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quarta-feira, 2 de junho de 2010

A presença real de Cristo na Eucaristia

A Igreja nunca duvidou dessa verdade

Desde que Jesus instituiu a Eucaristia na Santa Ceia, a Igreja nunca cessou de celebrá-la, crendo firmemente na presença do Senhor na Hóstia consagrada pelo sacerdote legitimamente ordenado pela Igreja. Nunca a Igreja duvidou da presença real do Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor na Eucaristia. Desde os primeiros séculos os Padres da Igreja ensinaram esta grande verdade recebida dos Apóstolos.

Na Última Ceia, Jesus foi muito claro: "Isto é o meu corpo". "Isto é o meu sangue" (Mt 26,26-28). Ele não falou de "símbolo", nem de "sinal", nem de "lembrança". São Paulo atesta a presença do Senhor na Eucaristia quando afirma: "O cálice de benção, que bebemos, não é a comunhão do Sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é a comunhão do Corpo de Cristo?" (1Cor 10,16).E o Apóstolo, que não estava na Última Ceia, recebeu esta certeza por revelação especial do Senhor a ele: "O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: Tomai e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Igualmente também, depois de ter ceado, tomou o cálice e disse: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes"(1Cor 11,23-29).

Sem dúvida a Eucaristia é o maior e o mais belo milagre que o Senhor realizou e quis que fosse repetido a cada Missa, para que Ele pudesse estar entre nós, a fim de nos curar e nos alimentar. "A Eucaristia é 'fonte e centro de toda a vida cristã' (LG,11). Os restantes sacramentos, porém, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a Sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa" (PO,5 e CIC n.1324).

O Catecismo da Igreja nos garante que "Os milagres da multiplicação dos pães... prefiguram a superabundância deste pão único da Eucaristia" (CIC, n.1335). Tudo o que foi dito até aqui está baseado principalmente nas próprias palavras de Jesus, naquele memorável discurso sobre a Eucaristia, na sinagoga de Cafarnaum, que São João relatou com detalhes no capítulo 6 do seu Evangelho: "Eu sou o Pão vivo que desceu do céu... Quem comer deste Pão viverá eternamente; e o Pão que eu darei é a minha carne para a salvação do mundo... O que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia... Porque a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida."

Não há como interpretar de modo diferente estas palavras, senão admitindo a presença real e maravilhosa do Senhor na Hóstia sagrada. Lamentavelmente a Cruz e a Eucaristia foram e continuam a ser "pedra de tropeço" para os que não crêem, mas Jesus exigiu até o fim esta fé. Aos próprios Apóstolos ele disse: "Também vós quereis ir embora?" (Jo 6,67). Ao que Pedro responde na fé, não pela inteligência: "Senhor, a quem iremos, só Tu tens palavras de vida eterna"(68). Nunca Jesus exigiu tanto a fé dos Apóstolos como neste momento. E, se exigiu tanto, sem dar maiores esclarecimentos como sempre fazia, é porque os discípulos tinham entendido muito bem do que se tratava, bem como o povo que o deixou dizendo:"Estas palavras são insuportáveis? Quem as pode escutar?" (Jo 6,60).

Também para cada um de nós a Eucaristia será sempre uma prova de fogo para a nossa fé; mas, crendo na palavra do Senhor e no ensinamento da Igreja, seremos felizes. Quando Lutero pôs em dúvida a presença real e permanente do Senhor na Eucaristia, o Concílio de Trento (1545-1563) assim se expressou: "Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu Corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue; e esta mudança, a Igreja católica chama-lhe com justeza e exatidão, transubstanciação" (DS, 1642; CIC n.1376).

Acima de tudo é preciso recordar que a Igreja recebeu do Senhor o carisma da infalibilidade em termos de fé e de moral, a fim de não permitir que os seus filhos sejam enganados no caminho da salvação (cf. Jo 14,15.25; 16,12-13). Portanto, o que a Igreja garante há vinte séculos, jamais podemos duvidar, sob pena de estarmos duvidando do próprio Jesus.

Para auxiliar a nossa fraqueza, Deus permitiu que muitos milagres eucarísticos acontecessem entre nós: Lanciano (sec VIII), Ferrara (1171), Orvieto (1264), Offida (1273), Sena (1330 e 1730),Turim (1453), etc., que atestam ainda hoje o Corpo vivo do Senhor na Eucaristia, comprovado pela própria ciência. Há tempos, foi traçado na Europa um "mapa eucarístico", que registra o local e a data de mais de 130 milagres, metade deles ocorridos na Itália.

Foto Felipe Aquino

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Perseverar no amor de Cristo

Padre Fabrício
Foto: Wesley Almeida
Qual a importância do perseverar? É na perseverança que a beleza do final é preparada. Qualquer coisa na nossa vida adquire um significado não pela empolgação do começo, mas pelo significado que eu deu à permanência. O Evangelho de hoje nos convida a perseverar.

Muitas pessoas, no início da caminhada, se empolgam, vão à Missa todos os dias; mais do que isso, várias vezes ao dia. No entanto, depois de um tempo, desanimam. Por isso, na liturgia de hoje, perseverar é o convite.

Entre os casais, muitos acham que a lua-de-mel é o mais importante, mas não sabem que entre ela e o “felizes para sempre” tem uma grande caminhada. Não dá para comprar um pacotinho de “felizes para sempre” e tomar todos os dias, porque ele são conquistado durante as lutas e permanências.

Os santos não se fazem quando descobrem Deus, mas no que construíram durante a caminhada, enquanto perseveravam. No entanto, hoje, perseverar demora demais, porque a pressa é para viver o “felizes para sempre”, mas se esquecem de que entre o início e o fim existe o desenvolvimento.

