sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"Cristianismo não é moralismo", afirma o Papa a seminaristas

Vatican Imprensa
Bento XVI: ''O orar, diante dos olhos de Deus, torna-se um processo de purificação de nossos pensamentos''
Já é tradição que, todos os anos, o Papa visite o Pontifício Seminário Romano Maior por ocasião da Festa de Nossa Senhora da Confiança, padroeira da instituição.

Neste ano, Bento XVI encontrou-se com cerca de 190 seminaristas, não somente do Seminário Romano Maior, mas também do Seminário Romano Menor, do Almo Colégio Caprânica, do Colégio Diocesano Redemptoris Mater e do Seminário de Nossa Senhora do Divino Amor.

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Lectio Divina de Bento XVI com os seminaristas da Diocese de Roma


"Não somos nós que temos de produzir o grande fruto; o Cristianismo não é um moralismo, não somos nós que devemos fazer o que Deus espera do mundo, mas devemos, antes de tudo, entrar neste mistério ontológico: Deus se dá a Si mesmo. Seu ser, seu amar precede as nossas ações e, no contexto de seu Corpo, no contexto de estar n'Ele, identificarmo-nos com Ele, sermos cobertos por seu Sangue, possamos também nós agir com Cristo", salientou o Pontífice na capela do Seminário.

Bento XVI conduziu uma lectio divina a partir do capítulo 15 do Evangelho de São João, que contém a Parábola da Videira. O encontro aconteceu na última sexta-feira, 12, e o Papa expressou a alegria de ver que a Igreja vive.

"Permanecer no Senhor é fundamental como o primeiro tema deste trecho. Permanecer: onde? No amor, no amor de Cristo, no ser amado e no amar o Senhor. Todo o Capítulo 15 concretiza o local da nossa permanência, porque os primeiros oito versículos expõem e apresentam a parábola da videira: 'Eu sou a videira; vós, os ramos'", destacou.

O Senhor elegeu um povo para encontrar a resposta de seu amor. Através deste povo, desejaria entrar em uma relação de amor com o mundo. Diante da infidelidade, Deus não desiste.

"Deus encontra uma nova maneira para chegar até um amor gratuito, irrevogável, ao fruto desse amor, à uva verdadeira: Deus se faz homem, e assim Ele próprio se torna a raiz da videira, Ele torna-se a própria videira e, assim, a videira se torna indestrutível. Este povo de Deus não pode ser destruído, porque o próprio Deus entrou, se plantou nesta terra", declarou.


Ser e agir

O Senhor que entrega um novo ser: esse é o grande dom, exclamou Bento XVI.

"O ser precede o agir e deste ser segue o agir, como uma realidade orgânica, para que aquilo que somos, possamos sê-lo também em nossa atividade. Assim, agradeçamos ao Senhor porque nos tirou do puro moralismo; não podemos obedecer a uma lei que está diante de nós, mas devemos agir de acordo com a nossa nova identidade. Assim, já não é mais uma obediência, uma coisa externa, mas uma realização do dom do novo ser".

Ao citar São Tomás de Aquino - "A nova lei é a graça do Espírito Santo" -, o Bispo de Roma explicou: "A nova lei não é um outro comando mais difícil que os outros: a nova lei é um dom, a nova lei é a presença do Espírito Santo que nos foi dado no Sacramento do Batismo, na Confirmação, e nos é dado todos os dias na Santíssima Eucaristia".


Deus visível

A grande novidade, de acordo com o Papa, é que Deus, através de Cristo, se fez conhecer, se mostrou, já não é mais desconhecido, se torna amigo.

Com relação ao dualismo que coloca Deus apenas como uma parte da realidade, Bento XVI questionou:

"Mesmo na teologia, incluindo aquela católica, se difunde atualmente esta tese: Deus não é onipotente. Deste modo, se oferece uma apologia de Deus, que, assim, não seria responsável pelo mal que existe amplamente no mundo. Mas que apologia pobre! Um Deus não onipotende! O mal não está em suas mãos! E como podemos nós confiar neste Deus? Como poderíamos estar seguros no seu amor se esse amor termina onde começa o poder do mal?"

