor da Igreja, que nos recorda o sentido da nossa vida, com as seguintes palavras: "Sobre a terra [...] podemos contemplar a imensidão de Deus mediante o raciocínio e a admiração; na pátria celeste, ao contrário, mediante a visão, quando seremos feitos semelhantes a Deus, e através do êxtase [...] entraremos na alegria de Deus" (La conoscenza di Cristo, q. 6, conclusione, in Opere di San Bonaventura. Opuscoli Teologici /1, Roma 1993, p. 187).

Cristãos realizam Via Sacra na Terra Santa pedindo paz ao mundo

Thaysi Santos
Canção Nova Notícias, Terra Santa


Árabes cristãos e peregrinos italianos participaram de uma Via Sacra em Belém em favor da paz na Terra Santa e no mundo. O evento também faz memória à construção do muro que divide Israel e Palestina.

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Fiéis de Belém e cidades vizinhas se uniram à família franciscana para uma grande procissão pela paz, animada por jovens das comunidades cristãs. A iniciativa é da Pax Christi, movimento italiano engajado na luta pela paz no mundo, em parceria com as paróquias católicas de Beit Jala, Belém e Beit Sahour. Muitos peregrinos italianos participaram. Cantos e orações tanto em árabe como em italiano uniram ainda mais os fiéis e peregrinos na espiritualidade quaresmal.

Num verdadeiro clima de oração, os fiéis partiram da Ação Católica, em direção à Igreja Salesiana, passaram pela Igreja Melquita, depois rezaram na Praça da Manjedoura e seguiram até a Basílica da Natividade. Dom Giovani, bispo italiano, representou o Patriarca Dom Fouad Twal. Ele trouxe palavras de esperança aos árabes cristãos.

O frio não segurou os cristãos em casa. Esse é o terceiro ano que a procissão percorre as ruas da cidade, exatamente no dia em que os palestinos fazem memória à construção do muro que divide Belém e Israel, iniciada há 7 anos.

O muro, construído pelos judeus, bloqueia o acesso dos palestinos ao território israelense e traz uma série de limitações à comunidade local.

"Os jovens daqui precisam de um pouco de esperança para que possam permanecer nessa terra", disse a catequista de Belém, Glória Nasser. "E nós precisamos da juventude aqui. Mas hoje eles não podem nem ir a Jerusalém, só quando conseguem permissões".

"Um evento como esse é fundamental para que os cristãos dêem uma resposta em relação a esse bloqueio provocado pelo muro. Os cristãos são minoria aqui, com uma maioria muçulmana. (...) Então quando essa minoria vem às ruas para rezar e cantar junto num tempo como esse de quaresma é importante para haver um reconhecimento, firmar a idéia de que os cristãos existem e querem permanecer nessa terra", afirmou Vincenzo Bellomo, da Associação Terra Santa.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Artigo PAdre Orlando Maffei: Os objetivos da Campanha da Fraternidade Ecumênica

Objetivo geral: Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão.
Este objetivo exige que haja justiça social, consciência ambiental, sustentabilidade, empenho na superação da miséria e da fome e, de um modo geral, que se considere com atenção especial, a dignidade da pessoa e o respeito aos direitos humanos.
Objetivos específicos:
1. Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem;
2. Buscar a superação do consumismo, que faz com que ‘ter’ seja mais importante do que as pessoas;
3. Criar laços entre as pessoas de convivência mais próxima em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais;
4. Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da justiça como dimensão constitutiva do anúncio do evangelho;
5. Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica, em vista da própria conversão.
Um ideal de justiça econômica que sirva e sustente a vida só poderá tornar- se realidade pela ampliação do exercício da democracia e se forem estabelecidas também metas para se atingir a plena sustentabilidade. Para se atingir os objetivos da CFE 2010, são adotadas as seguintes estratégias:
•Denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte.
•Educar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como o bem mais precioso.
•Conclamar as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todas as pessoas.
Esses objetivos e estratégias devem ser trabalhados em quatro níveis: social, eclesial, comunitário, pessoal. Desejamos a preservação da grande casa comum, o planeta Terra, planeta da vida e morada da família humana, em vista da sua sustentabilidade. Buscamos mudanças na economia, na administração dessa casa comum, em fraterna cooperação entre toda a sociedade: cristãos e cristãs, seguidores de diferentes religiões e pessoas de boa vontade.
“Manual da Campanha da Fraternidade – 2010.”

Aumenta número de peregrinos católicos na Terra Santa

Thaysi Santos
Canção Nova Notícias, Terra Santa


Jerusalém começou bem o ano de 2010 com o aumento no número de peregrinações aos lugares santos. E os números devem melhorar ainda mais.

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Um aumento significativo no número de turistas de países católicos foi registrado no mês de janeiro desse ano. É o que revela um comunicado do Ministério do Turismo Israelense. Foram 6.800 peregrinos da Itália, 1,81% a mais que em janeiro do ano passado e 40% a mais do que no mesmo período em 2008. Brasileiros, foram mais de 3.600. Os que vieram da Polônia somaram mais de 6.000, e 11.500 os franceses.

Ainda é inverno na Terra Santa e por não ser um período de alta estação, foi realmente expressivo o número de peregrinos que visitaram a Terra Santa no mês passado. E para a alegria dos habitantes e dos trabalhadores locais, o momento bom continua.

As inúmeras reservas mostram que os próximos meses também serão promissores. Apesar do clima político sempre incerto, os turistas parecem ter entendido que na Terra Santa é possível vir com absoluta segurança. E se em algum momento houve qualquer diminuição, ou declínio no número de turistas, o principal motivo foi a crise econômica geral. Especialmente no mês de janeiro e também de fevereiro houve um grande fluxo de peregrinos da Itália e todo mundo católico.

Podemos prever que haverá ainda um aumento especialmente em março e abril, por causa da Páscoa, que será esse ano para toda a Igreja, não só católica, mas também ortodoxa. Então será um grande movimentação nessa semana entre final de março e início de abril.

As estatísticas mostram que é a Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, coração e cume de todas as peregrinações, que é por assim dizer, o grande impulso das estatísticas. Os peregrinos que são encontrados a todas as horas do dia são muitos e provenientes de todas as partes do mundo. As filas ininterruptas em frente à edícula do Sepulcro mostram o afluxo constante de fiéis. O cronograma das missas diárias já está completo, todas as horas foram preenchidas e em todas as línguas. É difícil encontrar um horário livre para celebrar a Missa no Sepulcro ou no Calvário.

O sacristão do Santo Sepulcro, Padre Andrew diz que o que mais contribui para esse aumento é o fato de que "este ano a Páscoa será na mesma data para armênios, católicos, coptas, sírios e gregos. Sábado e domingo, principalmente, são muitos os que vem celebrar a Eucaristia no Sepulcro e esperamos que esse número cresça ainda mais".

Um caminho de conversão


Um caminho de conversão

"Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: 'Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa'" (Lc 19,5).

Talvez você esteja precisando de ressurreição, como Zaqueu. Ele vivia na cidade de Jericó e possuía muito dinheiro e poder. Odiado pelo povo, a quem enganava, ele já não aguentava sua vida, mas não encontrava um caminho para mudá-la. Ao saber da presença de Jesus na região, Zaqueu foi até Ele e subiu numa árvore para vê-Lo. O Senhor o viu, dizendo-lhe então: "Zaqueu, desce depressa que eu preciso estar hoje em sua casa". Se você estava querendo uma solução para a sua vida e veio na esperança de que o Senhor tinha algo para fazer por você, acertou.

Jesus à sua casa, e quando estava saindo, Zaqueu lhe disse: "Senhor, a metade dos meus bens darei ao pobres, e se prejudiquei alguém, vou devolver quatro vezes mais" (Lc 19,8). E Cristo lhe respondeu: "Hoje aconteceu a salvação para esta casa, porque também este filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido" (Lc 19,9-10).

Assim como fez com Zaqueu, Jesus quer entrar em sua casa e salvar o que possa estar perdido.



Se for preciso, faça como Maria Madalena, que não esperou que o Messias até sua casa. "Os Doze iam com ele, também algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos maus de doenças: Maria, chamada Madalena, de quem saíram sete demônios" (Lc 8,2).

Ela era uma mulher de classe e tinha tudo o que queria: os homens a seus pés, dinheiro, vestidos, perfumes, as melhores coisas da época. Era bonita, apreciada, mas já não suportava sua vida. Quando soube que Jesus estava na casa de Simão, ousadamente, embora todos soubessem de sua condição de prostituta, entrou na casa e jogou-se aos pés de Cristo; derramou-Lhe perfume sobre os pés e lágrimas de arrependimento.