A nossa história de salvação é um constante movimento de Deus para ficar conosco. Ele quis estar conosco, se fez homem para ficar em nosso meio. Mas não foi acolhido; foi julgado, maltratado, morreu e ressuscitou. Deus não é fogo de palha, Ele não desistiu de nós; Ele escolheu amar permanecendo.

Quer saber se você é fogo de palha? Veja se desistiu no primeiro problema que bateu à sua porta. E nós escolhemos amar por um tempo. Quer entender a escolha de amor dos jovens de hoje em dia? Ficar. Ficar é começar empolgado e acabou aí. Às vezes, nem sabe o nome, quem é, o que vem fácil, vai fácil. Não gastou tempo para construir um relacionamento.

"Que a escola de nossa vida seja a perseverança"
Foto: Wesley Almeida/CN
O que dá sentido a tudo que fazemos é o tempo que gastamos para cultivar. O problema é que hoje é mais fácil ter um amor vagabundo, ou seja, que fica vagando, sem ter destino certo. O convite de Jesus é “permanecei no meu amor”. Isso é uma afronta para quem está vivendo “ficando”, emprestando-se.

Os nossos filhos são frutos do tempo que permanecemos com eles, mas se você tem pouco tempo para seus filhos, dê qualidade ao seu tempo. Pai que permanece com seu filho, percebe que ele está com uma mancha no braço, que tem alguém judiando dele. Já há pais "ficando" com o filho, mas o que educa não é ficar, é permanecer.

Você precisa trabalhar? Trabalhe. Não vou lhe dizer para parar de trabalhar, porque não posso pôr dinheiro na sua casa.

Onde você tem permanecido? Onde tem investido seu tempo? Ninguém cuida daquilo que não é importante para ele. As pessoas são educadas com a permanência, com a perseverança. Se a cada coisa que acontecer no seu casamento, você quiser da um fim nele, vai jogar fora o tempo da perseverança e não vai conhecer o “felizes para sempre”.

Domingo agora é Dia das Mães e coração de filho parece que fica mais mole neste dia. Talvez seja a hora de esquecer a vagabundagem e escolher permanecer, mesmo que o frango assado tenha de ser dividido por 20 pessoas e o refrigerante dê um pouquinho para cada um. Pode faltar tudo, mas uma coisa não pode faltar: a escolha de permanecer no amor. Escolha agora a coragem de encurtar as distâncias.

Muitos não estão distantes fisicamente, mas distantes do coração da mãe. Tavez você não tenha dinheiro para um presente caro, mas não pode faltar o beijo e o abraço na mãe, porque isso não tem dinheiro que compre. Há muitas teorias por ai, mas o “felizes para sempre” precisa ser preparado durante o tempo de perseverança. Hoje, experimente ser feliz para sempre; escolha perseverar. Que a escola de nossa vida seja a perseverança.

domingo, 25 de abril de 2010

Cristo vivo em sua Igreja - Artigo Padre Orlando Maffei


Caríssimos filhos, a natureza humana foi assumida tão intimamente pelo Filho de Deus, que o único e mesmo Cristo está não apenas neste homem, primogênito de toda a criatura, mas também em todos os seus santos. Disto não podemos duvidar. E como a Cabeça não pode separar-se dos membros, também os membros não podem separar-se da Cabeça. Se é certo que Deus será tudo em todos não nesta vida mas na eterna, também é verdade que,

desde agora, ele habita inseparavelmente no seu templo, que é a Igreja, conforme sua promessa: Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo (Mt 28,20).

Por conseguinte, tudo quanto o Filho de Deus fez e ensinou para a reconciliação do mundo, podemos saber não apenas pela história do passado, mas experimentando-o na eficácia do que ele realiza no presente.

É ele que, tendo nascido da Virgem Mãe pelo poder do Espírito Santo, por ação do mesmo Espírito, fecunda a sua Igreja imaculada, a fim de gerar pelo nascimento batismal, uma inumerável multidão de filhos de Deus. É deles que se diz: Estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,13).

É nele que foi abençoada a descendência de Abraão por meio da adoção filial de todos os povos do mundo; e o santo patriarca torna-se pai das nações quando, pela fé e não pela carne, lhe nascemos filhos da promessa.

É ele que, sem excluir povo algum, reúne em um só rebanho as santas ovelhas de todas as nações que existem debaixo do céu,e todos os dias cumpre o que prometera, ao dizer: Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor (Jo 10,16).

Embora tenha dito de modo especial a São Pedro: Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21,17), é ele o único Senhor que orienta o ministério de todos os pastores. É ele que alimenta os que se aproximam desta pedra, com pastos tão férteis e bem irrigados, que inúmeras ovelhas, fortalecidas pela generosidade do seu amor, não hesitam em morrer pelo Pastor, o Bom Pastor que deu a vida por suas ovelhas.

É ele que une à sua Paixão não apenas a gloriosa fortaleza dos mártires, mas também a fé de todos aqueles que renasceram nas águas batismais.

É nisso que consiste celebrar dignamente a Páscoa do Senhor com os ázimos da sinceridade e da verdade: tendo rejeitado o fermento da antiga malícia, a nova criatura se inebria e se alimenta do próprio Senhor.

A nossa participação no corpo e no sangue de Cristo age de tal modo que nos transformamos naquele que recebemos. Mortos, sepultados e ressuscitados nele, que o tenhamos sempre em nós tanto no espírito quanto no corpo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Bento XVI diz que padre deve falar de Cristo, não de si mesmo

Papa Bento XVI saúda os peregrinos durante a Catequese na Praça de São Pedro, no Vaticano
"O sacerdote não ensina as suas próprias ideias. O sacerdote não fala 'de si', não fala 'para si' [...]. O sacerdote ensina em nome de Cristo presente, propõe a Verdade que é o próprio Cristo, a Sua Palavra, o Seu modo de viver, e de seguir adiante".