No entanto, no rosto de Cristo crucificado, Deus mostra a verdadeira onipotência.

"Para nós, homens de poder, o poder é sempre idêntico à capacidade de destruir, de fazer o mal. Mas o verdadeiro conceito de onipotência que aparece em Cristo é exatamente o contrário: n'Ele, a verdadeira onipotência é amar até o ponto em que Deus possa sofrer: aqui ele mostra sua verdadeira onipotência, que pode chegar ao ponto de um amor que sofre nós. Assim, vemos que Ele é o verdadeiro Deus e o verdadeiro Deus, que é amor, é poder: o poder do amor. E nós podemos confiar-nos ao seu amor onipotente e viver nele, com este amor onipotente".

Missão e justiça

A seguir, o Papa destacou que a alegria de conhecer a Deus leva ao desejo de comunicá-Lo aos outros, bem como que a missionariedade não é um acessório, mas o dinamismo da própria fé.

Ao revelar o rosto de Deus, Cristo transcende o modelo de justiça vigente.

"a verdadeira justiça não consiste em uma obediência a certas regras, mas é o amor, o amor criativo, em que se encontra a riqueza, a abundância do bem. A abundância é uma das palavras-chave do Novo Testamento, Deus sempre dá a si mesmo em abundância. [...] E quem está unido com Cristo, que é ramo na videira, vive por essa lei, não pergunta: 'Posso agora fazer isso ou não?', 'Devo fazer isso ou não?', mas vive no entusiasmo do amor, que não pergunta: 'isto é ainda necessário, ou proibido', mas, simplesmente, na criatividade do amor, deseja viver com Cristo e por Cristo e dar tudo de si para Ele e, assim, entrar na alegria de produzir frutos".


Oração

A alegria é o Espírito Santo, de tal forma que, de Deus, não se deve pedir qualquer coisa, mas o grande dom que é o próprio Deus, apontou Bento XVI.

"A oração é um caminho, eu diria que uma escada: devemos aprender mais e mais para que coisas podemos rezar e para que coisas não podemos, porque são expressões do nosso egoísmo. [...] O orar, diante dos olhos de Deus, torna-se um processo de purificação de nossos pensamentos, nossos desejos. Como disse o Senhor na parábola da videira: devemos ser podados, purificados, a cada dia; viver com Cristo, em Cristo, permanecer em Cristo, é um processo de purificação, e somente neste processo de lenta purificação, de libertação de nós mesmos e da vontade de ter somente para si, está o caminho verdadeiro da vida, se abre o caminho da alegria".

O Papa concluiu sua meditação pedindo que se reze para que Deus ajude a crescer e permanecer em seu amor.

Lectio Divina de Bento XVI com os seminaristas da Diocese de Roma


Vatican Information Service


Eminências,
Excelências,
queridos amigos,


todos os anos é, para mim, motivo de grande alegria estar com os seminaristas da Diocese de Roma, com os jovens que se preparam para responder ao chamado do Senhor para serem trabalhadores em sua vinha, sacerdotes do seu mistério. É a alegria de ver que a Igreja vive, que o futuro da Igreja está presente também em nossa terra, e também em Roma.

Neste Ano Sacerdotal, queremos estar particularmente atento às palavras do Senhor sobre o nosso serviço. A passagem do Evangelho lido há pouco fala indiretamente, mas profundamente, de nosso sacramento, de nosso chamado a estar na vinha do Senhor, a sermos servidores do seu mistério.

Nesta breve passagem, podemos encontrar algumas palavras-chave que oferecem uma indicação do anúncio que o Senhor quer fazer com este texto. "Permanecei": nesta breve passagem, encontramos dez vezes a palavra "permanecer"; o novo mandamento: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo", "Não mais servos, mas amigos", "Produzais fruto"; e, finalmente: "Peçais, orai e vos será dado, vos será dada a alegria". Rezemos ao Senhor para que nos ajude a entrar no significado de Suas palavras, para que essas palavras possam penetrar em nossos corações e, assim, possam ser caminho e vida em nós, com nós e através de nós.

