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quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI

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A fé cristã não é uma teoria, mas sim um acontecimento

Do instigante diálogo entre Peter Seewald e o então Cardeal Joseph Ratzinger, o atual Pontífice Bento XVI, resultou o livro "O Sal da Terra – o Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI". Na referida obra, encontramos algumas respostas do Santo Padre para alguns questionamentos do jornalista, o qual abandonara a fé católica havia muito tempo. Certa vez, Seewald lhe perguntou quantos caminhos existiam para Deus, e este afirmou: "Tantos quantos há pessoas".

Abaixo, reproduzimos algumas das perguntas extraídas do livro em questão, em comemoração ao aniversário de Santo Padre, o Papa Bento XVI.

O que o senhor considera mais fascinante em ser católico?

Fascinante é esta história viva, na qual entramos, o que, já em termos humanos, é algo de especial. Fascinante é que uma instituição com tantas fraquezas e falhas humanas se mantenha na sua continuidade e que eu, ao viver essa grande comunidade, possa saber que estou em comunhão com todos os vivos e mortos; e que nela também posso encontrar uma certeza sobre o essencial da minha vida, ou seja, o Deus que está voltando para mim; uma certeza sobre a qual posso fundar minha vida, com a qual posso viver e morrer.

A fé cristã não é uma teoria, mas sim um acontecimento. E isso é muito importante. O essencial, também no próprio Cristo, não é que Ele tenha anunciado determinadas ideias – o que Ele também fez obviamente - , mas eu me torno cristão, porque acredito nesse acontecimento. Deus entrou no mundo e agiu; é portanto, uma ação, uma realidade, não apenas um conjunto de ideias.

Todas as grandes culturas que conhecemos tiveram ou têm a religião como fator comum mais importante. Parece existir uma espécie de uníssomo das doutrinas, por exemplo, na exortação à moderação, na advertência contra o egocentrismo e a autonomia. Então, por que razão as religiões não haveriam de ser todas iguais? Por que razão o Deus dos cristãos haveria de ser melhor do que o Deus do índio? E por que razão haveria de existir uma única religião que levasse à salvação?

Essa proposta, que foi feita desde o início da investigação histórica das religiões no Ilusionismo, mas que também tinha sugerido antes, já é contraditória quando se consideram as próprias religiões. É que não são iguais. Há graus diferentes e há religiões manifestamente doentes, que também podem ser destrutivas para o homem.

A crítica marxista da religião tem razão na medida em que há religiões de práticas religiosas que são alienantes para o homem. Lembremo-nos, por exemplo, de que, na África, a crença nos espíritos ainda continua a ser um grande obstáculo para o desenvolvimento da terra e para a construção de uma estrutura econômica moderna. Se preciso me proteger dos espíritos por todos os lados e se um medo irracional determina todo o meu sentimento de vida, então o que deveria ser a religião certamente não é vivido como deve ser, no mais profundo de mim mesmo. E, assim, também podemos verificar que no cosmos religioso indiano (o nome hinduísmo é, antes de mais nada, uma designação enganadora que engloba uma multiplicidade de religiões) existem formas muito diferentes; algumas muito elevadas, puras, marcadas pela ideia do amor, mas também algumas formas muito cruéis, das quais fazem parte ritos homicidas.

Sabemos que os sacrifícios humanos marcam de forma horrível uma parte da história das religiões; sabemos que a religião política se transformou num instrumento de destruição e de opressão; conhecemos patologias na própria religião cristã. A queima das bruxas é a retomada de um costume germânico que tinha sido superado com dificuldade por meio da evangelização na Alta Idade Média e que depois, na Baixa Idade Media, voltou a surgir com o enfraquecimento da fé. Resumindo: os deuses não são todos iguais, há figuras divinas muito negativas, quer pensemos nos cosmos religioso grego, quer, por exemplo, no indiano. A ideia de igualdade das religiões fracassa, muito simplesmente, perante o fato da história das religiões.

Mas não seria possível aceitar também que alguém possa alcançar a salvação através de outra fé que não a católica?