Jesus olhou para Maria Madalena, que se emocionou ainda mais, pois jamais um homem havia olhado para ela daquela maneira. Ela viu o amor, o perdão, o acolhimento nos olhos do Senhor. Então o Senhor disse primeiro a Simão: "Seus numerosos pecados foram perdoados porque ela muito amou". E a ela: "Filha, a tua fé te salvou. Os teus pecados são perdoados. Vai e não peques mais".

Talvez você esteja na mesma situação de Zaqueu e Maria Madalena, que conseguiram tudo o que desejavam, mas não satisfizeram o coração. Talvez você sinta que em seu interior há muita sujeira. Se assim for, faça como Maria Madalena: derrame o fruto do seu pecado nos pés de Jesus. Comece uma vida nova.

Sair do pecado é difícil, mas não impossível. E se você já se libertou, continue, persevere, não se deixe levar de novo. Seja você quem for, seja qual for o seu problema, se Jesus entrar em sua vida, ela será transformada.

Talvez você não aguente a sua vida por estar no caminho errado; quer mudar, mas não consegue. Dessa forma, deixe Jesus entrar em sua vida, em seu coração, assim como fez Zaqueu e Maria Zaqueu e Maria Madalena.

Diga: "Jesus, entra, toma conta da minha vida. As pessoas olham as aparências; o Senhor vê o coração, em que há uma pessoa necessitada de Deus, de salvação; uma pessoa carente de amor verdadeiro. Entra, Jesus, e muda minha vida. Eu me entrego; abro a guarda, retiro as minhas resistências; eu não resisto mais. Eis-me de volta, Senhor, sujo, esfarrapado. Obrigado, Jesus, porque me recebe como o Pai recebeu o filho pródigo: com alegria, com abraço, com festa. O seu filho voltou. Eu estava morto e o Senhor me ressuscitou; estava perdido e o Senhor me reencontrou. Muito Obrigado".

Monsenhor Jonas Abib

Católicos e muçulmanos unidos contra a manipulação da religião

Vatican Information Service.

Papa recebe líder mulçumano no Vaticano, em 2008
Católicos e mulçumanos estiveram reunidos, nos últimos dias de fevereiro, para debater sobre a violência confessional.

Algumas das recomendações acordadas entre os participantes foram "prestar mais atenção para o fato de que a manipulação da religião com fins políticos ou de outra natureza pode ser uma fonte de violência; evitar a discriminação com base na identidade religiosa; abrir o coração à reconciliação e ao perdão recíprocos, condições necessárias para uma convivência pacífica e fecunda".

Trata-se da reunião anual do Comitê conjunto para o diálogo do Comitê Permanente de Al-Azhar para o Diálogo entre as Religiões Monoteístas e o Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso, que aconteceu entre os dias 23 e 24 do mês passado em Cairo (Egito).

No final da reunião, o xeque Abd al-Aziz Wasil, "wakil" (representada em assuntos jurídicos) de Al-Azhar e presidente do Comitê Permanente para o Diálogo e o presidente do Conselho Pontifício para a Diálogo Interreligioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, assinaram uma declaração conjunta.

Segundo se explica em uma nota, "os participantes foram recebidos pelo grande imã de Al-Azhar, o professor e xeque Mohamed Sayyed Tantawi, a quem o Cardeal Tauran agradeceu por ter condenado os atos de violência que mataram seis cristãos e um policial muçulmano em Naga Hamadi (Egito), no passado Natal Ortodoxo, por ter manifestado solidariedade às famílias das vítimas e por ter reafirmado a igualdade dos direitos e deveres iguais para todos os cidadãos, independentemente da sua filiação religiosa. O xeque Tantawi declarou que somente fez o que considerava seu dever frente a estes trágicos acontecimentos".

O Comitê analisou o tema "O fenômeno da violência confessional: compreender o fenômeno e suas causas e propor soluções, com referência particular ao papel das religiões neste sentido".

Muçulmanos e católicos também pediram "reconhecer as semelhanças e respeitar as diferenças como condição de uma cultura de diálogo, baseada em valores comuns; afirmar que ambas as partes se comprometem novamente no reconhecimento e respeito pela dignidade de todo o ser humano, sem distinção de etnia ou religião; opor-se à discriminação religiosa em todos os campos (leis justas deveriam garantir uma igualdade fundamental); promover ideais de justiça, solidariedade e cooperação para assegurar uma vida pacífica e próspera para todos".

Os participantes se comprometeram a "opor-se com determinação à qualquer ato que tenda a criar tensões, divisões e conflitos nas sociedades; promover uma cultura de respeito e diálogo recíprocos por meio da educação na família, na escola, nas igrejas e mesquitas, difundindo um espírito de fraternidade entre todas as pessoas e a comunidade; opor-se aos ataques contra as religiões por parte dos meios de comunicação social, em particular nos canais por satélite, tendo em conta o efeito perigosos que essas transmissões podem ter sobre a coesão social e a paz entre as comunidades religiosas".

Finalmente, exigiram "assegurar que a pregação dos responsáveis religiosos, bem como o ensino escolar e os livros de texto não expressam afirmações ou façam referência a acontecimentos históricos que, direta ou indiretamente, possam suscitar uma atitude violenta entre os seguidores das diferentes religiões".

O Comitê estabeleceu que a sua próxima reunião acontecerá em Roma, nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2011.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Bento XVI manifesta pesar por terremoto no Chile e pede orações


Da Redação, com Rádio Vaticano


O Papa Bento XVI manifestou neste domingo, 28, seu pesar às vítimas do terremoto de 8,8 graus na escala Richter que abalou o Chile no sábado, 27. O país conta com mais de 300 mortos até o momento.

O Santo Padre disse sentir-se próximo das pessoas atingidas pela grave calamidade; e implorou a Deus que lhes alivie o sofrimento e os encoraje, neste momento tão adverso. “Me sinto particularmente próximo à amada população chilena afetada por um grande terremoto em seu país. Em um momento como este, brota naturalmente uma oração ao Senhor para as vítimas de uma mensagem de encorajamento a todos para superar esta grande prova", ressaltou.

O Papa pediu orações e solidariedade, garantindo o apoio das organizações eclesiásticas às vítimas.

Cristãos iraquianos fazem protesto em silêncio

Domingo, 28 de fevereiro de 2010, 11h59
Rádio Vaticano

Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos iraquianos realizam neste domingo, 28, em Mossul uma marcha de protesto, pacífica e silenciosa, contra o cotidiano massacre sofrido pela comunidade cristã, em meio à indiferença total das autoridades.

Dom Georges Casmoussa, arcebispo sírio-católico de Mossul, declarou que manifestações serão realizadas em Mossul e em outras dez cidades e aldeias cristãs do território circunstante. O arcebispo ressalta que a iniciativa não tem alguma motivação política ou eleitoral; mas exclusivamente religiosa, acrescentando que “os cristãos desejam apenas permanecer no Iraque, vivendo sua fé de modo pacífico”.

A data de hoje coincide com o segundo aniversário do seqüestro de Dom Paulos Faraj Rahho, bispo caldeu de Mossul, morto por terroristas islâmicos.

O patriarca da Igreja Caldeia, Cardeal Emmanuel III Delly, que visitou a cidade recentemente, expressou a sua solidariedade à comunidade cristã.

Papa convida cristãos a meditarem Palavra de Deus nesta quaresma


Da Redação, com Rádio Vaticano


''Jesus é a única voz que devemos ouvir, a única que devemos seguir. A sua Palavra, seja o critério que guia a nossa existência''
Com a conclusão neste sábado, 27, dos exercícios espirituais de Quaresma, junto a seus colaboradores, o Papa Bento XVI retornou neste domingo, 28, às suas atividades públicas, comparecendo à Praça São Pedro para rezar o Angelus com os fiéis.

Neste segundo domingo de Quaresma, o Papa discorreu sobre o episódio da Transfiguração, inspirando-se na liturgia de hoje, que reflete sobre o convite do Mestre, assim como consta no Evangelho de São Lucas: "Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me!" (Lc 9,23). "Este foi um evento extraordinário; um encorajamento na sequela de Jesus", disse Bento XVI.

Neste período de Quaresma, o Papa convidou todos a meditar assiduamente sobre o Evangelho. "Jesus é a única voz que devemos ouvir, a única que devemos seguir. A sua Palavra, seja o critério que guia a nossa existência", destacou Bento XVI.

O Santo Padre pediu ainda aos pastores que neste Ano Sacerdotal, "sejam realmente permeados pela Palavra de Deus, a conheçam profundamente e amem-na ao ponto que lhes dê vida e forme seu pensamento".

Iraque


Após a reflexão litúrgica e a oração mariana, o Papa dirigiu palavras de apelo às autoridades iraquianas e à comunidade internacional, em relação à delicada fase política que o Iraque está atravessando.

