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sábado, 15 de maio de 2010

Papa despede-se de Portugal desejando renovado impulso espiritual

CN Notícias

Bento XVI despede-se dos portugueses no aeroporto da cidade do Porto, após quatro dias de visita
A 15ª Viagem Apostólica do Pontificado de Bento XVI terminou após quatro dias de intensa programação, que incluiu Santas Missas, Discursos, Orações e uma série de encontros.


"O meu desejo é que a minha visita se torne incentivo para um renovado impulso espiritual e apostólico. Que o Evangelho seja acolhido na sua integridade e testemunhado com paixão por todos os discípulos de Cristo, a fim de que se revele como fermento de autêntica renovação de toda a sociedade!", pediu.


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A Cerimônia de despedida aconteceu no aeroporto internacional do Porto, às 13h30min (em Portugal - 9h30min em Brasília) desta sexta-feira, 14.


O Santo Padre fez seu discurso após as honras militares, a execução dos hinos e o discurso do presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva. "Os Portugueses puderam estar de perto com o Santo Padre e conhecer melhor a Sua pessoa. E Nela encontraram a bondade humana, o carisma sereno, a profundidade de pensamento, a fortaleza de ânimo, sinais inspiradores num tempo de grandes desafios como aquele que atravessamos. [...] Esteve entre nós um Pastor que indica um caminho àqueles que o seguem. Um peregrino sábio que vai ao encontro de todos os homens de boa vontade", ressaltou Cavo Silva.


"Para todos os portugueses, fiéis católicos ou não, aos homens e mulheres que aqui vivem, mesmo sem aqui terem nascido, vai a minha saudação na hora da despedida. Não cesse entre vós de crescer a concórdia, essencial para uma sólida coesão, caminho necessário para enfrentar com responsabilidade comum os desafios com que vos debateis", complementou o Papa.


Bento XVI pediu que a nação continue a manifestar sua grandeza de alma, com uma abertura solidária e profundo sentido de Deus.


"Em Fátima, rezei pelo mundo inteiro pedindo que o futuro traga maior fraternidade e solidariedade, um maior respeito recíproco e uma renovada confiança e confidência em Deus, nosso Pai que está nos céus".


o Santo Padre destacou que leva "guardada na alma a cordialidade do vosso acolhimento afetuoso, a forma tão calorosa e espontânea como se cimentaram os laços de comunhão com os grupos humanos com quem pude contatar, o empenho que significou a preparação e a realização do programa pastoral planejado".


Às 14h (em Portugal - 10h em Brasília) aconteceu a partida do Aeroporto Internacional do Porto para Roma. Ao deixar o território português, Bento XVI enviou uma mensagem telegráfica ao presidente Cavaco Silva, agradecendo o acolhimento do governante e o apoio do governo em garantir a tranquila realização da visita.


"Com ponto mais alto em Fátima, onde pude ajoelhar aos pés de Nossa Senhora, depondo no seu coração materno aflições e esperanças da família humana inteira e, de modo especial, do dileto povo português sobre cujo presente e futuro invoco a luz protetora de Deus com propiciadora bênção apostólica", indica o texto enviado pelo Pontífice.



Saiba mais sobre a visita


Bento XVI chegou nesta terça-feira, 11, a Portugal. Lisboa é a primeira cidade a receber o Pontífice, que também visita Fátima e Porto, celebrando três missas e proferindo sete discursos, além de dirigir uma mensagem e uma saudação aos fiéis portugueses. Nesta 15ª viagem apostólica de seu Pontificado, o Papa vai centrar as suas intervenções em três eixos fundamentais: a cultura, a ação social e a vida da Igreja em Portugal.


No entanto, um dos principais motivos para esta viagem é a celebração do décimo aniversário da beatificação de Jacinta e Francisco Marto, reafirmado pelo próprio Bento XVI no último domingo, 9, durante a saudação inicial da oração Regina Coeli. Neste ano, o País anfitrião também celebra os 100 anos da Proclamação da República.


O Papa vai proferir sete discursos: à chegada e à partida (11 e 14 de Maio), no Encontro com o Mundo da Cultura (dia 12), na celebração das Vésperas e na Bênção das Velas em Fátima (ambas no dia 12) e nos encontros com os agentes da Pastoral Social e com os Bispos, igualmente em Fátima (dia 13).


Terceiro Papa a visitar Fátima, depois de Paulo VI (1967) e João Paulo II (1982, 1991 e 2000), Bento XVI esteve, enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, estreitamente ligado às Aparições, estudando profundamente a Mensagem de Fátima, além de ter presidido às cerimônias do 13 de Maio em 1996. Foi o autor do comentário teológico sobre a Terceira Parte do Segredo de Fátima, revelado precisamente em 2000, quando João Paulo II se deslocou pela terceira e última vez a Portugal.


A maioria das viagens de Bento XVI foi realizada na Europa: quatro em países que fazem fronteira com a sua Alemanha natal - Polônia (2006), Áustria (2007), França (2008) e República Checa (2009) -, outras duas viagens a solo germânico (2005 e 2006), Espanha (2006), Turquia (2006) e Malta (2010).


Ainda neste ano, o Papa fará mais três viagens em território europeu: Chipre, Reino Unido e Espanha.


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Homilia Papa nas Vésperas com Padres e consagrados. "A fidelidade no tempo é o nome do amor".

Queridos irmãos e irmãs,

«Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher […] para nos tornar seus filhos adoptivos» (Gal 4, 4.5). A plenitude dos tempos chegou, quando o Eterno irrompeu no tempo; por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do Altíssimo foi concebido e fez-Se homem no seio de uma mulher: a Virgem Mãe, tipo e modelo excelso da Igreja crente. Esta não cessa de gerar novos filhos no Filho, que o Pai quis primogénito de muitos irmãos. Cada um de nós é chamado a ser, com Maria e como Maria, um sinal humilde e simples da Igreja que continuamente se oferece como esposa nas mãos do seu Senhor.