A Catequese de Bento XVI na Audiência Geral desta quarta-feira, 14, centrou-se no tema do ministério sacerdotal, mais particularmente no ofício de ensinar, comum a todos os padres.
.: OUÇA a Catequese do Papa (em italiano)

"Vivemos em uma grande confusão acerca das opções fundamentais da nossa vida, sobre o que é o mundo, de onde viemos, para onde vamos, o que devemos fazer para agir bem, como devemos viver, quais são os valores realmente pertinentes. [...] Essa é a função in persona Christi do sacerdote, aquela de tornar presente, em meio à confusão, à desorientação de nosso tempo, a luz da Palavra de Deus, a Luz que é o próprio Cristo neste nosso mundo", explica o Papa.

A força profética do sacerdócio consiste em "não ser mais aprovado, nem aprovável, por qualquer cultura ou mentalidade dominante, mas no mostrar a única novidade capaz de operar uma autêntica e profunda renovação do homem, isto é, que Cristo é o Vivente, é o Deus próximo, o Deus que opera na vida e pela vida do mundo e nos doa a Verdade, o modo de viver".

O ensinamento do sacerdote não deve ser exercido com a presunção de quem ensina a própria verdade, "mas, sim, com a humilde e alegre certeza de quem encontrou a Verdade, à qual está agarrado e pela qual foi transformado, e, por isso, não pode deixar de anunciá-la", sublinhou o Papa.


Doutrina da Igreja

Nesse sentido, o sacerdócio não é algo que a pessoa pode escolher para si mesma, ou um modo de garantir segurança na vida ou posições sociais. "O sacerdócio é a resposta ao chamado do Senhor, à sua vontade, para se tornar anuciador não de uma verdade pessoal, mas da sua verdade".

Bento XVI também ressaltou que os cristãos esperam do ensinamento do sacerdote a genuína doutrina da Igreja. "A Sagrada Escritura, os escritos dos Padres e Doutores da Igreja, o Catecismo da Igreja Católica constituem, neste contexto, os pontos de referência essenciais no exercício do munus docendi, também essencial para a conversão, o caminho de fé e salvação dos homens".


Identificação e representação

O Santo Padre destaca que o anunciar uma doutrina que não é sua, particular, não significa que o sacerdote seja neutro, ou um mero porta-voz de um texto do qual não se apropria.

"A vida do sacerdote deve identificar-se com Cristo e, desse modo, a palavra não própria se torna, todavia, uma palavra profundamente pessoal", disse, agregando que o padre deve procurar assimilar como próprio tudo o que o Senhor ensinou e a Igreja transmitiu.

Os ministros ordenados agem in persona Christi Capitis - na pessoa de Cristo Cabeça -, representam o Senhor. O Pontífice pergunta: "O que significa dizer isso? O que significa 'representar' alguém?"

Bento XVI explica que, na linguagem comum, representar implica ocupar o lugar de alguém ausente. "O sacerdote representa o Senhor do mesmo modo? A resposta é: não, porque, na Igreja, Cristo nunca está ausente. Na verdade, Cristo está presente de um modo totalmente livre das limitações de espaço e tempo, graças ao evento da Ressurreição, que contemplamos de modo especial neste tempo de Páscoa".

Assim, destaca que é a Pessoa de Cristo Ressuscitado que torna presente a sua própria ação através do sacerdote.

O Papa concluiu sua reflexão propondo o exemplo de São João Maria Vianney aos sacerdotes. "Ele era homem de grande sabedoria e força heroica no resistir às pressões culturais e sociais do seu tempo para poder conduzir as almas a Deus", afirmou.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

É preciso testemunhar o amor misericordioso de Jesus, diz Papa


Rádio Vaticano


''Hoje existe a necessidade urgente de um anúncio e de um testemunho da verdade e do Amor''
Centenas de fiéis participaram neste domingo, 11, da oração mariana dominical do Regina Coeli junto com o Papa Bento XVI, em sua residência de Castel Gandolfo. O pátio ficou pequeno para acolher a multidão de fiéis que com bandas musicais, coros e faixas coloridas alegraram o encontro com o Santo Padre.

Em seu breve discurso, Bento XVI frisou que neste II Domingo de Páscoa, em que se celebra a Divina Misericórdia, “testemunhá-la torna Jesus ainda mais familiar”.
.: Bento XVI canta o Regina Caeli

O Papa explicou que depois da Ressurreição, Jesus não se limitou a visitar seus discípulos, mas foi além, para que todos recebessem o dom da paz e da vida com o ‘Sopro criador’. Bento XVI encorajou os sacerdotes para que, “iluminados por esta palavra, sigam o exemplo do Santo Cura D’Ars”, padre francês morto no século XIX e santificado por suas qualidades morais e de fé. “Ele soube transformar os corações e as vidas de tantas pessoas, conseguindo fazê-las perceber o amor misericordioso do Senhor”, completou.

Para Bento XVI, “hoje existe a necessidade urgente de um anúncio e de um testemunho da verdade e do Amor como aqueles. Só assim, será mais familiar e próximo Aquele que nossos olhos não viram, mas de cuja infinita misericórdia temos absoluta certeza”, disse.

A este respeito, o Santo Padre recordou que ao canonizar Irmã Maria Faustina Kowalska, em 30 de abril de 2000, João Paulo II dedicou este domingo à Divina Misericórdia; e saudou de modo especial os peregrinos que vieram a Roma especialmente para esta ocasião.

Acidente aéreo na Polônia

Após rezar a oração mariana, o Papa recordou a tragédia que comoveu a Polônia neste sábado, com a morte do Presidente, Lech Kaczynski, em um acidente aéreo. O Pontífice voltou a expressar a sua ‘profunda dor’ pela catástrofe que deixou 96 mortos, dentre os quais vários expoentes do Estado polonês.