A primeira palavra é: "Permanecei em mim, no meu amor". Permanecer no Senhor é fundamental como o primeiro tema deste trecho. Permanecer: onde? No amor, no amor de Cristo, no ser amado e no amar o Senhor. Todo o Capítulo 15 concretiza o local da nossa permanência, porque os primeiros oito versículos expõem e apresentam a parábola da videira: "Eu sou a videira; vós, os ramos". A videira é uma imagem que encontramos, no Antigo Testamento, seja nos Profetas, seja nos Salmos e tem um dúplice significado: é uma parábola para o povo de Deus, que é a sua vinha. Ele plantou uma vinha no mundo, cultivou esta vinha, cultivou a sua videira, protegeu a sua vinha, e com que intenção? Naturalmente, com a intenção de encontrar fruto, de encontrar o dom precioso da uva, do bom vinho.

E assim aparece o segundo significado: o vinho é um símbolo, é uma expressão da alegria do amor. O Senhor criou o seu povo para encontrar a resposta de seu amor e, por isso, esta imagem da videira tem um significado esponsal, é uma expressão do fato de que Deus procura o amor da sua criatura, Ele quer entrar em uma relação de amor, em uma relação esponsal com o mundo através de seu povo eleito.

Mas eis que a história concreta é uma história de infidelidade: ao invés de uvas preciosas, são produzidas apenas pequenas "coisas não comestíveis", não oferecem uma resposta a esse grande amor, não nasce aquela unidade, aquela união incondicional entre homem e Deus, na comunhão do amor. O homem se retira em si mesmo, quer ter-se apenas para si próprio, quer ser o seu próprio Deus, quer ter o mundo para si mesmo. E, assim, a videira fica devastada, o javali e todos os inimigos vêm e ela se torna um deserto.

Mas Deus não desiste: Deus encontra uma nova maneira para chegar até um amor gratuito, irrevogável, ao fruto desse amor, à uva verdadeira: Deus se faz homem, e assim Ele próprio se torna a raiz da videira, Ele torna-se a própria videira e, assim, a videira se torna indestrutível. Este povo de Deus não pode ser destruído, porque o próprio Deus entrou, se plantou nesta terra. O novo Povo de Deus é realmente fundado no próprio Deus, que se faz homem e, assim, chama-nos a encontrar n'Ele uma nova vida e nos convida a estar, a permanecer n'Ele.

Devemos lembrar também que, no capítulo 6 do Evangelho de João, encontramos o discurso sobre o pão, que se torna o grande discurso sobre o mistério eucarístico. Neste capítulo 15, temos o discurso sobre o vinho: o Senhor não fala explicitamente da Eucaristia, mas, naturalmente, dentro do mistério de vinho está a realidade de que Ele se faz fruto e vinho para nós, que seu sangue é o fruto do amor que nasce da terra para sempre e, na Eucaristia, o seu sangue se torna nosso sangue. Assim, somos colocados em relação com Deus no Filho e, na Eucaristia, torna-se concreta aquela grande realidade da vida em que nós somos os ramos unidos com o Filho e, assim, unidos com o amor eterno.

"Permanecei": permanecer neste grande mistério, permanecer neste novo dom do Senhor, que nos fez povo em Si mesmo, em Seu Corpo e em Seu Sangue. Parece-me que é preciso meditar muito este mistério, o de que Deus se fez corpo, um conosco; Sangue, um conosco; que podemos permanecer - permanecendo neste mistério - em comunhão com Deus, nesta grande história de amor, que é a história da verdadeira felicidade. Meditando sobre este dom - Deus tornou-se um com todos nós e, ao mesmo tempo, faz-nos todos um só, uma videira - também temos de começar a rezar para que esse mistério penetre mais e mais em nossas mentes, nossos corações e cada vez mais sejamos capazes de ver e experimentar a grandeza do mistério e, assim, começar a realizar este imperativo: "Permanecei".