Aos políticos, o Pontífice pediu que façam todo esforço possível para que a população se sinta segura, de modo especial as minorias religiosas, mais vulneráveis.

Representantes e religiosos da Igreja iraquiana e de outras Igrejas do Oriente Médio encontraram-se esta manhã na Praça São Pedro para se manifestar em favor dos cristãos perseguidos, antes da oração do Angelus.

Dirigindo-se a eles, o Papa exortou também a comunidade internacional a esforçar-se em prol de um futuro de reconciliação e de justiça para os iraquianos, e invocou de Deus, todo-poderoso, o dom precioso da paz.

Bento XVI disse ter recebido com profunda tristeza as trágicas notícias de assassinatos de cristãos na cidade de Mossul e ter acompanhado com muita preocupação outros episódios de violência perpetrados contra pessoas indefesas, de diversas pertenças religiosas, no Iraque.

O Pontífice esclareceu que sua preocupação é por todas as pessoas injustamente perseguidas, não apenas pelos católicos. Bento XVI, que passou a última semana em retiro com a Cúria, revelou ter rezado bastante por todas as vítimas daqueles atentados. Neste sentido, disse unir-se à oração pela paz e pelo retorno da segurança, promovida pelo Conselho de Bispos de Nínive; e animou as comunidades cristãs do Iraque a “não se cansarem de ser fermento de bem pela pátria à qual, há séculos, pertencem plenamente”.

Enfim, Bento XVI alertou os políticos do país para que não cedam à tentação de priorizar interesses temporários e parciais em detrimento da incolumidade e dos direitos fundamentais da cidadania.

Chile


Em seguida, Bento XVI manifestou seu pesar pelas vítimas do terremoto de 8,8 graus na escala Richter que abalou o Chile no sábado, 27, e afirmou sentir-se próximo das pessoas atingidas pela grave calamidade. O Papa pediu orações e solidariedade, garantindo o apoio das organizações eclesiásticas às vítimas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Preparação para a Páscoa seja vivida a pensar na Humanidade

(26/2/2010) Em Portugal o bispo de Coimbra D. Albino Cleto pretende que o tempo de preparação para a Páscoa seja vivido a pensar na Humanidade.
“Este mundo europeu em que vivemos faz agora experiências dolorosas a que chamamos ‘crise’: crise de emprego, que provoca fome; crise de princípios, que destrói famílias; crise de valores, que gera infelicidade”, refere o documento intitulado “Quaresma em Igreja, ressurreição para o mundo”.
“Que ao longo de toda a Quaresma o nosso Mundo esteja no nosso coração. Por ele vamos rezar, praticar gestos amorosos de penitência, ofertas generosas de caridade”, indica o prelado.
O bispo de Coimbra sublinha que estas atitudes e comportamentos fazem parte de “um caminho para a Páscoa”.
Este percurso deve ser feito “não em piedoso individualismo mas em grupo”, através da “escuta da Palavra de Deus”, de “algumas privações de coisas que nos agradam”, da “oração mais frequente”, do “sacramento da Confissão”, da “participação na Eucaristia” e de “gestos de amor sincero aos irmãos, começando pelos que vivem e trabalham connosco”.
Este ano, a renúncia quaresmal da diocese de Coimbra destina-se a “aliviar o grande encargo financeiro que pesa sobre o Instituto Missionário dos Servos de Jesus Salvador”, no Brasil, do qual são originários alguns dos párocos da região do Baixo Mondego. Os fundos recolhidos contribuirão para adquirir o seu Seminário, localizado no estado de S. Paulo, que tem vindo a ser pago “penosamente”.

Vamos falar de dinheiro?

É preciso colocar a vida em primeiro lugar

A Quaresma, como sabemos, é um tempo propício para a nossa conversão, um período de renovação espiritual. Um tempo para "rever a vida", abandonar o que nos faz mal e viver o que Jesus recomendou: "Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca".

Para nos ajudar ainda mais nesse período de conversão, revisão e renovação, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) incorporou, na Quaresma, a Campanha da Fraternidade (CF). Para aproveitarmos esse tempo forte de espiritualidade de forma melhor, a CF nos apresenta um tema específico para que, dessa forma, colhamos frutos bem práticos desse período de penitência e de conversão.

Neste ano a Campanha da Fraternidade nos propõe o tema: "Economia e Vida". E o lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro". Um assunto fundamental e que precisa ser colocado em pauta, não somente por causa das crises econômicas no mundo, mas por causa das propostas de mercado existentes e também para refletirmos como nós cristãos lidamos com nosso dinheiro no dia a dia.

Para muitas pessoas é um drama relacionar a vida de fé com a vida financeira. E para nos ajudar, a CNBB, juntamente com as demais Igrejas do CONIC, nos apresenta estratégias para trabalharmos esse assunto de modo mais eficiente, especialmente nesse período quaresmal. Vamos a elas.

Denunciar: mostrar abertamente os modelos econômicos que visam acima de tudo o lucro e não levam em consideração a vida das pessoas. É preciso denunciar as situações nas quais o interesse econômico se sobrepõe à defesa da vida.

Educar: é preciso colocar a vida em primeiro lugar. A economia deve ser colocada à disposição das pessoas e não as pessoas a serviço da economia. E uma educação também no âmbito pessoal. Para lidarmos com dinheiro é preciso responsabilidade e para isso é necessária a educação financeira.

Conclamar: que quer dizer agir. Espalhar essa notícia e convidar a outros tantos para participarem conosco dessa iniciativa. Promover também, por meio de ações políticas, sociais e pessoais situações que favoreçam a solidariedade nas propostas econômicas e o equilíbrio no uso pessoal do dinheiro.

Depois de perceber e demonstrar o que há de errado (denunciar); aprender a como lidarmos corretamente com o dinheiro (educar); resta-nos convidar a outros e agir da melhor maneira em relação à questão financeira (conclamar). Não é difícil. A Campanha da Fraternidade já nos dá as dicas de que passos seguir para entendermos de forma mais profunda e vivermos a nossa relação com o dinheiro segundo a perspectiva da fé cristã.

Que o Espírito Santo nos conceda o dom da coragem para vivermos a penitência quaresmal e ressuscitarmos com Cristo na Páscoa para uma vida nova, inclusive no âmbito financeiro.


Denis Duarte

Reaberto processo de beatificação de Bento XIII


O Papa Bento XIII, cujo pontificado foi de 1724 a 1730
Será reaberta a Causa de Beatificação do Papa Bento XIII (Pierfrancesco Orsini) 270 anos após sua morte.

O processo havia sido iniciado em 1931 e acabou voltando para a gaveta, à espera de esclarecimentos sobre o papel de seu secretário, Cardeal Niccolo' Coscia, que foi condenadoo a dez anos de prisão, por abuso de poder, imediatamente após a morte do Pontífice.

O Centro de Estudos "Bento XIII", de Gravina di Puglia, informou a publicação de um novo edito pelo Vicariato de Roma, que confirmou a informação. O documento, emitido pelo Vigário-geral do Tribunal Diocesano do Vicariato de Roma, cardeal Agostino Vallini, reaber oficialmente a Causa de Beatificação do Papa nascido em Gravina e já contatou todas as dioceses envolvidas.

Bento XVI teve um pontificado complexo, pois foi um Papa reformador e moralizador, sobretudo no confronto dos escândalos envolvendo o clero da época. O comportamento controverso do Cardeal Coscia não obscureu o trabalho de bento XII, mas novos documentos, entre os quais uma biografia publicada na Alemanha logo após sua morte, recentemente traduzida graças à dedicação do presidente do Centro de Estudos, padre Dom Xavier Paternoster, lançou uma nova luz sobre o pontificado do último dos Orsini.

Bento XIII impôs aos membros da Igreja sobriedade e retidão e, no Concílio de Latrão (1725), tomou uma posição firme contra a heresia jansenista francesa. Durante seu pontificado, inaugurou a escadaria da Piazza di Spagna, em Roma, e estabeleceu da Universidade de Camerino. Seus restos mortais estão sepultados em Roma, na Basílica de Santa Maria sopra Minerva.

A beleza da moral católica

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O comportamento do cristão é uma resposta ao amor de Deus

A moral católica tem como objetivo levar o cristão à realização da sua vocação suprema que é a santidade. Ela tem como objetivo dirigir o comportamento do homem para o seu Fim Supremo que é Deus, que se revelou ao homem de modo especial em Jesus Cristo e sua Igreja.

A Moral vai além do Direito que se baseia em leis humanas; mas nem sempre perscruta a consciência. Pode acontecer de alguém estar agindo de acordo com o Direito, mas não de acordo com a consciência. Nem tudo que é legal é moral.