A todos vós que doastes a vida a Cristo, desejo nesta tarde exprimir o apreço e reconhecimento eclesial. Obrigado pelo vosso testemunho muitas vezes silencioso e nada fácil; obrigado pela vossa fidelidade ao Evangelho e à Igreja. Em Jesus presente na Eucaristia, abraço os meus irmãos no sacerdócio e os diáconos, consagradas e consagrados, seminaristas e membros dos movimentos e novas comunidades eclesiais aqui presentes. Queira o Senhor recompensar, como só Ele sabe e pode fazer, quantos tornaram possível encontrarmo-nos aqui junto de Jesus Eucaristia, designadamente a Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios com o seu Presidente, Dom António Santos, a quem agradeço as palavras repassadas de afecto colegial e fraterno pronunciadas no início das Vésperas. Neste ideal «cenáculo» de fé que é Fátima, a Virgem Mãe indica-nos o caminho para a nossa oblação pura e santa nas mãos do Pai.

Permiti abrir-vos o coração para vos dizer que a principal preocupação de todo o cristão, nomeadamente da pessoa consagrada e do ministro do Altar, há-de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação, como discípulo que quer seguir o Senhor. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote. «Se o Baptismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus através da inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). Neste Ano Sacerdotal, já a caminho do fim, uma graça abundante desça sobre todos vós para viverdes a alegria da consagração e testemunhardes a fidelidade sacerdotal alicerçada na fidelidade de Cristo. Isto supõe, evidentemente, uma verdadeira intimidade com Cristo na oração, pois será a experiência forte e intensa do amor do Senhor que há-de levar os sacerdotes e os consagrados a corresponderem ao seu amor de modo exclusivo e esponsal.

Esta vida de especial consagração nasceu como memória evangélica para o povo de Deus, memória que manifesta, atesta e anuncia a toda a Igreja o radicalismo evangélico e a vinda do Reino. Pois bem, queridos consagrados e consagradas, com o vosso empenho na oração, na ascese, no progresso da vida espiritual, na acção apostólica e na missão, tendeis para a Jerusalém Celeste, antecipais a Igreja escatológica, firme na posse e contemplação amorosa de Deus-Amor. Como é grande, hoje, a necessidade deste testemunho! Muitos dos nossos irmãos vivem como se não houvesse um Além, sem se importar com a própria salvação eterna. Os homens são chamados a aderir ao conhecimento e ao amor de Deus, e a Igreja tem a missão de os ajudar nesta vocação. Bem sabemos que Deus é senhor dos seus dons; e a conversão dos homens é graça. Mas somos responsáveis pelo anúncio da fé, da totalidade da fé, e das suas exigências. Queridos amigos, imitemos o Cura d’Ars que assim rezava ao bom Deus: «Concedei-me a conversão da minha paróquia, e eu estou pronto a sofrer o que Vós quiserdes, todo o resto da vida». E tudo fez para arrancar as pessoas à própria tibieza a fim de as reconduzir ao amor.

Há uma solidariedade profunda entre todos os membros do Corpo de Cristo: não é possível amá-Lo, sem amar os seus irmãos. Foi para a salvação deles que João Maria Vianney quis ser sacerdote: «Ganhar as almas para o Bom Deus», declarava ele ao anunciar a sua vocação, aos dezoito anos de idade, tal como Paulo dizia: «Ganhar a todos» (1 Cor 9, 19). O Vigário Geral tinha-lhe dito: «Não há muito amor de Deus na paróquia, vós introduzi-lo-eis». E, na sua paixão sacerdotal, o santo pároco era misericordioso como Jesus no encontro com cada pecador. Preferia insistir sobre o lado atraente da virtude, sobre a misericórdia de Deus diante da qual os nossos pecados são «grãos de areia». Mostrava a ternura de Deus ofendida. Temia que os sacerdotes «se insensibilizassem» e habituassem à indiferença dos seus fiéis: «Ai do Pastor – advertia – que fica calado ao ver Deus ultrajado e as almas perderem-se!»

Amados irmãos sacerdotes, neste lugar que Maria fez tão especial, tendo diante dos olhos a sua vocação de discípula fiel do Filho Jesus desde a sua conceição até à Cruz e depois no caminho da Igreja nascente, considerai a graça inaudita do vosso sacerdócio. A fidelidade à própria vocação exige coragem e confiança, mas o Senhor quer também que saibais unir as vossas forças; sede solícitos uns pelos outros, sustentando-vos fraternalmente. Os momentos de oração e estudo em comum, de partilha das exigências da vida e trabalho sacerdotal são uma parte necessária da vossa vida. Como é maravilhoso quando vos acolheis uns aos outros nas vossas casas, com a paz de Cristo nos vossos corações! Como é importante que vos ajudeis mutuamente por meio da oração e com conselhos e discernimentos úteis! Particular atenção vos devem merecer as situações de um certo esmorecimento dos ideais sacerdotais ou a dedicação a actividades que não concordem integralmente com o que é próprio de um ministro de Jesus Cristo. Então é hora de assumir, juntamente com o calor da fraternidade, a atitude firme do irmão que ajuda seu irmão a manter-se de pé.

Embora o sacerdócio de Cristo seja eterno (cf. Heb 5, 6), a vida dos sacerdotes é limitada. Cristo quer que outros perpetuem ao longo dos tempos o sacerdócio ministerial por Ele instituído. Por isso mantende, dentro de vós e ao vosso redor, a inquietude por suscitar – secundando a graça do Espírito Santo – novas vocações sacerdotais entre os fiéis. A oração confiante e perseverante, o amor jubiloso à própria vocação e um dedicado trabalho de direcção espiritual permitir-vos-ão discernir o carisma vocacional naqueles que são chamados por Deus.

A vós, queridos seminaristas, que já destes o primeiro passo para o sacerdócio e estais a preparar-vos no Seminário Maior ou nas Casas de Formação Religiosa, o Papa encoraja-vos a serdes conscientes da grande responsabilidade que ides assumir: examinai bem as intenções e as motivações; dedicai-vos com ânimo forte e espírito generoso à vossa formação. A Eucaristia, centro da vida do cristão e escola de humildade e serviço, deve ser o objecto principal do vosso amor. A adoração, a piedade e o cuidado do Santíssimo Sacramento, durante estes anos de preparação, farão com que um dia celebreis o Sacrifício do Altar com unção edificante e verdadeira.