“Ao expressar meu profundo pesar, asseguro de coração a minha oração de sufrágio pelas vítimas e de apoio para a amada nação polonesa”. Também em polonês, o Pontífice se dirigiu aos fiéis da Polônia presentes no pátio de Castel Gandolfo:

“Com profunda dor, recebi a notícia da trágica morte do Sr. Lech Kaczynski, presidente da Polônia, sua esposa e a comitiva que os acompanhava. Morreram em viagem para Katyn, local do suplício de milhares de oficiais militares poloneses, setenta anos atrás. Confio todos ao misericordioso Senhor da vida, unindo-me aos peregrinos que estão reunidos no Santuário de Lagiewniki e a todos os devotos da misericórdia de Deus no mundo inteiro”.

Santo Sudário

Em seguida, o Papa se referiu à exposição pública do Santo Sudário, que começou ontem na cidade de Turim, no norte da Itália, até o próximo dia 23 de maio, e que ele também visitará no próximo dia 2 de maio.

“Alegro-me por este acontecimento, que uma vez mais atrai um grande movimento de peregrinos, além de suscitar novos estudos e reflexões e evocar o mistério do sofrimento de Cristo. Espero que este ato de veneração ajude todos a procurar o rosto de Deus”.

E encerrou concedendo a todos sua benção apostólica.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vida do cristão deve ser espelho do próprio Jesus, afirma Bento XVI


Bento XVI fala aos peregrinos no Vaticano: ''A Páscoa de Cristo é o ato supremo e insuperável do poder de Deus''
A Ressurreição é o acontecimento que dá sentido à fé cristã e faz surgir a vida nova que deve resplandecer em todo o fiel, ensinou Bento XVI durante a Catequese desta quarta-feira, 7, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

.: OUÇA a Catequese do Papa (em italiano)


"Seremos verdadeiras e completas testemunhas de Jesus ressuscitado quando deixarmos transparecer em nós a maravilha do seu amor; quando em nossas palavras e, ainda mais, em nossos gestos, em plena coerência com o Evangelho, se poderá reconhecer a voz e a mão do próprio Jesus".

O Santo Padre destacou que a Ressurreição é a "boa notícia" por excelência que, embora ultrapasse a compreensão humana, é também um fato histórico.

"A Páscoa de Cristo é o ato supremo e insuperável do poder de Deus. É um evento absolutamente extraordinário, o fruto mais bonito e maduro do 'mistério de Deus'. [...] É o conteúdo central no qual cremos e o motivo principal por que acreditamos".

Exatamente por isso, todo o fiel é chamado ser testemunha no processo de transmissão constante e fiel do anúncio desse acontecimento. "A boa notícia da Páscoa, portanto, requer o trabalho de testemunhas entusiastas e corajosas. Todo o discípulo de Cristo, também cada um de nós, é chamado a ser testemunha. É esse o preciso, desafiador e emocionante mandato do Senhor Ressuscitado", salientou.

O Pontífice concluiu sua reflexão destacando que todos devem estar "confiantes de que o Senhor, hoje como ontem, trabalha em conjunto com suas testemunhas".

"Para toda a parte, portanto, o Senhor nos envia como suas testemunhas. Mas o podemos ser apenas a partir e em referência contínua à experiência pascal", encerrou, pedindo a intercessão da Virgem Maria para que todos desfrutem plenamente da alegria pascal.


Descanso

O Papa fez uma pausa no período de descanso na residência pontifícia de Castel Gandolfo - a pouco mais de 20 quilômetros de Roma - para se reunir com os fiéis provenientes de vários lugares do mundo em virtude da tradicional Catequese.

O Santo Padre fez o trajeto entre as duas cidades de helicóptero e, ao término da Catequese, retornou para a cidade do interior da Itália, em que se encontra desde a tarde do Domingo de Páscoa, 4, após a intensa programação da Semana Santa.

Jesus Cristo existiu ou foi um mito?

Imagem de Destaque
Um mito não chegaria ao século XXI com mais de um bilhão de adeptos

Conta-se que certa vez um soldado de Napoleão Bonaparte, empolgado com as conquistas do grande imperador da França, lhe disse:

- Imperador, pode fundar a nossa religião e a nossa igreja. Estamos prontos a seguir Sua majestade.

Ao que Napoleão lhe teria respondido: - Filho, para alguém inaugurar uma religião e fundar um igreja, precisa de duas coisas: primeiro, morrer numa cruz; segundo, ressuscitar ao terceiro dia. A primeira eu não quero e a segunda eu não posso; então, para com esta estória de fundar uma igreja e uma religião.

O que mais me impressiona nesta narração, que ouvi de um professor universitário de História, é que Napoleão não era bom católico, tanto assim que foi o primeiro imperador a não aceitar ser coroado pelo Papa, quando este era o costume da época, e mais: mandou prender o Papa Pio VI, e depois, o Papa Pio VII, quando este não quis concordar com o divórcio do seu irmão Jerônimo. No entanto, Napoleão sabia que só Jesus tinha credenciais divinas para fundar uma Igreja.

A Igreja Católica é a única que foi fundada expressa e diretamente por Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, Deus verdadeiro. Isso é o que faz dela a única Igreja autêntica. As outras são invenções dos homens.

Mas muitos perguntam: será que Jesus Cristo é mesmo Deus? Será que Jesus existiu mesmo? Será que fundou a Igreja mesmo?

Vamos responder a cada uma dessas perguntas. Comecemos pela existência histórica de Jesus Cristo.

Além dos Evangelhos e Cartas dos Apóstolos, a mesma História que garante a existência dos faraós do Egito, milhares de anos antes de Cristo, garante a existência de Jesus. Muitos documentos antigos, cuja autenticidade já foi confirmada pelos historiadores, falam de Jesus. Vamos aqui dar apenas alguns exemplos disso e mostrar que Nosso Senhor Jesus Cristo não é um mito.