A Moral cristã leva em conta que o pecado enfraqueceu a natureza humana e que ela precisa da graça de Deus para se libertar de suas tendências desregradas e viver de acordo com a vontade de Deus.

Portanto, a Moral cristã e a Religião estão intimamente ligadas, tendo como referência Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Ser cristão é viver em comunhão com Cristo, vivendo Nele, por Ele e para Ele. É de dentro do coração do cristão que nasce a vontade de viver a “Lei de Cristo”, a Moral cristã, e isto é obra do Espírito Santo. Não é um peso, é uma libertação.

O comportamento do cristão é uma resposta ao amor de Deus. Dizia S. João da Cruz que “amor só se paga com amor”.

“Deus é amor” (1Jo 4, 16) e Ele “nos amou primeiro” (1Jo 4, 19).

Ninguém deve viver a Lei de Cristo, por medo, mas por amor ao Senhor que desceu do céu, e imolou-se por cada um de nós. Nosso amor a Deus não deve ser o amor do escravo que lhe obedece por medo do castigo, e nem do mercenário que o obedece por amor ao dinheiro, mas sim o amor do filho que obedece ao pai simplesmente porque é amado por ele.

São Paulo dizia: “O amor de Cristo me constrange” (2Cor 5,14).

Ninguém será verdadeiramente espiritual enquanto não viver a lei de Deus simplesmente por amor a Deus e não por medo de castigos.

Por outro lado, devemos viver a lei de Deus porque ela é, de fato, o caminho para a nossa verdadeira felicidade. Ele nos ama e é Deus; não erra e não pode nos enganar; logo, sua Lei, é o melhor para nós.

Quem não obedece ao catálogo do projetista de uma máquina, acaba estragando-a; assim, quem não obedece a Lei de Deus, acaba destruindo a sua maior obra que é a pessoa humana.

A Lei de Cristo se resume em “amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo” (cf. Mt 22, 37-40). Mas esse amor ao próximo não é apenas por uma questão de simpatia ou afinidade com ele, mas pelo exemplo de Cristo, que “nos amou quando ainda éramos pecadores”, como disse S. Paulo. Por isso, o cristão odeia o pecado mas sempre ama o pecador. A Igreja ensina que não se deve impor a verdade sem caridade, mas também não se deve sacrificar a verdade em nome da caridade.

Deus sempre exigiu do povo escolhido, consagrado a Iahweh (Dt 7,6; 14,2.21), a observância das Suas Leis, para que este povo fosse sempre feliz e abençoado.

“Observareis os mandamentos de Iahweh vosso Deus tais como vo-los prescrevo” (Dt 4,2).

“Iahweh é o único Deus... Observa os seus estatutos e seus mandamentos que eu hoje te ordeno, para que tudo corra bem a ti e aos teus filhos depois de ti, para que prolongues teus dias sobre a terra que Iahweh teu Deus te dará, para todo o sempre” (Dt 14,40).

Deus tem um grande ciúme do seu povo, e não aceita que este deixe de cumprir suas Leis para adorar os deuses pagãos.

“Eu, Iahweh teu Deus, sou um Deus ciumento...” (Dt 5,9).

O Apóstolo São Tiago, lembra-nos esse ciúme de Deus por cada um de nós, ao dizer que:

“Sois amados até ao ciúme pelo Espírito que habita em vós” (Tg 4,5).

Deus não aceita ser o segundo na nossa vida, Ele exige ser o primeiro, porque para Ele cada um de nós é o primeiro.

Esse amor a Deus se manifesta exatamente na obediência aos mandamentos: “Andareis em todo o caminho que Iahweh vosso Deus vos ordenou, para que vivais, sendo felizes e prolongando os vossos dias na terra que ides conquistar” (Dt 5,33).

E as bençãos que Deus promete são abundantes:

“Se de fato obedecerdes aos mandamentos que hoje vos ordeno, amando a Iahweh vosso Deus e servindo-o com todo o vosso coração e com toda a vossa alma, darei chuva para a vossa terra no tempo certo: chuvas de outono e de primavera. Poderás assim recolher teu trigo, teu vinho novo e teu óleo; darei erva no campo para o teu rebanho, de modo que poderás comer e ficar saciado” (Dt 11.13-15; Lv 26; Dt 28).

Jesus disse aos Apóstolos: “Se me amais guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,23).

“Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai ...“ (Mt 7,21) .

O nosso Papa Bento XVI tem falado do perigo da “ditadura do relativismo”. Na homilia que proferiu na missa que precedeu o início do Conclave que o elegeu, ele deixou claro as suas maiores preocupações:

“...que nos tornemos adultos em nossa fé. Não devemos permanecer crianças na fé, em estado de menoridade. Em que consiste sermos crianças na fé? Responde São Paulo: “Significa sermos arrastados para lá e para cá por qualquer vento doutrinário. Uma descrição muito atual!””

“Quantos ventos doutrinários experimentamos nesses últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensamentos... O pequeno barco do pensamento de muitos cristãos se viu freqüentemente agitado por essas ondas arremessado de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, e até mesmo a libertinagem; do coletivismo ao individualismo radical; do agnosticismo ao sincretismo, e muito mais. A cada dia nascem novas seitas, e as palavras de São Paulo sobre a possibilidade de que a astúcia nos homens, seja causa de erros são confirmadas.”

“Ter uma fé clara, de acordo com o Credo da Igreja, muitas vezes foi rotulado como fundamentalista. Enquanto que o relativismo, ou seja, o deixar-se levar «guiados por qualquer vento de doutrina», parece ser a única atitude que está na moda. Vai-se construindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que só deixa como última medida o próprio eu e suas vontades. Nós temos outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. Ele é a medida do verdadeiro humanismo. «Adulta» não é uma fé que segue as ondas da moda e da última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente arraigada na amizade com Cristo.”

O relativismo religioso é aquele em que cada um faz a “sua” própria doutrina moral, e não mais segue os Mandamentos dados por Deus. E quem não age segundo esta perversa ótica, é então menosprezado e chamado de retrógrado, obscurantista, etc.

Mas a Igreja nunca trairá o seu Senhor. Demos graças a Deus por este novo Pedro que Ele pos à frente do Seu Rebanho! Caminhemos com alegria e coragem, pois: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia, ubi Ecclesia ibi Christus” – Onde está Pedro está a Igreja, onde está a Igreja está Jesus Cristo. (São Basílio Magno)

Viver a Moral católica é ser fiel a Jesus Cristo e a tudo o que Ele ensina através da sua Igreja.


Felipe Aquino

Papa em Portugal: equipe do Vaticano prepara a viagem

Rádio Vaticano

Os preparativos da visita que Bento XVI fará a Portugal entre 11 e 14 de maio continuam.

Uma equipe do Vaticano, responsável por preparar as viagens do papa, terminou ontem uma vistoria de três dias para estudar questões de segurança e de organização.

Segundo o site oficial da visita (www.bentoxviportugal.pt), na terça-feira, 23, os especialistas do Vaticano se reuniram em Lisboa, na sede da nunciatura apostólica, com membros da Comissão Organizadora da Visita, que é presidida pelo Bispo Auxiliar de Lisboa, Dom Carlos Azevedo.

A seguir, a equipe participou de uma reunião no Ministério dos Negócios Estrangeiros com representantes do Protocolo de Estado e das Forças de Segurança (PSP e GNR).

Com o mesmo objetivo, a delegação liderada por Alberto Gasbarri, que é também Diretor Administrativo da Rádio Vaticano, esteve na quarta-feira em Fátima e na cidade do Porto, reunindo-se com os responsáveis locais pela organização e segurança da visita.

Já na quarta-feira, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou, por unanimidade, a atribuição da Chave de Honra da Cidade a Bento XVI, a ser entregue durante a visita do Pontífice à cidade. A justificativa é o "importante papel que a Igreja Católica desempenha na sociedade portuguesa".

"Enquanto Bispo de Roma, constitui uma referência para todos os católicos e assume uma importância inquestionável, correspondendo a uma das figuras mundiais mais destacadas", acrescenta o texto, recordando que 90% dos portugueses, segundo o Censo de 2001, se declaram católicos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cristo veio libertar-nos da tentação de uma vida que prescinde de Deus: Bento XVI antes do Angelus do Primeiro Domingo da Quaresma.