Neste caminho de fidelidade, amados sacerdotes e diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas e leigos comprometidos, guia-nos e acompanha-nos a Bem-aventurada Virgem Maria. Com Ela e como Ela somos livres para ser santos; livres para ser pobres, castos e obedientes; livres para todos, porque desapegados de tudo; livres de nós mesmos para que em cada um cresça Cristo, o verdadeiro consagrado do Pai e o Pastor ao qual os sacerdotes emprestam voz e gestos, de Quem são presença; livres para levar à sociedade actual Jesus Cristo morto e ressuscitado, que permanece connosco até ao fim dos séculos e a todos Se dá na Santíssima Eucaristia.


Porto acolhe com entusiasmo o Santo Padre. Missa na Avenida dos Aliados, diante da Câmara Municipal

Uma multidão incontável, na Avenida dos Aliados, no Porto, e nas ruas adjacentes, acolheu Bento XVI às 10 horas, para a celebração da Eucaristia com que se encerra esta viagem pastoral a Portugal. O vermelho é a cor dominante, não só nas vestes que diáconos, padres e bispos vão usar, mas também todo o altar. A cor será utilizada para evocar a memória dos apóstolos no dia em que se assinala a memória de São Matias, que se juntou ao grupo original dos discípulos de Jesus após a morte de Judas.
Inspirado na Sé do Porto, o altar da Missa transpõe a planta da catedral para o espaço da eucaristia: a nave central equivale à Avenida dos Aliados e o transepto (parte que atravessa perpendicularmente a nave) será evocado pela estrutura que receberá o altar, bem como representantes do clero e autoridades civis. O fundo do altar é em madeira, aludindo à talha dourada barroca da Sé com um cenário que tem 27 elementos evocativos da Diocese, das 4 regiões pastorais e das 22 vigararias. Tem também uma clarabóia alusiva à cúpula da Sé que permite a entrada de luz e abre a zona do altar para o céu. A cadeira do presidente da celebração (cátedra) está apoiada numa plataforma constituída por três degraus, em alusão à Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).O altar, de 39 por 12 metros, está instalado na Praça General Humberto Delgado, em frente ao edifício da Câmara Municipal, edifício que serve de sacristia e estrutura de apoio
Bento XVI chegou a Gaia às 9h45 desta Sexta-feira, com 15 minutos de atraso em relação à hora prevista, para o último dia da sua visita a Portugal, devido ao vento forte que se fez sentir. Além disso, Merlin que transportou Bento XVI sobrevoou a Avanida dos Aliados, antes de rumar em Gaia.
Ao descer do helicóptero no Regimento da Serra do Pilar, o Papa foi acolhido pela guarda de honra da Polícia de Segurança Pública (PSP) e por diversas personalidades: o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, o Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, o presidente da Câmara Municipal de Gaia, Luís Filipe Menezes, a Governadora Civil do Porto, Isabel Santos, o chefe do Estado Maior do Exército, general José Pinto Ramalho, e o Comandante do Regimento, coronel Pedro Calado. Para receber Bento XVI estava um coro de 83 crianças a cantar, o mesmo grupo que em bril esteve no Paço Episcopal a cantar os parabéns ao Cardeal Joseph Ratzinger pelo 83º aniversário . Duas das crianças ofereceram um ramo de flores ao Papa e cumprimentaram-no. O presidente da Câmara de Gaia entregou ao Papa o diploma de cidadão honorário da cidade e uma garrafa de vinho do Porto Vintage de 1926. Antes de entrar no papamóvel o Bento XVI acenou sorridente a todas as crianças e bateu palmas quando estas terminaram de cantar.
Antes de aterrar no heliporto do Regimento de Artilharia da Serra do Pilar, em Gaia, o Merlin que transportou Bento XVI sobrevoou a Avenida dos Aliados. Bento XVI teve oportunidade de ver a assembleia que preenche toda a esplanada dos Aliados, desde a Praça Almeida Garrett, onde está o altar para a celebração da missa, a Avenida dos Aliados e, ao fundo, a Praça da Liberdade. No trajecto entre Fátima e Gaia o helicóptero sobrevoou também as vinhas do Alto-Douro, Património Mundial da UNESCO

Homilia de Bento XVI na Esplanada do Santuário de Fátima


Bolletino della Sala Stampa della Santa Sede


Queridos peregrinos,



"A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou" (Is 61, 9). Assim começava a primeira leitura desta Eucaristia, cujas palavras encontram uma realização admirável nesta devota assembleia aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta "casa" que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que "amo", de que a Igreja, de que os sacerdotes "amam" Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.



São a linhagem que o Senhor abençoou… Linhagem que o Senhor abençoou és tu, amada diocese de Leiria-Fátima, com o teu Pastor Dom António Marto, a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário. Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa. Idealmente abraço todas as dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos, e confio ao Céu todos os povos e nações da terra. Em Deus, estreito ao coração todos os seus filhos e filhas, especialmente quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente. A nossa grande esperança lance raízes na vida de cada um de vós, amados peregrinos aqui presentes, e de quantos estão em comunhão connosco através dos meios de comunicação social.



Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo. Tendo experimentado a misericórdia e consolação de Deus que não o abandonara no fatigante caminho do regresso do exílio de Babilónia, o povo de Deus exclama: "Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus" (Is 61, 10). Filha excelsa deste povo é a Virgem Mãe de Nazaré, a qual, revestida de graça e docemente surpreendida com a gestação de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperança no cântico do Magnificat: "O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador". Entretanto não se vê como privilegiada no meio de um povo estéril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque "a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem" (Lc 1, 47.50).



Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora "vinda do Céu", como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: "Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo". E o Francisco dizia: "Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!" (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127).



Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: "Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?" (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: "Felizes os que acreditam sem terem visto" (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior.



Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão – como ouvimos no Evangelho – exclama: "Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito". Contudo Jesus observou: "Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática" (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.



