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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Oração do Santo Padre na Capelinha das Aparições, à sua chegada a Fátima: "aqui estou como um filho que vem visitar sua Mãe"

Senhora Nossa
e Mãe de todos os homens e mulheres,
aqui estou como um filho
que vem visitar sua Mãe
e o faz na companhia
de uma multidão de irmãos e irmãs.
Como sucessor de Pedro,
a quem foi confiada a missão
de presidir ao serviço
da caridade na Igreja de Cristo
e de confirmar a todos na fé
e na esperança,
quero apresentar ao vosso
Coração Imaculado
as alegrias e esperanças
e também os problemas e as dores
de cada um destes vossos filhos e filhas,
que se encontram na Cova da Iria
ou nos acompanham de longe.

Mãe amabilíssima,
Vós conheceis cada um pelo seu nome,
com o seu rosto e a sua história,
e a todos quereis com
a benevolência maternal
que brota do próprio coração de Deus Amor.
A todos confio e consagro a Vós,
Maria Santíssima,
Mãe de Deus e nossa Mãe.

Cantores e assembleia:
Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 1)

Santo Padre:
O Venerável Papa João Paulo II,
que Vos visitou três vezes, aqui em Fátima,
e agradeceu a «mão invisível»
que o libertou da morte
no atentado de treze de Maio,
na Praça de São Pedro, há quase trinta anos,
quis oferecer ao Santuário de Fátima
uma bala que o feriu gravemente
e foi posta na vossa coroa de Rainha da Paz.
É profundamente consolador
saber que estais coroada
não só com a prata
e o oiro das nossas alegrias e esperanças,
mas também com a bala
das nossas preocupações e sofrimentos.

Agradeço, Mãe querida,
as orações e os sacrifícios
que os Pastorinhos
de Fátima faziam pelo Papa,
levados pelos sentimentos
que lhes infundistes nas aparições.
Agradeço também todos aqueles que,
em cada dia,
rezam pelo Sucessor de Pedro
e pelas suas intenções
para que o Papa seja forte na fé,
audaz na esperança e zeloso no amor.

Cantores e assembleia:
Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 2)

Santo Padre:
Mãe querida de todos nós,
entrego aqui no vosso Santuário de Fátima,
a Rosa de Oiro
que trouxe de Roma,
como homenagem de gratidão do Papa
pelas maravilhas que o Omnipotente
tem realizado por Vós
no coração de tantos que peregrinam
a esta vossa casa maternal.
Estou certo que os Pastorinhos de Fátima,
os Beatos Francisco e Jacinta
e a Serva de Deus Lúcia de Jesus
nos acompanham nesta hora de prece e de júbilo.

Cantores e assembleia:
Nós Te cantamos e aclamamos, Maria. (v. 5)

Homilia de Bento XVI na Esplanada do Santuário de Fátima


Bolletino della Sala Stampa della Santa Sede


Queridos peregrinos,



"A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou" (Is 61, 9). Assim começava a primeira leitura desta Eucaristia, cujas palavras encontram uma realização admirável nesta devota assembleia aos pés de Nossa Senhora de Fátima. Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta "casa" que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação. Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que "amo", de que a Igreja, de que os sacerdotes "amam" Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.



São a linhagem que o Senhor abençoou… Linhagem que o Senhor abençoou és tu, amada diocese de Leiria-Fátima, com o teu Pastor Dom António Marto, a quem agradeço a saudação inicial e todas as atenções com que me cumulou nomeadamente através de seus colaboradores neste santuário. Saúdo o Senhor Presidente da República e demais autoridades ao serviço desta Nação gloriosa. Idealmente abraço todas as dioceses de Portugal, aqui representadas pelos seus Bispos, e confio ao Céu todos os povos e nações da terra. Em Deus, estreito ao coração todos os seus filhos e filhas, especialmente quantos vivem atribulados ou abandonados, no desejo de comunicar-lhes aquela esperança grande que arde no meu coração e que, em Fátima, se faz encontrar mais sensivelmente. A nossa grande esperança lance raízes na vida de cada um de vós, amados peregrinos aqui presentes, e de quantos estão em comunhão connosco através dos meios de comunicação social.



Sim! O Senhor, a nossa grande esperança, está connosco; no seu amor misericordioso, oferece um futuro ao seu povo: um futuro de comunhão consigo. Tendo experimentado a misericórdia e consolação de Deus que não o abandonara no fatigante caminho do regresso do exílio de Babilónia, o povo de Deus exclama: "Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus" (Is 61, 10). Filha excelsa deste povo é a Virgem Mãe de Nazaré, a qual, revestida de graça e docemente surpreendida com a gestação de Deus que se estava operando no seu seio, faz igualmente sua esta alegria e esta esperança no cântico do Magnificat: "O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador". Entretanto não se vê como privilegiada no meio de um povo estéril, antes profetiza-lhe as doces alegrias duma prodigiosa maternidade de Deus, porque "a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem" (Lc 1, 47.50).



Prova disto mesmo é este lugar bendito. Mais sete anos e voltareis aqui para celebrar o centenário da primeira visita feita pela Senhora "vinda do Céu", como Mestra que introduz os pequenos videntes no conhecimento íntimo do Amor Trinitário e os leva a saborear o próprio Deus como o mais belo da existência humana. Uma experiência de graça que os tornou enamorados de Deus em Jesus, a ponto da Jacinta exclamar: "Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo. Quando Lho digo muitas vezes, parece que tenho um lume no peito, mas não me queimo". E o Francisco dizia: "Do que gostei mais foi de ver a Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus!" (Memórias da Irmã Lúcia, I, 40 e 127).