Isso é uma questão completamente diferente. É perfeitamente possível alguém receber da sua religião as orientações que o ajudam a tornar-se uma pessoa mais pura e, graças às quais, se quisermos usar essa expressão, também agrada a Deus e alcança a salvação. Isso não está, de modo algum, excluído; pelo contrário, acontecerá certamente em grande medida. Só que deduzir daí que as próprias religiões são simplesmente iguais, que estão uma para as outras como num grande concerto, numa grande sinfonia, em que todas, afinal, têm o mesmo significado, isso seria errado.

As religiões também podem tornar mais difícil para o homem ser bom. Isso até pode acontecer no Cristianismo, devido à vivência errada do que é ser cristão, as figuras sectárias, etc. Nessa medida, também a purificação da religião na história das religiões e no cosmos das religiões é sempre uma enorme necessidade, para que não se torne um impedimento para a relação correta com Deus, mas realmente encaminhe o homem.

Eu diria que se o Cristianismo, a partir da figura de Jesus Cristo, se apresentou como verdadeira religião na história das religiões, isso significa que na figura de Cristo surgiu, pela Palavra de Deus, a força realmente purificadora. Não é necessariamente sempre bem vividas pelos cristãos, mas é o critério e a direção das purificações indispensáveis, para que a religião não se torne um sistema de opressão e alienação, mas sim um caminho que conduza o homem a Deus e a si mesmo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A beleza da moral católica

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O comportamento do cristão é uma resposta ao amor de Deus

A moral católica tem como objetivo levar o cristão à realização da sua vocação suprema que é a santidade. Ela tem como objetivo dirigir o comportamento do homem para o seu Fim Supremo que é Deus, que se revelou ao homem de modo especial em Jesus Cristo e sua Igreja.

A Moral vai além do Direito que se baseia em leis humanas; mas nem sempre perscruta a consciência. Pode acontecer de alguém estar agindo de acordo com o Direito, mas não de acordo com a consciência. Nem tudo que é legal é moral.

A Moral cristã leva em conta que o pecado enfraqueceu a natureza humana e que ela precisa da graça de Deus para se libertar de suas tendências desregradas e viver de acordo com a vontade de Deus.

Portanto, a Moral cristã e a Religião estão intimamente ligadas, tendo como referência Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Ser cristão é viver em comunhão com Cristo, vivendo Nele, por Ele e para Ele. É de dentro do coração do cristão que nasce a vontade de viver a “Lei de Cristo”, a Moral cristã, e isto é obra do Espírito Santo. Não é um peso, é uma libertação.

O comportamento do cristão é uma resposta ao amor de Deus. Dizia S. João da Cruz que “amor só se paga com amor”.

“Deus é amor” (1Jo 4, 16) e Ele “nos amou primeiro” (1Jo 4, 19).

Ninguém deve viver a Lei de Cristo, por medo, mas por amor ao Senhor que desceu do céu, e imolou-se por cada um de nós. Nosso amor a Deus não deve ser o amor do escravo que lhe obedece por medo do castigo, e nem do mercenário que o obedece por amor ao dinheiro, mas sim o amor do filho que obedece ao pai simplesmente porque é amado por ele.

São Paulo dizia: “O amor de Cristo me constrange” (2Cor 5,14).

Ninguém será verdadeiramente espiritual enquanto não viver a lei de Deus simplesmente por amor a Deus e não por medo de castigos.

Por outro lado, devemos viver a lei de Deus porque ela é, de fato, o caminho para a nossa verdadeira felicidade. Ele nos ama e é Deus; não erra e não pode nos enganar; logo, sua Lei, é o melhor para nós.

Quem não obedece ao catálogo do projetista de uma máquina, acaba estragando-a; assim, quem não obedece a Lei de Deus, acaba destruindo a sua maior obra que é a pessoa humana.

A Lei de Cristo se resume em “amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo” (cf. Mt 22, 37-40). Mas esse amor ao próximo não é apenas por uma questão de simpatia ou afinidade com ele, mas pelo exemplo de Cristo, que “nos amou quando ainda éramos pecadores”, como disse S. Paulo. Por isso, o cristão odeia o pecado mas sempre ama o pecador. A Igreja ensina que não se deve impor a verdade sem caridade, mas também não se deve sacrificar a verdade em nome da caridade.