Se continuarmos a ler esta passagem do Evangelho de João, encontramos também um segundo imperativo: "Permanecei" e "Observai os meus mandamentos". "Observai" é apenas o segundo nível; o primeiro é aquele de "permanecer", o nível ontológico, de que estejamos unidos com Ele, que se deu, por antecipação, a si próprio, deu-nos o seu amor, o fruto. Não somos nós que temos de produzir o grande fruto; o Cristianismo não é um moralismo, não somos nós que devemos fazer o que Deus espera do mundo, mas devemos, antes de tudo, entrar neste mistério ontológico: Deus se dá a Si mesmo. Seu ser, seu amar precede as nossas ações e, no contexto de seu Corpo, no contexto de estar n'Ele, identificarmo-nos com Ele, sermos cobertos por seu Sangue, possamos também nós agir com Cristo.

A ética é consequência do ser: primeiro o Senhor nos dá um novo ser, esse é o grande dom; o ser precede o agir e deste ser segue o agir, como uma realidade orgânica, para que aquilo que somos, possamos sê-lo também em nossa atividade. Assim, agradeçamos ao Senhor porque nos tirou do puro moralismo; não podemos obedecer a uma lei que está diante de nós, mas devemos agir de acordo com a nossa nova identidade. Assim, já não é mais uma obediência, uma coisa externa, mas uma realização do dom do novo ser.


Digo mais uma vez: agradeçamos ao Senhor porque Ele nos precede, dá o que precisamos para que possamos nos dar e ser, na verdade e na força de nosso novo ser, atores de sua realidade. Permenecer e observar: o observar é o sinal da permanência e o permanecer é o dom que Ele nos dá, mas que deve ser renovado todos os dias em nossas vidas.

Segue, pois, este novo mandamento: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo". Nenhum amor é maior do que este: "dar a vida por seus amigos". O que significa dizer isso? Aqui também não se trata de um moralismo. Se poderia dizer: "Não é um novo mandamento; o mandamento de amar o próximo como a si mesmo já existe no Antigo Testamento". Alguns dizem: "Tal amor é agora mais radicalizado; este amar o outro deve imitar a Cristo, que deu a si mesmo por nós; deve ser um amor heroico, até o dom de si mesmo". Neste caso, porém, o cristianismo seria um moralismo heroico. É verdade que devemos chegar até esta radicalidade do amor, que Cristo nos mostrou e doou, mas também aqui a verdadeira novidade não é o que nós fazemos, a verdadeira novidade é o que Ele fez: o Senhor deu a si próprio, o Senhor nos deu a verdadeira novidade de sermos membros seus no seu próprio corpo, de sermos ramos da videira que é Ele. Então, a novidade é o dom, o grande dom, e do dom, da novidade do dom, segue então, como eu disse, a nova lei.

São Tomás de Aquino o diz de uma forma muito precisa quando escreve: "A nova lei é a graça do Espírito Santo" (Summa theologiae, i-iiae, q. 106, a. 1). A nova lei não é um outro comando mais difícil que os outros: a nova lei é um dom, a nova lei é a presença do Espírito Santo que nos foi dado no Sacramento do Batismo, na Confirmação, e nos é dado todos os dias na Santíssima Eucaristia. Os Padres aqui distinguiram "Sacramentum" e "exemplum". "Sacramentum" é o dom do novo ser, e este dom também se torna um exemplo para o nosso agir, mas o "sacramentum" precede, e nós vivemos do sacramento. Aqui vemos a centralidade do sacramento, que é a centralidade do dom.