"A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou" (Is 61, 9) com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes – como ouvimos na segunda leitura – "tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta" (1 Cor 13, 7). Exemplo e estímulo são os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doação a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o coração à universalidade do amor. De modo particular, a beata Jacinta mostrava-se incansável na partilha com os pobres e no sacrifício pela conversão dos pecadores. Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.



Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: "Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim" (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: "Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?" (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).



Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima.

Papa em Portugal: "Nossa esperança tem fundamento real, é Jesus"

bentoxviportugal.pt
Bento XVI durante a Santa Missa na Esplanada do Santuário de Fátima: ''Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está conosco''

"Aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré", disse Bento XVI na homilia da Solenidade da Bem-Aventurada Virgem Maria de Fátima.



A programação começou às 9h40min (em Portugal - 5h40min em Brasília) desta quinta-feira, 13, com uma solene procissão entre a Capelinha das Aparições e a Esplanada do Santuário, trajeto que o Pontífice percorreu a bordo do papamóvel.


Às 10h (em Portugal - 6h em Brasília), o Pontífice presidiu a Santa Missa em alusão às celebrações que marcam também o 10º aniversário da Beatificação de Jacinta e Francisco Marto, bem como o 5º aniversário da morte de Irmã Lúcia e o 100º aniversário do nascimento de Jacinta. O Bispo de Leiria-Fátima, Dom Antônio Marto, acolheu o Santo Padre e introduziu a Celebração Eucarística.


"Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima. [...] Vim a Fátima porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos", disse Bento XVI ao início da homilia.


O Papa confiou os sacerdotes à proteção de Maria: "Vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que 'amo', de que a Igreja, de que os sacerdotes 'amam' Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à proteção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus".



Visão interior


O Santo Padre exclamou um grande "Sim" à certeza de que o Senhor caminha com o seu Povo, indicando como prova o lugar bendito de Fátima, que daqui a sete anos dará lugar às celebrações do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora aos três Pastorinhos.


"Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está conosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo".


Àqueles que, mediante a experiência mística das três crianças portuguesas, olham-nas com um pouco de inveja ou resignação por não terem visto, Bento XVI indicou que Deus pode nos alcançar através da visão interior:


"A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: 'Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?' (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: 'Felizes os que acreditam sem terem visto' (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso, exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Cardeal Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior".


Nesse sentido, o Sucessor de Pedro perguntou: "Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé?", ao que indicou como resposta que "a fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo".


O Povo de Deus é abençoado por uma esperança inabalável, que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros, afirmou.


Com relação ao sentido das aparições de Nossa Senhora em Portugal, Bento XVI disse: "Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. [...] Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade".



Saiba mais sobre a visita


Bento XVI chegou nesta terça-feira, 11, a Portugal. Lisboa é a primeira cidade a receber o Pontífice, que também visita Fátima e Porto, celebrando três missas e proferindo sete discursos, além de dirigir uma mensagem e uma saudação aos fiéis portugueses. Nesta 15ª viagem apostólica de seu Pontificado, o Papa vai centrar as suas intervenções em três eixos fundamentais: a cultura, a ação social e a vida da Igreja em Portugal.


No entanto, um dos principais motivos para esta viagem é a celebração do décimo aniversário da beatificação de Jacinta e Francisco Marto, reafirmado pelo próprio Bento XVI no último domingo, 9, durante a saudação inicial da oração Regina Coeli. Neste ano, o País anfitrião também celebra os 100 anos da Proclamação da República.


O Papa vai proferir sete discursos: à chegada e à partida (11 e 14 de Maio), no Encontro com o Mundo da Cultura (dia 12), na celebração das Vésperas e na Bênção das Velas em Fátima (ambas no dia 12) e nos encontros com os agentes da Pastoral Social e com os Bispos, igualmente em Fátima (dia 13).


Terceiro Papa a visitar Fátima, depois de Paulo VI (1967) e João Paulo II (1982, 1991 e 2000), Bento XVI esteve, enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, estreitamente ligado às Aparições, estudando profundamente a Mensagem de Fátima, além de ter presidido às cerimônias do 13 de Maio em 1996. Foi o autor do comentário teológico sobre a Terceira Parte do Segredo de Fátima, revelado precisamente em 2000, quando João Paulo II se deslocou pela terceira e última vez a Portugal.


A maioria das viagens de Bento XVI foi realizada na Europa: quatro em países que fazem fronteira com a sua Alemanha natal - Polônia (2006), Áustria (2007), França (2008) e República Checa (2009) -, outras duas viagens a solo germânico (2005 e 2006), Espanha (2006), Turquia (2006) e Malta (2010).


Ainda neste ano, o Papa fará mais três viagens em território europeu: Chipre, Reino Unido e Espanha.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Entrevista do Papa a jornalistas no voo entre Itália e Portugal


Bollettino della Sala Stampa della Santa Sede


Bento XVI e diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, durante entrevista
Padre Lombardi: Santidade, quais preocupações e sentimentos que leva consigo em relação à situação da Igreja em Portugal? O que se pode dizer a Portugal, profundamente católico no passado e que levou a fé pelo mundo, mas que hoje está em vias de uma profunda secularização, tanto na vida quotidiana, como no âmbito jurídico e cultural? Como anunciar a fé num contexto indiferente e hostil à Igreja?