(21/2/2010) Nas palavras proferidas este domingo antes da recitação do Angelus com os milhares de fiéis congregados na Praça de S. Pedro o Papa Bento XVI falou da Quaresma tempo de renovação espiritual que prepara para a celebração anual da Páscoa. E perguntou o que significa entrar no itinerário quaresmal. Uma resposta que é ilustrada pelo Evangelho deste I domingo da quaresma que fala das tentações de Jesus no deserto.
Tentações que não foram um incidente de percurso mas a consequência da escolha de Jesus se seguir a missão que lhe foi confiada pelo Pai, de viver até ao fundo a sua realidade de Filho amado que confia totalmente nele.
Cristo veio ao mundo para nos libertar do pecado e do fascínio ambíguo de projectar a nossa vida prescindindo de Deus. Ele fê-lo não com proclamações altissonantes, mas lutando em primeira pessoa contra o Tentador até á Cruz.
Este exemplo – salientou o Papa – vale para todos: o mundo melhora começando por si mesmo, mudando, com a graça de Deus aquilo que não está bem na própria vida.
As tentações de Satanás foram - explicou o Papa - essencialmente três: aquela ligada á necessidade de bens materiais ( a proposta diabólica de transformar as pedras em pão); o engano do poder, quando o Maligno ofereceu a Jesus o domínio sobre a inteira criação em troca de um acto de adoração; finalmente a ambição, ligada ao convite a efectuar um milagre espectacular; lançar-se das muralhas do Templo e fazer com que os anjos o salvem.
Também hoje – disse Bento XVI – o homem conhece no seu profundo, a tentação do poder, da ambição e do hedonismo . E deve vencê-las graças á obediência a Deus
A quaresma – disse depois o Papa – é como um longo retiro, durante o qual entrar de novo em si mesmo e escutar a voz de Deus, para vencer as tentações do Maligno. Um tempo de combate espiritual que se deve viver juntamente com Jesus, não com o orgulho e presunção, mas usando as armas da fé, isto é a oração, a escuta da Palavra de Deus e a penitencia.. Desta maneira poderemos chegar a celebrar a Páscoa na verdade, prontos a renovar as promessas do nosso Baptismo. Que a Virgem Maria nos ajude para que, guiados pelo Espírito Santo, vivamos com alegria e com fruto este tempo de graça.
Interceda em particular por mim, e pelos meus colaboradores da Cúria Romana que esta tarde iniciaremos os Exercícios Espirituais"

Tecnologia: você tem medo de inovar?

Você não gosta de tecnologia ou tem medo das mudanças?

Bom, você pode não gostar ou, até mesmo, achar que não leva jeito para assuntos tecnológicos, mas o fato é que essa realidade digital já permeiam a nossa vida constantemente, por isso é tempo perdido relutar.

Eu admito: são muitas as mudanças, muitas as novidades. Mal aprendemos a utilizar uma ferramenta e já aparece outra mais moderna, mais rápida, mais fácil de executar e com promessas sonhadoras de não travar nem dar problemas; pelo contrário, elas prometem facilitar a nossa vida. Na verdade, quero tentar ajudar você a perceber algo: será que essa indisposição em experimentar as novas tecnologias não revela sintomas do ‘homem velho’? É isso mesmo, o homem que insiste em ficar acomodado à vidinha de sempre, fazendo as mesmas coisas, sempre com as mesmas pessoas, visitando os mesmo lugares, nos mesmos horários.


Hoje, quero lhe convidar a perceber e analisar se você não está permitindo que esse ‘homem velho’ tome conta de você mais uma vez, com velhas manias, velhos pecados e costumes; com um monte de pensamentos quadrados que não fazem bem a você e àqueles que o rodeiam. O pior é que este “acomodar-se” faz de você uma pessoa fechada, metódica, seletiva.

Se a sociedade tem caminhado a passos largos, muito se deve ao crescimento das novas tecnologias.
Não quero dizer com isso que o desenvolvimento tecnológico seja a solução de todos os nossos problemas, ele é apenas um meio para nos levar ao verdadeiro fim: Cristo. E através de Cristo, aos irmãos.

Será que o medo de uma nova ferramenta, de um novo trabalho ou o medo de fazer uma nova experiência com alguém está revelando os sintomas de uma vida estacionada que, a cada dia, se torna mais fechada em si mesma?

Cuidado! O ‘homem velho’ está à espreita, esperando você estacionar, acomodar-se para, aos poucos, retomar o terreno que já foi dele um dia. É preciso estar antenado, pois até o inimigo sabe usar as novas ferramentas e se adequar às novidades para ganhar espaço em seu coração e, assim, trazer de volta o ‘homem velho’.

“Quando o Espírito impuro sai de alguém, fica vagando por lugares áridos, à procura de repouso, e não encontra. Então diz: ‘Vou voltar para a minha casa de onde saí’. Quando chega, ele a encontra desocupada, varrida e arrumada. Então, ele vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, que entram e se instalam aí. No fim, o estado dessa pessoa fica pior do que antes (Mt. 12, 43-45).

Hoje é um novo dia para acolher as novidades de Deus, usando as ferramentas de tecnologia apenas como um meio. Então, quero proclamar uma nova disposição sobre sua vida, quero proclamar: Efatá, Abre-te! (Mc. 7, 32-34).

CNBB lança blog na Internet

CNBB lança blog na Internet


Da Redação, com CNBB


Conferência dos Bispos agora tem blog na Internet
Entrou no ar nesta terça-feira, 23, o blog da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

.: Entre no blog da CNBB clicando aqui


Atendendo ao pedido do Papa Bento XVI, que, na sua Mensagem para o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais, escreveu que a Igreja deve usar dos "novos meios de comunicação a serviço da Palavra", a página tem por objetivo complementar o site da Conferência, por meio de notícias, vídeos, áudios, fotos e pequenos posts (comentários).

Assim como as outras mídias sociais já existentes - twitter, youtube, flickr e facebook -, essa nova presença da CNBB na internet busca dar mais dinamicidade e agilidade à comunicação.

De acordo com o secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, a Conferência vem aumentando seu nicho de informações na internet e o blog dá mais força a essa presença. "Cada vez mais nosso site tem que se aperfeiçoar. Já estamos no twitter, no youtube, facebook, flickr e, agora, o próximo passo é o blog. Eu espero que essa nova presença complemente as outras mídias já existentes para que a CNBB se comunique de forma mais objetiva. Em breve, também vamos criar o blog da Missão Continental, para que cresçamos ainda mais com essa presença através das novas tecnologias a serviço do Reino de Deus".

O assessor de imprensa da CNBB, padre Geraldo Martins, encara a presença da Conferência na blogosfera como mais uma alternativa de comunicação para ampliar a presença da CNBB através das novas tecnologias de informação. "O blog representa mais uma alternativa de comunicação que a CNBB se serve a partir desse universo oferecido pelas novas tecnologias. Ele representa, portanto, o esforço da Igreja para chegar da maneira mais ampla possível a todas as pessoas".

Um dos diferenciais do blog é a publicação de notícias mais objetivas, destacando os últimos vídeos e áudios produzidos pela assessoria de imprensa, bem como imagens de eventos, além de possibilitar aos internautas comentarem os posts, com moderação do administrador. Outra novidade é que os leitores poderão seguir o blog da CNBB, assim como seguem a página no twitter, através de login e e-mail.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Mais católicos no mundo

Últimos dados revelados pelo Vaticano apontam para crescimento de 1,7% entre 2007 e 2008

O Vaticano revelou que o número de católicos no mundo é de 1,16 mil milhões, tendo registado um aumento de 1,7% entre 2007 e 2008, especialmente visível em África e na Ásia. No total da população mundial, os fiéis da Igreja Católica representam cerca de 17,4%.

Os últimos dados disponíveis sobre os baptizados nos cinco continentes foram apresentados ao Papa, este Sábado, na edição 2010 do Anuário Pontifício.

As estatísticas referentes ao ano de 2008 fornecem uma análise sintética das principais tendências relativas à Igreja Católica nas 2945 circunscrições eclesiásticas do planeta, assinala um comunicado oficial do Vaticano.

Entre 2000 e 2008, a evolução no número de sacerdotes, diocesanos ou religiosos, continua a ser tendencialmente positiva, cerca de 1%. Nestes nove anos, os padres passaram de 405 mil para 409 mil.

A distribuição do clero por continentes, em 2008, é caracterizada por uma elevada prevalência de padres europeus (47,1%), enquanto os americanos são 30%; o clero asiático corresponde a 13,2%, o africano a 8,7% e o da Oceânia a pouco mais de 1%.

Em 2008, os religiosos eram pouco mais de 739 mil, uma diminuição de 7,8% relativamente a 2000. As diminuições mais significativas ocorreram na Europa (- 17,6%), América (-12,9%) e Oceânia (-14,9%), enquanto na África e na Ásia houve um aumento relevante (+21,2% e 16,4%, respectivamente).

A nível global, o número de candidatos ao sacerdócio aumentou, passando de 115.919 em 2007 para 117.024 em 2008. Nesse biénio, houve uma taxa de crescimento de cerca de 1%, mas a Europa registou uma diminuição de 4,3%.