Documentos de escritores romanos (110-120):

1.Tácito (Publius Cornelius Tacitus, 55-120), historiador romano, escritor, orador, cônsul romano (ano 97) e procônsul da Ásia romana (110-113), falando do incêndio de Roma, que aconteceu no ano 64, apresenta uma notícia exata sobre Jesus, embora curta:

“Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então, para cortar o mal pela raiz, Nero imaginou culpados e entregou às torturas mais horríveis esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vêm-lhes de Cristo, que, sob o reinado de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha a sua origem, mas na própria cidade de Roma” (Anais, XV, 44).

2. Plínio o Jovem (Caius Plinius Cecilius Secundus, 61-114), sobrinho de Plínio, o Velho, foi governador romano da Bitínia (Asia Menor), escreveu ao imperador romano Trajano, em 112:

“[...] os cristãos estavam habituados a se reunir em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus” (Epístolas, I.X 96).

3. Suetônio (Caius Suetonius Tranquillus, 69-126), historiador romano, no ano 120, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (41-54), afirma que este “expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestós (forma grega equivalente a Christós, Cristo), se haviam tornado causa frequente de tumultos” (Vita Claudii, XXV).

Esta informação coincide com o relato dos Atos dos Apóstolos 18,2, onde se lê: “Cláudio decretou que todos os judeus saíssem de Roma”; esta expulsão ocorreu por volta do ano 49/50. Suetônio, mal informado, julgava que Cristo estivesse em Roma, provocando as desordens.

Documentos judaicos:

1. O Talmud (Coletânea de leis e comentários históricos dos rabinos judeus posteriores a Jesus) apresentam passagens referentes a Jesus. Note que os judeus combatiam a crença em Cristo, daí as palavras adversas ao Senhor.

Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia:

“Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: “Merece ser lapidado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferi-lo!” Nada, porém se encontrou que o justificasse; então suspenderam-no à haste na véspera da Páscoa.”

2. Flávio Josefo, historiador judeu (37-100), fariseu, escreveu palavras impressionantes sobre Jesus:

“Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com júbilo a verdade, e arrastou muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz, mas os seus fieis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos” (Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a).

Documentos Cristãos:

Os Evangelhos narram, com riqueza de detalhes históricos, geográficos, políticos e religiosos a terra da Palestina no tempo de Jesus. Os evangelistas não poderiam ter inventado tudo isso com tanta precisão.

São Lucas, que não era apóstolo nem judeu, fala dos imperadores César Augusto, Tibério; cita os governadores da Palestina: Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias e outros personagens como Anás e Caifás (cf. Lc 2,1;3,1s). Todos são muito bem conhecidos da História Universal.

São Mateus e São Marcos falam dos partidos políticos dos fariseus, herodianos, saduceus (cf. Mt 22,23; Mc 3,6).

São João cita detalhes do Templo: a piscina de Betesda (cf. Jo 5,2), o Lithóstrotos ou Gábala (cf. Jo 19, 13), e muitas outras coisas reais. Nada foi inventado, tudo foi comprovado pela História.

Além dos dados históricos sobre a vida real de Jesus Cristo, tudo o que Ele fez e deixou seria impossível se Ele não tivesse existido. Um mito não poderia chegar ao século XXI [...] com mais de um bilhão de adeptos.

Os Apóstolos e os evangelistas narraram aquilo de que foram testemunhas oculares; não podiam mentir sob pena de serem desmascarados pelos adversários e perseguidores da época. Eles eram pessoas simples, alguns, pescadores e nunca teriam a capacidade de ter inventado um Messias do tipo de Jesus: Deus-homem, crucificado, algo que era considerado escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Jamais isso seria possível com Israel sob o jugo romano, dominador intransigente.

Outro fato marcante é que os judeus esperavam um Messias “libertador político”, que libertasse Israel dos romanos, no entanto, os Evangelhos narram um Jesus rejeitado pelos judeus, e que vem como libertador espiritual e não político. Os apóstolos teriam a capacidade e a coragem de inventar isso? Homens rudes da Galileia não teriam condições também de forjar um Jesus tão sábio, santo, inteligente, desconcertante tantas vezes.

Tem mais, a doutrina que Jesus pregava era de difícil vivência no meio da decadência romana; o orador romano Tácito se referia ao Cristianismo como “desoladora superstição”; Minúcio Félix falava de “doutrina indigna dos gregos e romanos”. Os Apóstolos não teriam condições de inventar uma doutrina tão diferente para a época.

Será que poderia um mito ter vencido o Império Romano? Será que um mito poderia sustentar os cristãos diante de 250 anos de martírios e perseguições? O escritor cristão Tertuliano (†220), de Cartago, escreveu que “o sangue dos mártires era semente de novos cristãos”.

Será que um mito poderia provocar tantas conversões, mesmo com sérios riscos de morte e perseguições?

No século III já havia cerca de 1.500 sedes episcopais (bispos) no mundo afora. Será que um mito poderia gerar tudo isso? É claro que não.

Será que um mito poderia sustentar uma Igreja, que começou com doze homens simples, e que já tem 2.000 anos; que já teve 264 Papas e que tem hoje mais de 4.000 bispos e cerca de 410 mil sacerdotes em todo o mundo? As provas são evidentes. Negar, historicamente que Jesus existiu, seria equivalente a negar a existência de Platão, Herodes, Pilatos, Júlio César, Tibério, Cleópatra, Marco Antônio, entre outros.

Foto

Felipe Aquino

quarta-feira, 31 de março de 2010

Cristo torna morte vitória do amor, diz Papa sobre Tríduo Pascal



Bento XVI saúda os milhares de peregrino enquanto chega à Praça de São Pedro, no Vaticano
Bento XVI refletiu sobre o Tríduo Pascal na Catequese desta quarta-feira, 31, definindo-o como "ponto de apoio de todo o ano litúrgico, em que somos chamados ao silêncio e à oração para contemplar o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor".