Santo Padre: Antes de tudo, bom dia a todos e esperemos uma boa viagem, apesar da famosa nuvem sob a qual estamos passando. Quanto a Portugal, experimento, sobretudo, sentimentos de alegria, de gratidão, por tudo quanto fez e faz este país no mundo e na história, e pela profunda humanidade deste povo, que pude conhecer numa visita e com tantos amigos portugueses. Diria que é verdade, muito verdadeiro, que Portugal foi uma grande força da fé católica; levou esta fé a todas as partes do mundo; uma fé corajosa, inteligente e criativa. Soube criar uma grande cultura, o vemos no Brasil, no próprio Portugal, assim como na presença do espírito português na África ou na Ásia. Por outro lado, a presença do secularismo não é uma coisa totalmente nova. A dialética entre secularismo e fé tem uma longa história em Portugal. Já no século XVIII há uma forte presença do Iluminismo, basta pensar no nome Pombal. Assim, vemos que Portugal viveu sempre, nesses séculos, na dialética que, naturalmente hoje, se radicalizou e se mostra com todos os sinais do espírito europeu de hoje. E, este me parece um desafio e uma grande possibilidade. Nesses séculos de dialética entre Iluminismo, secularismo e fé, nunca faltaram pessoas que quiseram estabelecer pontes e criar um diálogo, ainda que, infelizmente, a tendência dominante foi a da contraposição e da exclusão de um e de outro. Hoje vemos que justamente esta dialética é uma chance; que devemos encontrar uma síntese e um diálogo profundo e de vanguarda. Na situação multicultural na qual estamos todos, vê-se que uma cultura europeia que fosse unicamente racionalista não possuiria a dimensão religiosa transcendente; não seria capaz de entrar em diálogo com as grandes culturas da humanidade, que possuem, todas elas, esta dimensão religiosa transcendente, que é uma dimensão do ser humano. Portanto, pensar que existiria uma razão pura, anti-histórica, só existente em si mesma, e que esta seria "a" razão, é um erro; descobrimos cada vez mais que esta toca somente uma parte do homem, expressa uma certa situação histórica, mas não é a razão como tal. A razão, como tal, está aberta à transcendência e só no encontro entre a realidade transcendente, a fé e a razão que o homem encontra-se a si mesmo. Assim, penso que a tarefa e a missão da Europa nesta situação é justamente encontrar este diálogo, integrar a fé e a racionalidade moderna numa única visão antropológica, que completa o ser humano e torna, desse modo, também comunicáveis as culturas humanas. Por isso, diria que a presença do secularismo é algo normal, mas a separação, a contraposição, entre secularismo e cultura da fé é anômala e deve ser superada. O grande desafio deste momento é que ambos se encontrem e, desse modo, achem a sua verdadeira identidade. Como eu disse, esta é uma missão da Europa e uma necessidade humana nesta nossa história.

Padre Lombardi: Obrigado, Santidade e continuemos então no tema da Europa. A crise econômica se agravou recentemente na Europa e afeta particularmente também a Portugal. Alguns líderes europeus pensam que o futuro da União Europeia esteja em risco. Quais as lições se podem aprender desta crise, também no campo ético e moral? Quais são as chaves para consolidar a unidade e a cooperação dos países europeus no futuro?

Santo Padre: Diria que justamente esta crise econômica, com sua componente moral, que ninguém pode deixar de ver, seja um caso de aplicação, de concretização, daquilo que tinha dito antes, ou seja, que duas correntes culturais separadas devem encontrar-se; caso contrário, não encontraremos a estrada para o futuro. Vemos aqui também um falso dualismo, ou seja, um positivismo econômico que julga poder funcionar sem a componente ética; um mercado que seria regulado somente por si mesmo, pelas meras forças econômicas, pela racionalidade positivista e pragmatista da economia. A ética seria uma coisa diferente, estranha a tudo isto. Na realidade, agora vemos que o puro pragmatismo econômico, que prescinde da realidade do homem – que é um ser ético - não termina positivamente, mas cria problemas insolúveis. Por isso, agora é o momento de ver que a ética não é uma coisa externa, mas interna à racionalidade e ao pragmatismo econômico. Por outro lado, devemos também confessar que a fé católica, cristã, frequentemente era muito individualista; deixava as coisas concretas, econômicas, ao mundo, e pensava somente na salvação individual, aos atos religiosos, sem ver que estes implicam uma responsabilidade global, uma responsabilidade pelo mundo. Assim sendo, também aqui devemos entrar num diálogo concreto. Na minha encíclica Caritas in veritate – e toda a tradição da Doutrina social da Igreja vai por este lado – procurei ampliar o aspecto ético da fé para além do indivíduo, para a responsabilidade frente ao mundo, para uma racionalidade "performada" pela ética. Por outro lado, os últimos acontecimentos no mercado, nestes últimos dois ou três anos, mostraram que a dimensão ética é interna e deve entrar no interior do agir econômico, porque o homem é uno; e trata-se do homem, de uma antropologia sã, que implica tudo e, só assim, resolve-se o problema; só assim a Europa desenvolve e cumpre a sua missão.

Padre Lombardi: Obrigado. Passemos agora à Fátima, onde será, em certo ponto, o cume – também espiritual – desta viagem. Santidade, qual o significado que as aparições de Fátima têm para nós hoje? Quando o senhor apresentou o texto do terceiro segredo de Fátima na Sala de Imprensa Vaticana, em junho do ano 2000, estávamos muitos de nós e outros colegas de então, e foi-lhe perguntado se a mensagem podia estender-se, para além do atentado a João Paulo II, também para outros sofrimentos dos Papas. Segundo o senhor, é possível enquadrar igualmente naquela visão o sofrimento da Igreja de hoje, pelos pecados de abusos sexuais contra os menores?