Os dados foram apresentados a Bento XVI pelo seu Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, e pelo substituto do secretário de Estado para Assuntos Gerais, D.Fernando Filoni.

O Papa, revela o Vaticano, mostrou “grande interesse pelos dados apresentados”, expressando a sua grande gratidão a todos os que contribuíram para a nova edição do Anuário.

Precedido desde 1716 por várias publicações, o “Annuario Pontificio” passou a sair desde 1940 com o actual esquema, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado, com informação sobre os cardeais, dioceses, bispos, dicastérios e organismos da Cúria Romana, representações diplomáticas do e no Vaticano, institutos religiosos e instituições culturais dependentes da Santa Sé.

BENTO XVI: QUARESMA, TEMPO DE EXERCÍCIO ESPIRITUAL QUE DEVE SER VIVIDO COM JESUS


Cidade do Vaticano, 21 fev (RV) - O Santo Padre presidiu a oração mariana do Angelus deste domingo na Praça São Pedro, onde o aguardavam vários fiéis e peregrinos provenientes de várias partes do mundo.

Na alocução que precedeu a oração, o papa lembrou que a Quaresma é tempo de renovação espiritual que nos prepara para celebrar a Páscoa do Senhor. "Mas o que significa entrar no caminho quaresmal?" – perguntou o papa. Encontramos a resposta no Evangelho deste domingo que nos diz que Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo no deserto e lá foi tentado durante quarenta dias pelo diabo.

O Santo Padre ressaltou que as tentações são conseqüências da escolha de Jesus de seguir a missão que o Pai lhe confiou, de viver profundamente a sua realidade de Filho amado, que confia totalmente no Pai.

"Cristo veio ao mundo para nos libertar do pecado e do fascínio ambíguo de projetar a nossa vida sem Deus. Ele o fez lutando em primeira pessoa contra o Maligno, até a Cruz. Este exemplo vale também para nós: podemos melhorar o mundo começando por nós mesmos, mudando com a graça de Deus, aquilo que está errado em nossa vida" – sublinhou Bento XVI.

Jesus obedeceu fielmente ao Pai e isto é um ensinamento fundamental para nós. Se a Palavra de Deus entrar em nossa mente, em nosso coração e em nossa vida recusaremos toda forma de engano ou sedução do Maligno.

"A Quaresma é como um longo retiro, durante o qual voltar para si mesmo e ouvir a voz de Deus a fim de vencer a tentação do Maligno. Um tempo de exercício espiritual que deve ser vivido junto com Jesus, não com orgulho e presunção, mas usando as armas da fé, ou seja, a oração, a escuta da Palavra de Deus e a penitência. Deste modo poderemos celebrar a Páscoa na verdade, prontos para renovar as promessas de nosso Batismo" – frisou o papa.

O Santo Padre pediu à Virgem Maria para que nos ajude, guiados pelo Espírito Santo, a viver com alegria este tempo de graça, e que ela interceda por ele e seus colaboradores da Cúria Romana que hoje à tarde iniciarão o retiro espiritual. A seguir o papa concedeu a todos a sua bênção apostólica.

Após a oração mariana, o Santo Padre saudou em várias línguas os diversos grupos de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro e recordou que jejuar significa renunciar e se tornar livres para o bem. Trata-se de acolher e aceitar aquilo que é realmente essencial para a nossa vida e viver segundo este propósito. Esta nova vida nós a vemos em Jesus Cristo, pois ele compreende a nossa fraqueza humana, porque foi também conduzido em tentação como nós.

O Santo Padre pediu aos fiéis para que rezem neste período de preparação para a Páscoa do Senhor em favor da graça de uma verdadeira renovação a fim de que possamos viver segundo a sua vontade e em seu amor.

Enfim, o papa saudou as Filhas de São Camilo que celebração em breve o centenário de morte da fundadora, beata Giuseppina Vannini.

Exercícios espirituais combatem o secularismo, indica Cardeal

L'Osservatore Romano


O Cardeal italiano Salvatore De Giorgi (em pé)
De forma especial em um tempo fortemente marcado pelo secularismo, que às vezes não poupa nem mesmo o clero e religiosos, há a necessidade de se redescobrir o valor de uma prática antiga e garantida como os exercícios espirituais, para uma escuta mais intensa da Palavra de Deus.

É disso que está convencido o presidente da Federação Italiana de Exercícios Espirituais (Fies), Cardeal Salvatore De Giorgi, associação reconhecida pela Conferência Episcopal Italiana (CEI) e destinada a promover os chamados "tempos fortes" de espiritualidade.

A prática dos exercícios, no entanto, não conhece uma verdadeira crise. "Infelizmente não está crescendo, mas em processo de 'ajuste' do ritmo", observa o cardeal. Ele registra pontos a favor, particularmente entre os leigos e as novas gerações. "Especialmente entre os jovens que fazem a experiência de uma vida de comunidade".

Os sacerdotes, pelo dever do exemplo a que estão desafiados por seu ministério, são os primeiros a serem chamados para a revisão contínua da experiência interior. "Na vida de um sacerdote, os exercícios espirituais são o momento mais favorável para verificar sua fidelidade ao dom recebido, para a purificação contínua do coração, para a animação do ministério", acrescenta De Giorgi. "É por isso que os Papas, de Leão XIII a Bento XVI, propuseram e recomendaram, não tanto como uma obrigação canônica, mas como exigência urgente e insubstituível a necessidade da vida espiritual".

Além disso, completou-se recentemente o aniversário de oitenta anos da encíclica Mens Nostra, dedicada por Pio XI, em 20 de dezembro de 1929, à "importância dos exercícios espirituais".

"O quadro sócio-religioso-cultural da época, que levou o Papa Ratti a dar relevo à 'suma importância, utilidade e adequação destes santos retiros' era, sem dúvida, menos complexo e menos comprometido que o de hoje, o do secularismo que coloca Deus entre parênteses, do materialismo que de fato o nega, do cientificismo que pretende tomar o seu lugar, do relativismo ético que rejeita todas as normas morais absolutas e transcendentes", explica o purpurado italiano.

Todavia, a análise que Pio XI faz da crise de seu tempo é "clara e lúcida" e ainda apresenta enormes pontos de atualidade. "A grande doença da era moderna - lê-se na Mens nostra -, principal fonte dos males que todos nós condenamos, é a falta de reflexão". Uma falta que produz escravos do materialismo e da corrida às riquezas, "que minimiza gradualmente na mente todos os ideais nobres".


Os Exercícios

A experiência dos exercícios espirituais é uma prática que, baseando-se na grande tradição do passado, requer ajustes contínuos para as necessidades do momento. Muita coisa mudou desde o tempo de Santo Inácio de Loyola, célebre fundador dos exercícios.

Já o Papa Paulo VI, em 1965, no discurso à primeira reunião da Fies, recorda o Cardeal De Giorgi, "fez uma vibrante e estimulante exortação para se reformular os exercícios: 'Ai se os Exercícios Espirituais se tornassem uma repetição formal ou, eu diria, um esquema preguiçoso. Há toda uma reformulação dos exercícios que esperamos, sinceramente, que os nossos bravos padres saibam fazer', disse o Papa".

O secretário nacional da Fies, padre Estanislau Renzi, destaca o trabalho desenvolvido especialmente entre os jovens: "Eles vivem agora em um mundo que ama o barulho, não o silêncio e o recolhimento, e desejam se ver livres de leis e de disciplina". Para eles, de acordo com padre Renzi, é "difícil falar sobre a busca da vontade de Deus na disposição da própria vida".

No entanto, há muitos, entre 20 e 30 anos, que praticam os exercícios espirituais frequentando assiduamente cursos, por vezes, nos fins de semana, em casas de espiritualidade, cujos representantes lhes oferecem a oportunidade para rezar e refletir individualmente e em comunidade, a fim de discernir as escolhas de vida e fazer o seu caminho espiritual na Igreja. Os cursos estão abertos a todos os jovens que querem crescer na fé e aprofundá-la, a fim de esforçar-se para ordenar suas vidas de acordo com o projeto de Deus.

Padre Renzi também enfatiza que os exercícios espirituais não são apenas um momento de estudo ou simples meditação e oração. É também um tempo de busca e orientação interior. "Tal como caminhar, andar, correr são exercícios físicos - escreveu Santo Inácio -, os Exercícios Espirituais também devem preparar a alma para remover todos os afetos desordenados e, após retirá-los, tentar encontrar a disposição da vontade de Deus na própria vida, para a salvação da própria alma", ressalta.