Irmãos, ao ouvir estes inocentes e profundos desabafos místicos dos Pastorinhos, poderia alguém olhar para eles com um pouco de inveja por terem visto ou com a desiludida resignação de quem não teve essa sorte mas insiste em ver. A tais pessoas, o Papa diz como Jesus: "Não andareis vós enganadas, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?" (Mc 12, 24). As Escrituras convidam-nos a crer: "Felizes os que acreditam sem terem visto" (Jo 20, 29), mas Deus – mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio (cf. Santo Agostinho, Confissões, III, 6, 11) – tem o poder de chegar até nós nomeadamente através dos sentidos interiores, de modo que a alma recebe o toque suave de algo real que está para além do sensível, tornando-a capaz de alcançar o não-sensível, o não-visível aos sentidos. Para isso exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma (cf. Card. Joseph Ratzinger, Comentário teológico da Mensagem de Fátima, ano 2000). Sim! Deus pode alcançar-nos, oferecendo-Se à nossa visão interior.



Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão – como ouvimos no Evangelho – exclama: "Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito". Contudo Jesus observou: "Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática" (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.



"A linhagem do povo de Deus será conhecida […] como linhagem que o Senhor abençoou" (Is 61, 9) com uma esperança inabalável e que frutifica num amor que se sacrifica pelos outros, mas não sacrifica os outros; antes – como ouvimos na segunda leitura – "tudo desculpa, tudo acredita, tudo espera, tudo suporta" (1 Cor 13, 7). Exemplo e estímulo são os Pastorinhos, que fizeram da sua vida uma doação a Deus e uma partilha com os outros por amor de Deus. Nossa Senhora ajudou-os a abrir o coração à universalidade do amor. De modo particular, a beata Jacinta mostrava-se incansável na partilha com os pobres e no sacrifício pela conversão dos pecadores. Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz.



Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: "Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim" (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: "Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?" (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).



Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Celebrações em Fátima serão transmitidas pela Internet

Sala de Imprensa do Santuário de Fátima


A peregrinação de Bento XVI a Fátima, nos dias 12 e 13 de Maio, será transmitida ao vivo através da página oficial do Santuário na Internet - www.fatima.pt.


O recurso às novas tecnologias de divulgação da peregrinação, iniciada em Agosto de 2009 com uma câmara fixa no altar do recinto, alarga-se agora com a transmissão por aquela via das imagens difundidas pela TVI, estação televisiva responsável pela cobertura televisiva das cerimônias e encontros de Bento XVI em Fátima.


Desde o momento do anúncio da visita do Papa Bento XVI a Portugal, em setembro de 2009, chegam ao Santuário vários pedidos de internautas a solicitar este serviço, uma vez que não lhes é possível deslocarem-se ao Santuário.


Desta forma, o Santuário permite que, aos milhares de peregrinos que vão estar presentes na Cova da Iria, juntem-se outros de todo o mundo.


Essa decisão permite também dar resposta aos pedidos de rádios e web tv’s de Portugal, Itália e Colômbia, que solicitam uma ligação por Internet para fazer chegar aos seus ouvintes e internautas as celebrações e encontros do Papa em Fátima.


Em Outubro de 2009, por ocasião das celebrações da Peregrinação Internacional de Outubro, acessaram a página oficial do Santuário na Internet mais de 14.500 internautas. As transmissões online foram visualizadas por cerca de 7.500 pessoas.

Bento XVI entregará Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima


bentoxviportugal.pt


Bento XVI entregará uma Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima no próximo dia 12 de Maio, tornando-se o primeiro Papa a fazê-lo pessoalmente em solo português. O gesto será cumprido logo no primeiro momento do programa em Fátima, na Capelinha das Aparições, onde o Papa irá proferir uma oração.


A Rosa de Ouro, dirá Bento XVI junto da imagem de Nossa Senhora, é "uma homenagem de gratidão" pelas "maravilhas que o Onipotente tem realizado por Vós no coração de tantos que peregrinam".


"Estou certo que os Pastorinhos de Fátima, os Beatos Francisco e Jacinta e a Serva de Deus Lúcia de Jesus nos acompanham nesta hora de prece e de júbilo", acrescenta a oração, divulgada pelo Departamento das Celebrações Litúrgicas Pontifícias na página oficial do Vaticano.


A insígnia é um dom simbólico que os Papas entregam como reconhecimento de méritos pessoais ou como sinal de devoção particular a igrejas, santuários ou mesmo cidades. A primeira Rosa de Ouro oferecida ao Santuário de Fátima foi entregue pelo Cardeal Fernando Cento, enviado de Paulo VI, a 15 de Maio de 1965.


A mesma distinção foi enviada por João Paulo II ao Santuário de Nossa Senhora do Sameiro (Braga), por ocasião do centenário da coroação da Imagem de Nossa Senhora. Foi entregue pelo Cardeal Eugênio Sales, em 8 de Dezembro de 2003.


A entrega de Rosas de Ouro era já prática corrente no pontificado de Leão IX (1049-1054), mas acredita-se que remonte ao século VII ou finais do século VI.

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