Santo Padre: Antes de tudo, gostaria de expressar a minha alegria de ir a Fátima, de rezar diante de Nossa Senhora de Fátima, que para nós é um sinal da presença da fé; que justamente dos pequenos nasce uma nova força da fé, que não se reduz aos pequenos, mas que tem uma mensagem para todo o mundo e toca a história precisamente no seu presente e ilumina esta história. No ano 2000, na apresentação, disse que uma aparição, ou seja, um impulso sobrenatural, não vem somente da imaginação da pessoa, mas na realidade da Virgem Maria, do sobrenatural; que um impulso deste tipo entra num sujeito e se expressa segundo as possibilidades do sujeito. O sujeito é determinado pelas suas condições históricas, pessoais, temperamentais e, portanto, traduz o grande impulso sobrenatural segundo as suas possibilidades de ver, de imaginar, de expressar; mas nestas expressões, articuladas pelo sujeito, esconde-se um conteúdo que vai além, mais profundo, e somente no curso da história podemos ver toda a sua profundidade, que estava – digamos – "vestida" nesta visão possível à pessoa concreta. Deste modo, diria também aqui que, além desta grande visão do sofrimento do Papa, que podemos referir ao Papa João Paulo II em primeira instância, indicam-se realidades do futuro da Igreja que se desenvolvem e se mostram paulatinamente. Por isso, é verdade que além do momento indicado na visão, fala-se, vê-se, a necessidade de uma paixão da Igreja, que naturalmente se reflete na pessoa do Papa; mas o Papa está para a Igreja e, assim, são sofrimentos da Igreja que se anunciam. O Senhor nos disse que a Igreja seria sempre sofredora, de diversos modos, até o fim do mundo. O importante é que a mensagem, a resposta de Fátima, não vai substancialmente na direção de devoções particulares, mas precisamente na resposta fundamental, ou seja, a conversão permanente, a penitência, a oração, e as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Deste modo, vemos que a resposta verdadeira e fundamental que a Igreja deve dar, que nós, cada pessoa, devemos dar nesta situação. A novidade que podemos descobrir hoje, nesta mensagem, reside também no fato que os ataques ao Papa e à Igreja vêm não só de fora, mas que os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja. Também isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de reaprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça. O perdão não substitui a justiça. Em uma palavra, devemos reaprender precisamente estas coisas essenciais: a conversão, a oração, a penitência e as virtudes teologais. Assim respondemos que somos realistas ao esperar que o mal ataca sempre; ataca do interior e do exterior, mas que também as forças do bem estão presentes e que, no final, o Senhor é mais forte do que o mal, e Nossa Senhora é para nós a garantia visível, materna, da bondade de Deus, que é sempre a última palavra na história.

Padre Lombardi: Obrigado, Santidade, pela clareza, pela profundidade das suas respostas e por esta palavra conclusiva de esperança que nos ofereceu. Nos lhe desejamos sinceramente que esta viagem tão intensa possa transcorrer serenamente e que possa vivê-la também com toda a alegria e profundidade espiritual que o encontro com o mistério de Fátima nos inspira. Boa viagem para o senhor e nós procuraremos de fazer bem o nosso serviço e de difundir objetivamente aquilo que o senhor fará.

Veja no Portal oficial do Vaticano sobre a Visita de Bento XVI à Portugal

Veja aqui

Papa reza o terço com peregrinos em Fátima, Portugal

Papa chegando ao Santuário para a bênção das velas
"Todos juntos, com a vela acesa na mão, lembrais um mar de luz à volta desta singela capelinha, amorosamente erguida em honra da Mãe de Deus e nossa Mãe”. Com este convite o Papa Bento XVI deu início a mais um discurso na tradicional "bênção das velas", nesta quarta-feira,12, na Esplanada do Santuário de Fátima-Portugal.

O Papa exortou os peregrinos a não terem medo de falar de Deus e de “ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo.”

.: Na íntegra discurso de Bento XVI na bênção das velas

"Irmãos e irmãs, neste lugar é impressionante observar como três crianças se renderam à força interior que as invadiu nas aparições do Anjo e da Mãe do Céu. Aqui, onde tantas vezes se nos pediu que rezemos o Terço, deixemo-nos atrair pelos mistérios de Cristo, os mistérios do Rosário de Maria. A oração do Terço permite-nos fixar o nosso olhar e o nosso coração em Jesus, como sua Mãe, modelo insuperável da contemplação do Filho", disse o Papa Bento XVI recordando as aparições de Nossa Senhora.

Após a bênção das velas o Santo Padre, ajoelhado diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, recitou os mistérios gloriosos do santo terço. Em cada uma das cinco dezenas, o Papa e os peregrinos que com ele rezavam, invocaram Nossa Senhora pedindo pelo "Bispo vestido de branco que reza por todos os fiéis", como escreve a Ir. Lúcia nas suas memórias, pelos jovens, pelas famílias e as pequenas comunidades, pelos sacerdotes e pelos cristãos, sobretudo os que sofrem.

Após ter presidido ao terço no Santuário de Fátima, Bento XVI retirou-se para a casa Nossa Senhora o Carmo, onde vai dormir. Os peregrinos permaneceram no local para a Missa vespertina de Nossa Senhora presidida pelo Cardeal Tarcisio Bertone.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Saiba mais sobre o papamóvel que Bento XVI usará em Portugal

bentoxviportugal.pt


Bento XVI usará um "papamóvel" de 272 cavalos e transmissão automática em Lisboa, no dia 11 de Maio, do aeroporto até a Nunciatura Apostólica, dali até ao Terreiro do Paço, e de regresso à representação diplomática da Santa Sé.


O modelo ML 430, derivado da linha de "SUV" (utilitários desportivos que exteriormente se assemelham a carrinhos sobrelevados), chegou à garagem da Santa Sé em 2002. O veículo tem cobertura de plástico transparente à prova de bala, proteção que começou a ser usada com João Paulo II depois da tentativa de assassinato, a 13 de Maio de 1981.


O veículo, com as armas do Vaticano pintadas nas portas, banco em pele e barras horizontais que permitem ao Papa segurar-se quando está de pé, será novamente utilizado em 12 de Maio, no trajeto entre o Estádio Municipal de Fátima e o Santuário e nos deslocamentos no Santuário.


O "papamóvel" volta à estrada no dia 14, no percurso que se inicia no Regimento de Artilharia da Serra do Pilar, em Gaia, junto à Ponte do Infante, e termina na Avenida dos Aliados, na cidade do Porto.


Há cerca de dois anos e meio, em dezembro de 2007, o Vaticano recebeu um sem capota, destinado a ser usado quando as condições climáticas e de segurança permitem trajetos ao ar livre.


A matrícula das viaturas usadas pelos Papas é habitualmente "SCV 1", "Stato della Città del Vaticano" (designação, em italiano, de "Estado da Cidade do Vaticano"), com o algarismo a representar a posição do Papa na hierarquia da Igreja Católica.


Portugal também teve o "seu" papamóvel": trata-se de um da extinta marca UMM, de cor branca, que foi usado por João Paulo II em 1991, no seu deslocamento à Madeira.