Nesse sentido, afirma o secretário da Fies, citando os ensinamentos de Bento XVI, se "a secularização, que muitas vezes se transforma em secularismo e abandona o sentido positivo da secularidade, coloca uma dura prova para a vida cristã dos fiéis e pastores, os exercícios espirituais, enquanto escuta ruminada e longa da Palavra de Deus, permitem discernir a vontade de Deus e, de acordo com ela, superar a mentalidade na qual Deus está ausente e permite, ao mesmo tempo, lutar para viver em comunhão com Deus e nossos irmãos".

Enfim, os exercícios espirituais se apresentam como uma solução para renovar a vida cristã e responder aos graves desafios colocados pela sociedade secular e pela indiferença religiosa.

"Armadilhas" para a vida do padre, segundo pregador do Papa

L'Osservatore Romano

O padre Enrico Dal Covolo e o Papa Bento XVI
Desde domingo, Bento XVI está particularmente focado na vida espiritual. Todas as audiências do Pontífice para esta semana foram canceladas, já que ele e a Cúria Romana participam dos Exercícios Espirituais em preparação à Quaresma.

As pregações acontecem na Capela Redemptoris Mater, do Palácio Apostólico Vaticano.

Após quatro cardeais, este ano a tarefa está a cargo de um padre, pela primeira vez. Trata-se de Enrico Dal Covolo, postulador geral dos Salesianos, que escolheu como tema de suas meditações a vocação sacerdotal, exatamente em sintonia com o Ano que a Igreja está celebrando.

Nesta entrevista ao L'Osservatore Romano, o religioso fala sobre o conteúdo e o método dos exercícios que prega para o Papa e a Cúria Romana desde domingo, 21, e que segue até sábado, 27.

Dal Covolo destaca o tema dos Exercícios, fala sobre a necessidade da oração na vida do sacerdote, o desafio de atualizar a formação sacerdotal, o que leva um jovem a se tornar padre e as principais armadilhas para a vida pastoral do presbítero.


L'Osservatore Romano (LOR): Pode nos explicar o tema dos exercícios espirituais deste ano, Lições de Deus e da Igreja sobre a vocação sacerdotal?

Padre Enrico Dal Covolo: O título pode ser explicado tanto na linha do método, quanto na linha do conteúdo destes exercícios. A linha do método é aquela antiga e consagrada da lectio divina, articulada em suas etapas fundamentais da leitura, meditação, oração e contemplação. A conversão da vida é a etapa conclusiva da lectio divina e, consequentemente, a fase final dos exercícios espirituais. O próprio título alude ao conteúdo, que diz respeito à vocação sacerdotal, ilustrada através dos estágios típicos das histórias bíblicas da vocação, que são cinco: o chamado de Deus; a resposta do homem; a missão que Deus confia a quem chama; a dúvida, a tentação, a resistência, a perplexidade do chamado e, enfim, a confirmação tranquilizadora de Deus.

A meditação da manhã percorrerá sistematicamente estes cinco estágios. Já à tarde, as meditações serão inspiradas nas "lições da Igreja", a mais importante das quais é a do sacerdote santo, ou, pelo menos, do sacerdote exemplar. Os cinco "medalhões sacerdotais" selecionados são de Santo Agostinho, São Cura d'Ars, o padre rural de Bernanos, o Venerável Giuseppe Quadrio e o Venerável Papa João Paulo II.


LOR: Durante as meditações, falará de São João Maria Vianney. Quais serão os aspectos mais importantes de que tratará?

Padre Enrico Dal Covolo: Eu escolhi pregar utilizando não apenas a biografia de São João Maria Vianney, porque já é bem conhecida, mas me ative a cinco episódios da sua vida, através dos quais fosse mais fácil fazer comparações entre a própria história do chamado e a história de vocação ao sacerdócio. No fundo, todos estes exercícios são outra coisa que uma verificação da vocação sacerdotal, à luz da Palavra de Deus e da palavra da Igreja.


LOR: Por que um padre necessita fazer um curso de exercícios espirituais?

Padre Enrico Dal Covolo: Essencialmente, porque eles são necessários. O Diretório sobre a vida e o ministério do presbítero recomenda que, todo o ano, os sacerdotes façam o seu exercício espiritual. De fato, no caminho da vida, especialmente nesta cultura em que estamos, muitas vezes pode levar a esquecer as motivações profundas para uma escolha de fé e vocação. Também o Papa, que é o supremo pastor, não está subtraído às tentações, à resistência, a árdua jornada da fé. Também ele necessita dos exercícios espirituais para poder confirmar eficazmente os irmãos na fé e dar o bom exemplo a todos os sacerdotes.


LOR: Como é viver esta experiência de ser o pregador dos exercícios espirituais para o Papa?

Padre Enrico Dal Covolo: Eu me sinto muito atingido pela graça do estado. Devo dizer que não é meu o pedido da atribuição que me é confiada. Sinto a graça de Deus que me ajuda fortemente. Ajudou-me muito a colocar o foco nestas meditações, e eu não levei muito tempo para prepará-las. A graça me sustenta também do ponto de vista emotivo, porque devo dizer que me sinto muito tranquilo. Também posso acrescentar que tenho uma longa experiência na pregação de exercícios espirituais. Se eu contei corretamente, o do Papa deveria ser o 221º curso de exercícios espirituais pregado a padres, freiras, consagrados, em meus trinta anos de sacerdócio.


LOR: O senhor acredita que a formação nos seminários prepara adequadamente os candidatos para desenvolver o seu ministério sacerdotal?

Padre Enrico Dal Covolo: Seguramente há um grande empenho neste sentido. Na recente visita que fez ao Pontifício Seminário Romano, o Papa destacou este esforço na atualização da formação sacerdotal. Certamente é um desafio, em particular, penso que devemos estudar melhor a forma que os futuros sacerdotes encaram a Sagrada Escritura. Muitas vezes, me parece que essa abordagem é demasiada subserviente ao método histórico-crítico. Não que este método não tenha os seus méritos, mas é, por si só, insuficiente. O futuro sacerdote deve escutar as Escrituras com o mesmo espírito que as escutaram os nossos padres, com aquela capacidade sapiencial de ler os textos profundamente eclesial. É o que o Papa chama de "exegese canônica" ou "teológica".


LOR: Estamos celebrando o Ano Sacerdotal, um momento de reflexão sobre a vocação. Por que um jovem, na sua opinião, deveria decidir se tornar um padre?

Padre Enrico Dal Covolo: Aquilo que leva, em última análise, um jovem a se tornar sacerdote só pode ser o convite do Senhor, que é o chamado. Como escreve João Paulo II, não podemos defini-lo precisamente em termos exatos, porque é dom e mistério. Mas podemos acrescentar que, certamente, uma pessoa está capacitada a perceber com clareza o chamado do Senhor para ser padre. Então, me pergunto, o que acaba por bloqueá-lo? Hoje, aquilo que bloqueia o jovem, ao ponto de ser incapaz de perceber claramente este chamado, é o clima em que nos encontramos. Um clima cultural de consumismo, muito apegado às necessidades materiais, pouco aberto ao diálogo com o espírito. Isto é o que verdadeiramente pode bloquear o candidato.

Existem também as dificuldades específicas relacionadas com a geração atual, penso sobretudo em nosso Velho Mundo, a velha Europa. Hoje em dia, um jovem é muito frágil em suas escolhas. Torna-se difícil tomar decisões definitivas, tanto para o sacerdócio, quanto para o casamento. Por isso, tanto mais ele se encontra em dificuldade para enfrentar uma escolha como essa, que consiste em doar inteiramente a própria vida ao serviço dos irmãos, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, o Bom Pastor. O modelo de Cristo Crucificado é, certamente, um modelo que está em desacordo com a cultura do mundo circundante.


LOR: Quais são os principais riscos na atividade pastoral de um padre?

Padre Enrico Dal Covolo: Uma "armadilha" é a solidão, a qual discutirei de modo particular no perfil do sacerdote rural. Na realidade, a solidão do sacerdote possui algo de necessário. Acontece que o presbítero, durante a sua formação, se prepare para essa solidão, que não é um vazio existencial, mas que deve se traduzir em um encontro privilegiado e íntimo com o Senhor Jesus, ao qual nenhum outro amor pode competir. De uma forma radical, o sacerdote é convidado a não antepor nada ao amor de Cristo, de acordo com a máxima de São Bento.

Bem, a solidão, se você a preenche com este conteúdo, é um bem. Facilita o encontro pessoal com Deus. Às vezes, porém, o sacerdote experimente a solidão como um vazio existencial. Por quê? Porque ele perdeu a dimensão contemplativa da vida. Aqui, então, mostra-se o quanto é importante um curso de exercícios espirituais, porque ajuda exatamente a pensar sobre essas coisas e a se converter.


LOR: A solidão é a armadilha "primeira". E as outras?