Prossigamos em nossa reflexão. O Senhor diz: "Eu não vos chamo mais servos, o servo não sabe aquilo que faz o seu patrão. Vos chamo de amigos, porque tudo o que eu ouvi de meu Pai vos dei a conhecer". Não mais servos, que obedecem ao comando, mas amigos que se conhecem, que estão unidos na mesma vontade, no mesmo amor. A novidade então é que Deus se fez conhecer, que Deus se mostrou, que Deus não é mais o Deus desconhecido, procurado, mas não encontrado ou apenas adivinhado à distância. Deus se deixou ver: no rosto de Cristo, vemos Deus, Deus faz-se "conhecido" e, assim, se fez amigo. Pensemos em como, na história da humanidade, em todas as religiões arcaicas, sabe-se que há um Deus. Este é um conhecimento imerso no coração do homem, que Deus é um, os deuses não são "o" Deus. Mas este Deus permanece muito longe, parece que não se deixa conhecer, não se deixa amar, não é amigo, mas está longe. Por isso, as religiões se ocupam pouco deste Deus, a vida concreta se encarrega dos espíritos, da realidade concreta que enfrentamos todos os dias e com a qual temos de fazer as contas cotidianamente. Deus continua distante.

Então nós vemos o grande movimento da filosofia: pensamos em Platão, Aristóteles, que começam a intuir como este Deus é o agathòn, a Bondade em si, é o eros que move o mundo, mas isto continua a ser um pensamento humano, é uma ideia de Deus que se aproxima da verdade, mas é uma ideia nossa e Deus continua a ser o Deus escondido.

Não muito tempo atrás, me escreveu um professor de Regensburg, um professor de Física, que tinha lido com grande atraso o meu discurso à Universidade de Regensburg, para dizer que ele não poderia concordar com a minha lógica ou só poderia fazê-lo em parte. Ele disse: "Claro, me convence a idéia de que a estrutura racional do mundo exija uma razão criadora, a qual fez essa racionalidade que não pode ser explicada por si mesma". E continuou: "Mas se pôde existir um demiurgo - assim ele se exprime -, um demiurgo me parece seguro do que Ele diz, não vejo que haja um Deus amoroso, bom, justo e misericordioso. Eu posso ver que há uma razão que precede a racionalidade do cosmo, mas o resto não". E assim Deus lhe permanece oculto. É uma razão que precede as nossas razões, nossa racionalidade, a racionalidade do ser, mas não é um amor eterno, não é a grande misericórdia que nos dá a vida.

E aqui, em Cristo, Deus se manifestou na sua verdade plena, mostrou que é razão e amor, que a razão eterna é amor e por isso cria. Infelizmente, ainda hoje muitos vivem longe de Cristo, não conhecem o seu rosto e, assim, a eterna tentação do dualismo, que se esconde também na carta deste professor, é sempre renovada, o qual defende que não haja apenas um princípio bom, mas também um princípio cativo, um princípio do mal; que o mundo está dividido e são duas realidades igualmente fortes: e que o Deus bom é apenas uma parte da realidade. Mesmo na teologia, incluindo aquela católica, se difunde atualmente esta tese: Deus não é onipotente. Deste modo, se oferece uma apologia de Deus, que, assim, não seria responsável pelo mal que existe amplamente no mundo. Mas que apologia pobre! Um Deus não onipotende! O mal não está em suas mãos! E como podemos nós confiar neste Deus? Como poderíamos estar seguros no seu amor se esse amor termina onde começa o poder do mal?

Mas Deus não é mais desconhecido: no rosto de Cristo crucificado vemos Deus e vemos a verdadeira onipotência, não o mito da onipotência. Para nós, homens de poder, o poder é sempre idêntico à capacidade de destruir, de fazer o mal. Mas o verdadeiro conceito de onipotência que aparece em Cristo é exatamente o contrário: n'Ele, a verdadeira onipotência é amar até o ponto em que Deus possa sofrer: aqui ele mostra sua verdadeira onipotência, que pode chegar ao ponto de um amor que sofre nós. Assim, vemos que Ele é o verdadeiro Deus e o verdadeiro Deus, que é amor, é poder: o poder do amor. E nós podemos confiar-nos ao seu amor onipotente e viver nele, com este amor onipotente.