O encontro aconteceu na Praça de São Pedro, às 10h30min (em Roma - 5h30min em Brasília). "A morte, que, por sua natureza, é o fim, a destruição de toda a relação, torna-se em Jesus ato de comunicação de si, instrumento de salvação e proclamação da vitória do amor", disse o Papa aos milhares de peregrinos.

O Pontífice fez um convite a viver esses dias de modo a orientar "decisivamente a vida de cada um à adesão generosa e convicta a Cristo, morto e ressuscitado por nós".

Ao meditar sobre a Quinta-feira Santa como momento fundador da Eucaristia, o Santo Padre citou a Carta de São Paulo aos Coríntios para mostrar a real intenção de Cristo.

"Sob as espécies do pão e do vinho, Ele está presente de modo real, com seu corpo doado e seu Sangue derramado como sacrifício da Nova Aliança. Ao mesmo tempo, Ele constitui os Apóstolos e seus sucessores ministros deste sacramento, que ele dá a sua Igreja como a prova suprema do seu amor".

Bento XVI concluiu sua reflexão desejando que o Tríduo Pascal seja oportunidade para todos serem inseridos mais profundamente no Mistério de Cristo, desejando a todos uma santa Páscoa.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Bento XVI reflete sobre o seguimento a Jesus Cristo


Da Redação, com Rádio Vaticano


Papa reza durante Missa do Domingo de Ramos
"Ser cristão é um caminho, ou melhor, uma peregrinação, um caminhar juntamente com Jesus Cristo. Ir naquela direção que Ele nos indicou e indica”. Essa foi a mensagem do Papa Bento XVI hoje, 28, aos fiéis presentes na Praça São Pedro, no Vaticano, para a Celebração do Domingo de Ramos. Centenas de jovens também estiveram presentes para festejar o 25º Dia Mundial da Juventude, celebrado este ano, em cada diocese.

"Mas de qual direção se trata?", perguntou o Papa. É o caminho da seqüela de Cristo. "O ser humano pode escolher a estrada fácil e evitar qualquer esforço. Pode descer a um nível baixo, para o que é indigno, pode enterrar-se no lodo da mentira e da desonestidade, mas Jesus caminha à nossa frente e caminha em direção ao alto", ressaltou o Pontífice.

“Ele [Jesus] nos conduz para o que é grande, puro, nos conduz para o ar sadio das alturas: para a vida segunda a verdade; para a coragem que não se deixa intimidar pelo palavreado das opiniões dominantes; para a paciência que suporta e sustenta o outro. Nos conduz à disponibilidade para com os que sofrem, para com os abandonados; para a fidelidade que está da parte do outro mesmo quando a situação se torna difícil. Nos conduz ao amor – nos conduz a Deus”.

O Santo Padre ressaltou que a liturgia deste Domingo de Ramos nos convida a seguir Jesus Cristo. "Ser cristão significa considerar Jesus Cristo o caminho justo para se tornar homem. Ele é o caminho que conduz à meta, a uma humanidade plenamente realizada e autêntica", ressaltou frisou Bento XVI.

Caminhando com Jesus, "se tornam visíveis as dimensões de nossa seqüela, a meta à qual ele nos quer conduzir, nos levar à comunhão com Deus, a permanecer com Deus. Esta é a verdadeira meta e a comunhão com Ele é o caminho. A comunhão com Ele é estar a caminho, uma permanente ascensão em direção à verdadeira vida", sublinhou o Papa.

Este caminhar com Jesus é também um caminhar com a Igreja, pois nela entramos em comunhão com Cristo. "Preciso ouvir a Palavra de Jesus Cristo e vivê-la na fé, esperança e amor. Assim caminhamos rumo à Jerusalém definitiva e desde agora, de alguma forma, nos encontramos lá, na comunhão de todos os Santos de Deus", disse ainda o Pontífice.

Enfim, Bento XVI fez um apelo em favor da paz na Terra Santa, afirmando que "quando vamos à Terra Santa como peregrinos, vamos também como mensageiros de paz, com a oração pela paz, com o convite a todos para que façam naquele lugar, que carrega em seu nome a palavra "paz", todo possível para que se torne realmente um lugar de paz". O Papa encorajou os cristãos a permanecerem no país de suas origens e a promover nele a paz.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Amar a Cristo e imitá-lo é "programa" para a Igreja, diz o Papa

Rádio Vaticano
Bento XVI durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 3
"São Francisco de Assis é um alter Christus, um homem que se se aproximou apaixonadamente de Cristo. No amor que leva à imitação, ele se configurou plenamente com Ele. São Boaventura apontava este vivo ideal para todos os seguidores de Francisco. Esse ideal, válido para todos os cristãos, ontem, hoje e sempre, foi identificado como um programa também para a Igreja do Terceiro Milênio pelo meu Venerado Predecessor João Paulo II. Tal programa, ele escreveu na Carta Novo Millennio ineunte, se concentra 'no próprio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n'Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até à sua plenitude na Jerusalém celeste'".

Um dos maiores teólogos da história da Igreja e importante santo na Ordem Franciscana, São Boaventura de Bagnoregio foi o tema central da Audiência Geral (Catequese) de Bento XVI nesta quarta-feira, 3. Foi a primeira audiência pública do Pontífice após o término dos Exercícios Espirituais em preparação à Quaresma.

Além de recordar esse programa para a vida cristã - o amor a Cristo que leva à imitação -, o Papa destacou diversos episódios da vida desse santo franciscano que exerceu papel crucial durante a formação e estudos do então padre Joseph Ratzinger.

"Vos confesso que, ao propor este tema, sinto uma certa nostalgia, porque recordo das pesquisas que, como jovem estudioso, realizei sobre este autor, particularmente caro para mim. Conhecê-lo afetou de modo considerável a minha formação", confessou.