Padre Enrico Dal Covolo: Penso nas compensações que o sacerdote busca frente a essa solidão. Compensações que podem ser muitas coisas, sem pensar imediatamente nas coisas mais sérias, isto é, nas buscas que afetam o celibato sacerdotal e são proibidas, ou sem pensar no acúmulo de dinheiro, que, por vezes, é realmente uma armadilha para os sacerdotes. Se pode pensar mais facilmente no chamado ativismo, ou seja, o risco de "fazer por fazer", que se torna quase uma droga. Nesta armadilha, muitos padres têm caído e continuam a cair. Para os bispos, podem ser, às vezes, a armadilha de uma busca de honra, de se sentir quase apegado ao rol de privilégios que possuem, após a ordenação episcopal. Todavia, para eles também continuam valendo os riscos dos sacerdotes.


LOR: O senhor preparou um medalhão sobre Giuseppe Quadrio. Quem é esse padre?

Padre Enrico Dal Covolo: Bento XVI reconheceu a heroicidade da vida e das virtudes de Giuseppe Quadrio em 19 de dezembro. É uma figura muito interessante, porque é um sacerdote salesiano exeplar que foi um teólogo: então, de alguma forma, se santificou através do estudo e do ensino da teologia. Ele também foi decano da Faculdade de Teologia em Turim, antes de o Pontifício Ateneu Salesiano ser transferido para Roma. Ele morreu em 1963, quando ainda não havia completado 42 anos. Era uma promessa para a teologia, uma grande esperança.

Basta pensar que, em 1946, defendeu uma dissertação na Pontifícia Universidade Gregoriana, onde fez a defesa de se definir o dogma da Assunção de Maria. Estavam presentes nove cardeais, bem como Monsenhor Montini, futuro Papa Paulo VI. Aquilo teve ampla ressonãncia no L'Osservatore Romano, que fez uma matéria muito detalhada. Por que foi escolhido? Porque, em suas cartas, descreve a figura ideal do sacerdote. Em certo sentido, quando pinta este retrato do sacerdote ideal, ele também oferece um autorretrato que não se considerava digno de escrever.

LOR: Outro medalhão é sobre um padre rural de Bernanos. Por que essa escolha?

Padre Enrico Dal Covolo: O padre rural o escolhi para concluir a jornada penitencial, na qual falarei da dúvida, da resistência, das tentações que o sacerdote encontra em sua história de vocação. A figura doente do sacerdote é definitivamente exemplar nesse ponto de vista. Proporei a sua experiência, isto é, todas as dúvidas por que passou, as tentações que o marcaram e como, na realidade, em seu leito de morte, ele fez as pazes consigo mesmo e com Deus, à luz do ensinamento do "tudo é graça", de Teresa de Lisieux.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo

Quem entendeu que para se estabelecer uma verdadeira amizade é preciso amar a Deus em primeiro lugar, logo se vê impelido a buscar estabelecer relacionamentos, mas aprendendo com o Senhor como amar os seus amigos. O próprio Jesus nos deixou claro, com atos e palavras, que para amar de verdade é necessário amar ao próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22,39). Sendo assim mais uma vez a prefiguração de uma amizade verdadeira, da amizade em Cristo, é demonstrada no relacionamento entre Davi e Jônatas.


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“Aconteceu que, terminando ele [Davi] de falar com Saul, Jônatas apegou-se a Davi. E Jônatas passou amá-lo como a si mesmo” (I Sm 18,1).

Essa é a primeira descrição bíblica da amizade entre os dois, que começa justamente na plenitude cristã da forma de amar. Quando eu amo alguém como a mim mesmo, entendo que ele é outra pessoa e não fico tentando modelá-lo conforme a minha vontade. Percebo que ele soma na minha vida justamente porque é diferente, sendo assim, fazê-lo parecido comigo é perder tudo o que as diferenças acrescentariam na vida um do outro.

Outra característica dessa forma de amar é a tolerância, o acolhimento e a misericórdia. Se eu amo a um amigo como me amo, entendo que ele é uma pessoa e não um super-herói. Não exijo perfeição porque ele é tão humano quanto eu, acolhendo assim suas limitações e fraquezas da mesma forma que acolho seus dons e qualidades. Aprendo com seus erros e posso contar com ele para me levantar quando os meus erros também me fizerem cair. Por conhecer minhas misérias e do que elas são capazes de fazer na minha vida, não espero dele perfeição, por isso não deixo a decepção habitar em meu coração.

Se eu estabeleço uma amizade desta forma, entendo que meu amigo é uma pessoa e não uma propriedade particular, um território reservado unicamente para ocultar minhas inseguranças e saciar minhas carências. A felicidade dele é a minha felicidade, por essa razão eu o deixo livre para ser amado por outros. Por amá-lo e reconhecê-lo como alguém muito especial, quero que também os outros conheçam os tesouros do seu coração. Isso não me leva ao sentimento de ter sido colocado de lado ou ameaçado, pois já experimentei o quanto aquele amigo me ama. Sei que sou único em sua vida e por isso não preciso de exclusividade, pelo contrário, permito que o amor cresça, transborde e atinja a muitos outros.

Jônatas, quando viu a necessidade de Davi partir, não o impediu; pelo contrário, foi o primeiro a incentivá-lo a ir. Ele sabia que, em uma amizade verdadeira, a liberdade do outro é peça fundamental e que, muitas vezes, forçá-lo a estar perto é uma maneira mais rápida de perdê-lo. Não havia entre eles apego desequilibrado, mas amor verdadeiro, que liberta e não aprisiona. E mesmo sendo esta a última vez que o viu antes de morrer, Jônatas viveu com a certeza de que havia um pedaço seu no coração de Davi, onde quer que ele estivesse.

Amar o próximo como a si mesmo é experimentar o amor de Deus em sua vida e permitir que ele transborde na vida dos outros. É a vocação própria do homem: amar. Porque sou profundamente amado, também quero amar profundamente. Justamente por isso não há como amar um amigo de verdade antes de fazer uma experiência profunda de amar e ser amado pelo Senhor. O amor aos irmãos é reflexo limitado do Amor ilimitado de Deus por nós. Só podemos dar o que temos. Se não nos sentimos amados, não nos amamos e não temos condições alguma de amar o outro.

A experiência do amor cristão é a da renúncia, do desapego, da oblação, do sacrifício. É amar para dar a vida a todo instante e não somente em momentos extremos. É dar a vida no silêncio, na oração e nas ações que não esperam nada em troca. Somente quem ama nas pequenas renúncias de uma amizade é capaz de amar com entrega total de vida. Jesus amou assim: amou na simplicidade do dia a dia, sendo capaz de dar toda a vida no momento decisivo. Ele deu o exemplo e nos deixou o ensinamento: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).

Amar um amigo como a si mesmo é amar da forma como Jesus amava: se doar em amor buscando não a realização pessoal, mas a felicidade do outro. Não é fácil, mas é possível! Abrace a oportunidade de ser expressão concreta do Amor de Deus na vida daqueles que ama e derrame a sua vida em amor.

Seu irmão,
Renan Félix

Prêmio Nobel nomeado para Pontifícia Academia das Ciências

Vatican Information Service

O Santo Padre nomeou como membro ordinário da Pontifícia Academia das Ciência o professor Gerhard Ertl, docente de Físico-química no Fritz-Haber-Institut der Max-Planck-Gesellschaft, em Berlim (República Federal da Alemanha).

O professor nasceu em Stuttgart, em 1936, e estudou física na Universidade de Stuttgart, Paris e Mônaco da Baviera, obtendo da Universidade Tecnológica de Mônaco da Baviera, em 1965, o título de Doutor rer. nat. em Físico-química.

Após ser assistente e professor no mesmo Instituto, obteve, em 1967, a certificação para o ensino universitário e, em 1968, foi nomeado professor de Físico-química na Universidade de Hannover. Entre 1973 e 1986, foi professor de Físico-química no Ludwig-Maximilians-Universität, de Mônaco da Baviera. Em 1986, mudou-se para Berlim, na qualidade de diretor do Departamento de Físico-Química na Fritz-Haber-Institut der Max-Planck-Gesellschaft.

Suas pesquisas envolvem, em particular, as reações químicas em superfícies sólidas e que são a base de catálise heterogênea, empregada tanto em química industrial quanto em química ambiental. Ele também se interessa nos fenômenos de auto-organização espaço-temporais, que servem como modelos para efeitos similares em muitos outros campos.

O professor Ertl recebeu inúmeras homenagens e prêmios, incluindo o Prêmio Nobel de Química (2007), o Prêmio Otto Hahn (2007), o Prêmio Wolf em Química (1998) e o Prêmio Japão (1992). Além disso, ele é membro honorário de diversas academias e organizações científicas e recebeu doutorados honorários de diferentes universidades.

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