O veículo voltou a ser utilizado há sete meses, para transportar a Imagem Peregrina da Senhora de Fátima desde o Aeroporto da Madeira, e vai levá-la de novo ao avião quando regressar ao Santuário.

Papa em Portugal: confira detalhes da visita que começa amanhã

bentoxviportugal.pt e Ecclesia


Papa visitará Portugal durante quatro dias

Bento XVI chega nesta terça-feira, 10, a Portugal. Lisboa é a primeira cidade a receber o Pontífice, que também visitará Fátima e Porto, celebrando três missas e proferindo sete discursos, além de dirigir uma mensagem e uma saudação aos fiéis portugueses.

.: OUÇA o Hino
.: Infográfico do programa da visita do Papa

Nesta 15ª viagem apostólica de seu Pontificado, o Papa vai centrar as suas intervenções em três eixos fundamentais: a cultura, a ação social e a vida da Igreja em Portugal.

No entanto, um dos principais motivos para esta viagem é a celebração do décimo aniversário da beatificação de Jacinta e Francisco Marto, reafirmado pelo próprio Bento XVI no último domingo, 9, durante a saudação inicial da oração Regina Coeli.

As celebrações no Santuário serão transmitidas pela internet e será a primeira vez que um Papa entrega pessoalmente a Rosa de Ouro para a Rainha de Portugal.

"Convido todos a acompanhar-me nesta peregrinação, participando ativamente com a oração: com um só coração e uma só alma invoquemos a intercessão da Virgem Maria pela Igreja, em particular pelos sacerdotes, e pela paz no mundo", pediu.

O Papa vai proferir sete discursos: à chegada e à partida (11 e 14 de Maio), no Encontro com o Mundo da Cultura (12), na celebração das Vésperas e na Bênção das Velas em Fátima (ambas no dia 12) e nos encontros do dia 13 com os agentes da Pastoral Social e com os Bispos, igualmente em Fátima.

Naquela que as autoridades portuguesas afirmam ser a maior operação de segurança da história do país, Bento XVI vai recorrer a helicópteros, "Papamóvel" e a viaturas blindadas fechadas para os trajetos em Lisboa, Fátima e Portugal.

Ao longo de meses, desde o início formal da visita, em Outubro, a viagem tem sido preparada por uma equipe coordenada pelo Bispo auxiliar de Lisboa, Dom Carlos Azevedo, com comissões distribuídas pelas três dioceses a serem visitadas pelo Papa: Lisboa, Fátima e Porto.

No total, entre autoridades, serviços oficiais, voluntários e colaboradores, a organização da visita mobilizou cerca de 10.000 pessoas. Mais de 2.500 profissionais, entre jornalistas, realizadores, técnicos, cinegrafistas, assistentes e pessoal de apoio vindos de mais de 25 países estão acreditados para a fazer a cobertura noticiosa da visita.

Os fiéis tiveram acesso a duas catequeses preparatórias para a visita - Desafios à Igreja de Lisboa e Ainda precisamos de Pedro? -, além de ser possível acessar, no site oficial da visita, um documento com citações do então Cardeal Ratzinger e o roteiro completo da viagem (confira os documentos ao final do texto).

Terceiro Papa a visitar Fátima, depois de Paulo VI (1967) e João Paulo II (1982, 1991 e 2000), Bento XVI esteve, enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, estreitamente ligado às Aparições, estudando profundamente a Mensagem de Fátima, além de ter presidido às cerimônias do 13 de Maio em 1996.

Foi o autor do comentário teológico sobre a Terceira Parte do Segredo de Fátima, revelado precisamente em 2000, quando João Paulo II se deslocou pela terceira e última vez a Portugal.

A maioria das viagens de Bento XVI foi realizada na Europa: quatro em países que fazem fronteira com a sua Alemanha natal - Polônia (2006), Áustria (2007), França (2008) e República Checa (2009) -, outras duas viagens a solo germânico (2005 e 2006), Espanha (2006), Turquia (2006) e Malta (2010).

Ainda neste ano, o Papa fará mais três viagens em território europeu: Chipre, Reino Unido e Espanha

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Bento XVI fala sobre a Virgem Maria e sua viagem a Portugal


Rádio Vaticano

Maria é a flor mais bela que desabrochou da criação, diz Papa durante oração mariana do Regina Coeli

Na oração mariana do Regina Coeli (oração que substitui o Ângelus no período pascal) deste domingo, 9, o Papa Bento XVI destacou a figura da Virgem Maria e a viagem que fará a Portugal nesta terça-feira, 11. O Papa explicou porque a Igreja dedica o mês de maio a Nossa Senhora.

"No hemisfério norte, a primavera avança com muitos e coloridos florir; o clima favorece passeios e excursões. Para a Liturgia, maio pertence sempre ao Tempo da Páscoa, o tempo do 'aleluia', do revelar-se o mistério de Cristo na luz da Ressurreição e da fé pascal". Nesses dois contextos, o "natural" e o litúrgico, se insere bem a tradição da Igreja de dedicar o mês de maio à Virgem Maria, explicou o pontífice. Ela, de fato, é a flor mais bela que desabrochou da criação, a "rosa" que apareceu na plenitude do tempo, quando Deus, mandando seu Filho, doou ao mundo uma nova primavera. Maria é, ao mesmo tempo, protagonista, humilde e discreta, dos primeiros passos da comunidade cristã: Ela é o seu coração espiritual, porque a sua presença em meio aos discípulos é memória viva do Senhor Jesus e penhor do dom do seu Espírito.



Para Bento XVI, o Evangelho deste domingo, extraído do capítulo 14 de São João, oferece um implícito retrato espiritual da Virgem Maria, lá onde Jesus diz: "Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos morada" (Jo 14,23).



Essas expressões, afirmou, são dirigidas aos discípulos, mas podem ser aplicadas em máximo grau justamente Àquela que é a primeira e perfeita discípula de Jesus. "De fato, Maria observou primeira e plenamente a palavra do seu Filho, demonstrando assim de amá-lo não somente como mãe, mas primeiramente como serva humilde e obediente."