Deus sempre exigiu do povo escolhido, consagrado a Iahweh (Dt 7,6; 14,2.21), a observância das Suas Leis, para que este povo fosse sempre feliz e abençoado.

“Observareis os mandamentos de Iahweh vosso Deus tais como vo-los prescrevo” (Dt 4,2).

“Iahweh é o único Deus... Observa os seus estatutos e seus mandamentos que eu hoje te ordeno, para que tudo corra bem a ti e aos teus filhos depois de ti, para que prolongues teus dias sobre a terra que Iahweh teu Deus te dará, para todo o sempre” (Dt 14,40).

Deus tem um grande ciúme do seu povo, e não aceita que este deixe de cumprir suas Leis para adorar os deuses pagãos.

“Eu, Iahweh teu Deus, sou um Deus ciumento...” (Dt 5,9).

O Apóstolo São Tiago, lembra-nos esse ciúme de Deus por cada um de nós, ao dizer que:

“Sois amados até ao ciúme pelo Espírito que habita em vós” (Tg 4,5).

Deus não aceita ser o segundo na nossa vida, Ele exige ser o primeiro, porque para Ele cada um de nós é o primeiro.

Esse amor a Deus se manifesta exatamente na obediência aos mandamentos: “Andareis em todo o caminho que Iahweh vosso Deus vos ordenou, para que vivais, sendo felizes e prolongando os vossos dias na terra que ides conquistar” (Dt 5,33).

E as bençãos que Deus promete são abundantes:

“Se de fato obedecerdes aos mandamentos que hoje vos ordeno, amando a Iahweh vosso Deus e servindo-o com todo o vosso coração e com toda a vossa alma, darei chuva para a vossa terra no tempo certo: chuvas de outono e de primavera. Poderás assim recolher teu trigo, teu vinho novo e teu óleo; darei erva no campo para o teu rebanho, de modo que poderás comer e ficar saciado” (Dt 11.13-15; Lv 26; Dt 28).

Jesus disse aos Apóstolos: “Se me amais guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,23).

“Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai ...“ (Mt 7,21) .

O nosso Papa Bento XVI tem falado do perigo da “ditadura do relativismo”. Na homilia que proferiu na missa que precedeu o início do Conclave que o elegeu, ele deixou claro as suas maiores preocupações:

“...que nos tornemos adultos em nossa fé. Não devemos permanecer crianças na fé, em estado de menoridade. Em que consiste sermos crianças na fé? Responde São Paulo: “Significa sermos arrastados para lá e para cá por qualquer vento doutrinário. Uma descrição muito atual!””

“Quantos ventos doutrinários experimentamos nesses últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensamentos... O pequeno barco do pensamento de muitos cristãos se viu freqüentemente agitado por essas ondas arremessado de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, e até mesmo a libertinagem; do coletivismo ao individualismo radical; do agnosticismo ao sincretismo, e muito mais. A cada dia nascem novas seitas, e as palavras de São Paulo sobre a possibilidade de que a astúcia nos homens, seja causa de erros são confirmadas.”

“Ter uma fé clara, de acordo com o Credo da Igreja, muitas vezes foi rotulado como fundamentalista. Enquanto que o relativismo, ou seja, o deixar-se levar «guiados por qualquer vento de doutrina», parece ser a única atitude que está na moda. Vai-se construindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que só deixa como última medida o próprio eu e suas vontades. Nós temos outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. Ele é a medida do verdadeiro humanismo. «Adulta» não é uma fé que segue as ondas da moda e da última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente arraigada na amizade com Cristo.”

O relativismo religioso é aquele em que cada um faz a “sua” própria doutrina moral, e não mais segue os Mandamentos dados por Deus. E quem não age segundo esta perversa ótica, é então menosprezado e chamado de retrógrado, obscurantista, etc.

Mas a Igreja nunca trairá o seu Senhor. Demos graças a Deus por este novo Pedro que Ele pos à frente do Seu Rebanho! Caminhemos com alegria e coragem, pois: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia, ubi Ecclesia ibi Christus” – Onde está Pedro está a Igreja, onde está a Igreja está Jesus Cristo. (São Basílio Magno)

Viver a Moral católica é ser fiel a Jesus Cristo e a tudo o que Ele ensina através da sua Igreja.


Felipe Aquino

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