Penso que devemos sempre meditar de novo sobre essa realidade, agradecer a Deus porque se mostrou a nós, porque conhecemos o seu rosto, face a face; não é mais como Moisés, que podia ver apenas o dorso do Senhor. Essa é também uma bela ideia, da qual São Gregório de Nissa diz: "Ver apenas o dorso significa que devemos sempre voltar a Cristo". Mas, ao mesmo tempo, Deus mostrou com Cristo a sua face, o seu rosto. O véu do templo é rasgado, é aberto, o mistério de Deus se torna visível. O primeiro mandamento, que exclui as imagens de Deus, porque essas só poderiam diminuir a realidade, mudou, é renovado, adquire outra forma. Podemos agora, no homem Cristo, ver o rosto de Deus, podemos ter ícones de Cristo e, assim, ver quem é Deus.

Eu penso que quem compreendeu isso, quem se deixou tocar por esse mistério, o de que Deus se revelou, rasgou o véu do templo, mostrou o seu rosto, encontra uma fonte de alegria permanente. Nós podemos dizer apenas: "Obrigado. Sim, agora sabemos quem Tu és, quem é Deus e como responder a Ti". E penso que esta alegria de conhecer a Deus, que se revelou, mostrou o mais íntimo de seu ser, implica também na alegria de comunicá-Lo: quem compreendeu isso, vive tocado por esta realidade, deve fazer como fizeram os primeiros discípulos, que vão a seus amigos e irmãos dizendo: "Achamos aquele de quem os profetas falam. Ele está aqui". A missionariedade não é algo externo acrescentado à fé, mas é o dinamismo da própria fé. Quem o viu, quem encontrou Jesus, deve andar ao encontro dos amigos e dizer a eles: "O encontramos, é Jesus, o Crucificado por nós".

A seguir, o texto do Evangelho diz: "Eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça". Com isto, retornamos ao início, à imagem, à parábola da videira: ela existe para dar frutos. E qual é o fruto? Como dissemos, o fruto é o amor. No Antigo Testamento, com a Torá como a primeira etapa da autorrevelação de Deus, o fruto era compreendido como a justiça, aquele que vive segundo a Palavra de Deus, vive na vontade de Deus, e assim vive bem.

Isso permanece, mas ao mesmo tempo é transcendido: a verdadeira justiça não consiste em uma obediência a certas regras, mas é o amor, o amor criativo, em que se encontra a riqueza, a abundância do bem. A abundância é uma das palavras-chave do Novo Testamento, Deus sempre dá a si mesmo em abundância. Para criar o homem, cria esta abundância de um cosmo imenso; para redimir o homem dá a si mesmo, na Eucaristia dá a si mesmo. E quem está unido com Cristo, que é ramo na videira, vive por essa lei, não pergunta: "Posso agora fazer isso ou não?", "Devo fazer isso ou não?", mas vive no entusiasmo do amor, que não pergunta: "isto é ainda necessário, ou proibido", mas, simplesmente, na criatividade do amor, deseja viver com Cristo e por Cristo e dar tudo de si para Ele e, assim, entrar na alegria de produzir frutos. Tenhamos também em mente o que o Senhor diz: "Eu vos escolhi e vos constituí para que vades": é o dinamismo que vive no amor de Cristo; ir, isto é, não permanecer sozinho para mim, ver a minha perfeição, garantir para mim a felicidade eterna, mas esquecer de mim mesmo, ir como Cristo andou, andar como Deus andou, de Sua Majestade imensa até a nossa pobreza, para encontrar frutos, para ajudar-nos, para nos dar a oportunidade de portar o fruto do amor verdadeiro. Quanto mais nós somos preenchidos com essa alegria de ter descoberto a face de Deus, tanto mais o entusiasmo do amor será real em nós e produzirá frutos.