Papel fundamental

Antes de entrar na Ordem Franciscana, São Boaventura vivia em Paris e se fez um questionamento importante, que perpassa os jovens de todas as épocas: "O que devo fazer da minha vida?"

Bento XVI salienta que a atração exercida sobre Boaventura foi a de perceber a ação de Cristo no movimento franciscano, que o levou a ter um pensamento profundamente cristocêntrico.

Naquela época, havia uma grande polêmica em torno das Ordens Mendicantes (franciscanos e dominicanos), quando se questionava o direito de seus membros ensinarem nas Universidades. Boaventura aquietou ao problema com a publicação de um ensaio intitulado A perfeição evangélica.

Bento XVI destaca: "Para além destas circunstâncias históricas, o ensinamento ministrado por Boaventura nesta sua obra e na sua vida permanece sempre atual: a Igreja fica mais luminosa e bonita na fidelidade à vocação daqueles filhos e filhas que não somente colocam em prática os preceitos evangélicos, mas, pela graça de Deus, são chamados a observar os conselhos e testemunhos também com seu estilo de vida pobre, casto e obediente, de que o Evangelho é a fonte de alegria e perfeição".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cristo veio libertar-nos da tentação de uma vida que prescinde de Deus: Bento XVI antes do Angelus do Primeiro Domingo da Quaresma.

(21/2/2010) Nas palavras proferidas este domingo antes da recitação do Angelus com os milhares de fiéis congregados na Praça de S. Pedro o Papa Bento XVI falou da Quaresma tempo de renovação espiritual que prepara para a celebração anual da Páscoa. E perguntou o que significa entrar no itinerário quaresmal. Uma resposta que é ilustrada pelo Evangelho deste I domingo da quaresma que fala das tentações de Jesus no deserto.
Tentações que não foram um incidente de percurso mas a consequência da escolha de Jesus se seguir a missão que lhe foi confiada pelo Pai, de viver até ao fundo a sua realidade de Filho amado que confia totalmente nele.
Cristo veio ao mundo para nos libertar do pecado e do fascínio ambíguo de projectar a nossa vida prescindindo de Deus. Ele fê-lo não com proclamações altissonantes, mas lutando em primeira pessoa contra o Tentador até á Cruz.
Este exemplo – salientou o Papa – vale para todos: o mundo melhora começando por si mesmo, mudando, com a graça de Deus aquilo que não está bem na própria vida.
As tentações de Satanás foram - explicou o Papa - essencialmente três: aquela ligada á necessidade de bens materiais ( a proposta diabólica de transformar as pedras em pão); o engano do poder, quando o Maligno ofereceu a Jesus o domínio sobre a inteira criação em troca de um acto de adoração; finalmente a ambição, ligada ao convite a efectuar um milagre espectacular; lançar-se das muralhas do Templo e fazer com que os anjos o salvem.
Também hoje – disse Bento XVI – o homem conhece no seu profundo, a tentação do poder, da ambição e do hedonismo . E deve vencê-las graças á obediência a Deus
A quaresma – disse depois o Papa – é como um longo retiro, durante o qual entrar de novo em si mesmo e escutar a voz de Deus, para vencer as tentações do Maligno. Um tempo de combate espiritual que se deve viver juntamente com Jesus, não com o orgulho e presunção, mas usando as armas da fé, isto é a oração, a escuta da Palavra de Deus e a penitencia.. Desta maneira poderemos chegar a celebrar a Páscoa na verdade, prontos a renovar as promessas do nosso Baptismo. Que a Virgem Maria nos ajude para que, guiados pelo Espírito Santo, vivamos com alegria e com fruto este tempo de graça.
Interceda em particular por mim, e pelos meus colaboradores da Cúria Romana que esta tarde iniciaremos os Exercícios Espirituais"

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cristo morreu por todos - Artigo Padre Orlando Maffei

Aquele que em tua secreta misericórdia revelaste aos humildes e lhes enviaste para que nos ensinasse a humildade, o verdadeiro mediador, esse mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, apareceu entre os pecadores mortais como justo mortal: mortal com os homens, justo com Deus. Sendo a recompensa da justiça a vida e a paz, pela justiça unida a Deus, ele destruiu a morte dos ímpios justificados , através dessa morte que desejou igual à deles.

Quanto nos amaste, Pai bom, que não poupaste teu Filho único, mas por nós, ímpios o entregaste! Como nos amaste, quando por nós ele não julgou rapina ser igual a ti, fez-se obediente até à morte da cruz, ele, o único livre entre os mortos, com poder de entregar sua vida e o poder de retomá-la! Tudo ele fez por nós, diante de ti vitorioso e vítima, vitorioso porque vítima. Por nós , diante de ti sacerdote e sacrifício, sacerdote porque sacrifício. Fazendo de nós, servos, filhos para ti, nascendo de ti, a nós servindo.

Com muita razão minha grande esperança está nele, porque curarás todas as minhas fraquezas, por aquele que se assenta a tua direita e intercede por nós. De outro modo, desesperaria. Pois são muitas e grandes estas minhas fraquezas. São muitas e enormes. Porém muito maior é teu remédio. Teríamos podido pensar que teu Verbo estava longe de unir-se aos homens e entregarmo-nos ao desespero, se ele não se tivesse feito carne e habitado entre nós. Apavorado com meus pecados e com o peso de minha miséria, eu resolvia no espírito e pensava em fugir para o deserto. Mas me impediste e me fortaleceste dizendo-me: Para isto cristo morreu por todos, para que os que vivem não mais vivam para si, mas para aquele que por eles morreu.