No seu coração, Maria meditava e interpretava fielmente tudo aquilo que o seu Filho dizia e fazia. Deste modo, já antes e, sobretudo, depois da Páscoa, a Mãe de Jesus se tornou também a Mãe e o modelo da Igreja.



Viagem a Portugal



Antes de rezar o Regina Caeli, o Papa recordou que na próxima terça-feira irá a Portugal, onde visitará a capital, Lisboa, Porto e Fátima, coração de sua viagem, como explicou o pontífice: "Meta principal da minha viagem será Fátima, por ocasião dos 10 anos de beatificação dos dois pastorzinhos Jacinta e Francisco. Pela primeira vez como Sucessor de Pedro, irei àquele Santuário mariano, tão querido por João Paulo II. Convido todos a me acompanharem nesta peregrinação, participando ativamente com a oração: com um único coração e uma só alma, invoquemos a intercessão da Virgem Maria para a Igreja, em especial para os sacerdotes, e para a paz no mundo".



Saudação ao povo brasileiro



Após a oração do Regina Coeli, o Papa saudou os brasileiros por ocasião do XVI Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá de 13 a 16 de maio em Brasília (DF).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Boas-vindas a Bento XVI em Lisboa




A Comissão Organizadora da visita de Bento XVI a Lisboa iniciou nesta quarta-feira(5),uma campanha intitulada “Foi o Pai que me ensinou” que dá boas-vindas ao Sumo Pontífice e ao mesmo tempo mobiliza as pessoas para participarem da missa do dia 11 de maio.

Nove pessoas protagonizam esta campanha, “dando a cara pelo Pai”, cada uma com a sua assinatura, numa organização coordenada pela Multilem (autora do palco e estruturas a instalar no Terreiro do Paço), que desenvolveu o conceito com base na mobilização para acolher Bento XVI na sua primeira Visita Apostólica a Portugal.

A campanha gira em torno de nove conceitos, todos eles apoiados na frase “Foi o Pai que me ensinou”: partilhar, amar, rezar, acreditar, confiar, esperar, perdoar, escutar e festejar.

Movimentando todo o distrito de Lisboa, a campanha reúne regiões da Diocese de Lisboa, com enfoque nos meios de comunicação tradicionais, bem como outros suportes de divulgação, para dinamizar e decorar toda a cidade e arredores de Lisboa para a recepção a Bento XVI.

No total serão disponibilizados mais de 2.000 mupis e de 200 outdoors de grandes dimensões (8mx3m) nas regiões de Alenquer, Almada, Amadora, Barreiro, Caldas da Rainha, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Montijo, Óbidos, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Setúbal, Sintra, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.

Serão colocados, cerca de 1.000 pendões na cidade de Lisboa, nos percursos onde passará o Papa Bento XVI.

Modelo de como ficará outdoors espalhados pela cidade de Lisboa

A campanha iniciou-se com 200 outdoors “Lisboa com Bento XVI”, seguida do teaser “Foi o Pai que me Ensinou”. Segundo Pedro Castro, responsável pela campanha em entrevista ao Jornal Correio da manhã, “o objectivo da campanha é informar as pessoas acerca da missa [que decorre dia 11, no Terreiro do Paço] e agradecer ao Papa a visita ao nosso País”, e adiantou que, dada a escassez de recursos, só foi possível concretizá-la com o trabalho voluntário e a contribuição financeira dos católicos. Responsável por uma empresa de promoção de eventos, Maria Thomaz participou na qualidade de designer e ao mesmo tempo dá a cara pelo verbo ‘Festejar - Foi o Pai que me ensinou.’ “Com Jesus Cristo aprendi a festejar o dom da vida”, comentou Maria.

Bento XVI visita Portugal de 11 a 14 de Maio, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto.

Modelo de como ficará avenidas por onde passará Bento XVI
Fonte: http://www.bentoxviportugal.pt/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Fátima é importante para o Papa, diz porta voz do Vaticano

Ecclesia


O porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, apresentou hoje, 4, em uma coletiva de imprensa no Vaticano, a visita do Papa Bento XVI a Portugal, de 11 a 14 de maio."Fátima é um lugar particularmente significativo para este Papa", disse Pe. Lombardi, que falou do Santuário português como o coração da viagem.

Para Pe. Lombardi, é evidente a relação de Bento XVI com os acontecimentos da Cova da Iria, dos quais o ainda Cardeal Joseph Ratzinger se ocupou "do ponto de vista da teologia e da espiritualidade". "Fátima é um lugar em que o olhar se alarga para uma meditação sobre a história", disse o diretor da sala de imprensa da Santa Sé.



A ligação do Papa a Fátima inclui uma deslocação ao Santuário, para presidir às cerimónias de 13 de outubro de 1996, mas começou muito tempo antes, como prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, funções que o levaram a estudar profundamente a Mensagem de Fátima.



Em 2000, quando foi tornada pública a terceira parte do chamado "Segredo de Fátima", foi o Cardeal Joseph Ratzinger, na altura prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a apresentar um comentário teológico sobre o documento.



À chegada ao Santuário de Fátima, na tarde do dia 12 de Maio, Bento XVI irá recordar João Paulo II e o atentado que sofreu a 13 de Maio de 1981, adiantou o responsável pela sala de imprensa da Santa Sé.



A 15ª viagem internacional de Bento XVI tem passagens por Lisboa, Fátima e Porto, tornando o atual Papa no terceiro a visitar Portugal, após Paulo VI e João Paulo II.



Segundo o Pe. Lombardi, a escolha de outras cidades para lá de Fátima quis simbolizar a vontade de Bento XVI em visitar "toda a nação portuguesa".



O tema da viagem "Contigo caminhamos na esperança", foi também alvo de comentário do porta-voz do Vaticano, para quem a escolha pretende "dar uma esperança" a todo o povo de Portugal.



A Santa Sé destaca o fato de Bento XVI ir receber as chaves da cidade de Lisboa na celebração do próximo dia 11 de Maio.

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