Agora, Senhor, lanço em ti meus cuidados para viver e considerarei as maravilhas de tua lei. Tu conheces minha ignorância e fragilidade: ensina-me, cura-me! O teu Único, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, me remiu por seu sangue. Não me caluniem os soberbos, porque reflito no preço dado por mim. Como bebo, distribuo e, pobre, desejo saturar-me dele entre aqueles que dele comem e são saciados. Com efeito, louvarão o Senhor aqueles que o procuram.

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

É Natal - Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade

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É Natal

Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade
"Alegremo-nos! Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade".

Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque o nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima da vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida.

Quando chegou a plenitude dos tempos fixada pelos insondáveis desígnios divinos, o filho de Deus assumiu a natureza do homem para reconciliá-lo com o Criador, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que antes vencera.

Eis por que, no nascimento do Senhor, os anjos cantam jubilosos: Glória a Deus nas alturas; e anunciam: Paz na Terra aos homens de boa vontade (Lucas 2,14). Eles veem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo. Diante dessa obra inexprimível do amor divino, como não devem alegrar-se os homens, em sua pequenez, quando os anjos, em sua grandeza, assim rejubilam?

Amados filhos, demos graças a Deus Pai, por seu Filho, no Espírito Santo; pois, na imensa misericórdia com que nos amou, compadeceu-se de nós. "E quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, Ele nos deu a vida com Cristo" (Efésios 2,5) para que fôssemos n'Ele uma nova criação, uma nova obra de suas mãos.

Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne.

Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o Reino de Deus.

"Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o sangue de Cristo (São Leão Magno, papa, Sermo in Nativitate Domini, 1-3).”

Na grande alegria do Natal do Senhor, compartilhemos a festa e seus frutos!

Natal feliz é Natal com Cristo!

Tenha um santo e feliz Natal!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Luz de Cristo - A luz não existe para iluminar a si própria


Luz de Cristo
A luz não existe para iluminar a si própria


Para os seres humanos, a luz é crucial e não nos sentimos muito bem na escuridão. São muitas as histórias de medo, de insegurança e de confusão que recordamos da nossa experiência com a escuridão. Quando entramos num compartimento escuro, geralmente temos medo e andamos devagar, receosos de chocar contra alguma coisa e assim nos magoarmos. A escuridão paralisa-nos e impede-nos de nos movimentarmos à vontade e com confiança.

Mas, a partir do momento em que acendemos a luz, o temor desaparece e conseguimos movimentar-nos com rapidez e segurança. A luz simplifica-nos a vida e traz-nos confiança e segurança. Perante a luz, tudo se torna visível e bem identificado. Ao longo das páginas da Bíblia, a luz é um símbolo poderoso acerca do que é Deus, a ponto de São João dizer, na sua primeira carta, que o Todo-poderoso é a luz: “Deus é luz, nele não há trevas” (I Jo 1,5).

Assim como há a identificação de Cristo com a luz, como São João descreve no Evangelho da sua autoria: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). É a afirmação da Sua divindade, da vitória definitiva da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, da graça sobre o pecado. A Pessoa e a Mensagem de Jesus Cristo têm poder para iluminar as nossas vidas, impedindo-nos de viver nas trevas. Assim, para os cristãos, a nossa luz é Cristo. É Ele que ilumina a nossa vida, erradicando o medo e a insegurança e acrescentando sentido e valor a ela.

As trevas, ao longo da Sagrada Escritura, significam a ausência de Deus, a ruptura com o Seu projeto salvífico e o consequente afastamento d'Ele. As trevas presentes no nosso mundo contemporâneo só poderão ser dissipadas com a presença do Altíssimo e a valorização da Sua mensagem, que tranquiliza, dignifica e pacifica a dignidade do ser humano. A sociedade em que vivemos e da qual somos parte ativa e comprometida precisa da luz do Evangelho, da proposta do amor e da esperança que Jesus nos veio trazer.

A luz não existe em função de si, não é luz para si mesma, não ilumina a si mesma. A Luz existe em função do que a rodeia, existe para iluminar a tudo e a todos. Ao reconhecermos e aceitarmos Jesus como a Luz do mundo, também nós nos tornamos luz. Podemos fazer uma comparação simples. Assim como a lua reflete a luz do sol também nós devemos refletir a Luz de Cristo, o nosso Sol. O mundo precisa que sejamos o reflexo da Luz, que é Cristo. O Senhor também disse que não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa (cf. Mateus 5,15).

Ou seja, a luz que temos dentro de nós não é para ser escondida timidamente, mas para ser oferecida aos outros para que também eles possam ser inundados por ela. Ser luz significa mostrar com o nosso testemunho, as nossas palavras e as nossas ações que, realmente, Cristo faz a diferença e de que uma vida de acordo com os Seus ensinamentos é uma vida mais feliz.

O objetivo da missão da Igreja é iluminar com a luz do Evangelho todos os povos no seu caminhar na história rumo a Deus, para que n'Ele encontrem a sua plena realização. Devemos sentir o anseio e a paixão de iluminar todos os povos com a luz de Cristo, que resplandece no rosto da Igreja, para que todos se reúnam na única família humana, sob a amável paternidade de Deus.

Eduardo Rocha Quintella

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Papa reza pelas crianças e para que nações se abram a Cristo


Papa reza pelas crianças e para que nações se abram a Cristo

Neste mês de dezembro o Papa Bento XVI pede orações para as crianças e para que a humanidade se abra a Cristo.

Na intenção geral, Bento XVI pede orações "a fim de que as crianças sejam respeitadas e amadas e nunca sejam vítimas de exploração em suas várias formas".

E na intenção missionária, o Papa reza para que "no Natal os povos da terra reconheçam no Verbo Encarnado a luz que ilumina cada homem e as Nações abram as portas a Cristo, Salvador do mundo".
Todos os meses o Papa confia suas intenções ao apostolado da oração. Esta iniciativa é seguida por milhões de pessoas em todo mundo.

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