E, finalmente, chegamos à última palavra desta passagem: "Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda". Uma breve reflexão sobre a oração, que sempre nos surpreende de novo. Por duas vezes, neste capítulo 15, o Senhor diz: "O que pedirdes, vos dou", e mais uma vez também no capítulo 16. E nós desejaríamos dizer: "Mas não, senhor, não é verdade." Tantas orações boas e profundas das mães que rezam para o filho que está morrendo e não são atendidas, tantas orações para que aconteça uma coisa boa e o Senhor não responde. O que dizer dessa promessa? No capítulo 16, o Senhor nos oferece a chave para compreender: ele nos diz o quanto nos dá, o que é este tudo: a alegria - se alguém encontrou a alegria, encontrou tudo e vê tudo à luz do amor divino. Como São Francisco, que compôs o grande poema sobre a criação em uma situação desoladora, mas exatamente ali, ao lado do Senhor sofredor, redescobriu a beleza do ser, a bondade de Deus, e escreveu este grande poema.

Vale lembrar, ao mesmo tempo, também alguns versículos do Evangelho de Lucas, onde o Senhor, em uma parábola, fala de oração, dizendo: "Se vós, que sois mal, dais coisas boas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai do Céu dará aos seus filhos o Espírito Santo". O Espírito Santo - no Evangelho de Lucas - é a alegria, no Evangelho de João é a mesma realidade: a alegria é o Espírito Santo e o Espírito Santo é a alegria, ou, em outras palavras, de Deus não invocamos qualquer coisa, pequena ou grande, de Deus invocamos o dom divino, o próprio Deus; esse é o grande dom que Deus nos dá: o próprio Deus. Neste sentido, temos de aprender a rezar, rezar para a grande realidade, a realidade divina, porque Ele nos dá a Si próprio, dá-nos o Seu Espírito para que possamos responder às exigências da vida e ajudar os outros no seu sofrimento. Evidentemente, o Pai Nosso nos ensina isso. Podemos orar por muitas coisas, em todas as nossas necessidades podemos rezar: "Ajude-me". Isso é muito humano e Deus é humano, como vimos; por isso. é justo rezar a Deus para as pequenas coisas na nossa vida quotidiana.

Mas, ao mesmo tempo, a oração é um caminho, eu diria que uma escada: devemos aprender mais e mais para que coisas podemos rezar e para que coisas não podemos, porque são expressões do nosso egoísmo. Eu não posso orar por coisas que são nocivas aos outros, eu não posso orar por coisas que ajudam o meu egoísmo, minha soberba. Assim, o orar, diante dos olhos de Deus, torna-se um processo de purificação de nossos pensamentos, nossos desejos. Como disse o Senhor na parábola da videira: devemos ser podados, purificados, a cada dia; viver com Cristo, em Cristo, permanecer em Cristo, é um processo de purificação, e somente neste processo de lenta purificação, de libertação de nós mesmos e da vontade de ter somente para si, está o caminho verdadeiro da vida, se abre o caminho da alegria.

Como já mencionei, todas estas palavras do Senhor têm um pano de fundo sacramental. O pano de fundo fundamental para a parábola da videira é o Batismo: somos implantados em Cristo; e a Eucaristia: somos um pão, um corpo, um sangue, uma vida com Cristo. E também este processo de purificação tem um pano de fundo sacramental: o sacramento da Penitência, da Reconciliação, em que aceitamos esta pedagogia divina, que dia a dia, ao longo de uma vida, nos purifica e nos torna mais e mais verdadeiros membros de seu corpo. Deste modo, podemos aprender que Deus responde às nossas orações, muitas vezes responde com a sua bondade também às pequenas orações, mas muitas vezes também as corrige, as transforma e as guia para que sejamos finalmente e verdadeiramente ramos de seu Filho, da videira verdadeira, membros de seu Corpo.

Agradeçamos a Deus pela grandeza de seu amor, rezemos para que Ele nos ajude a crescer em seu amor, para que permaneçamos realmente em seu amor.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cristo morreu por todos - Artigo Padre Orlando Maffei

Aquele que em tua secreta misericórdia revelaste aos humildes e lhes enviaste para que nos ensinasse a humildade, o verdadeiro mediador, esse mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, apareceu entre os pecadores mortais como justo mortal: mortal com os homens, justo com Deus. Sendo a recompensa da justiça a vida e a paz, pela justiça unida a Deus, ele destruiu a morte dos ímpios justificados , através dessa morte que desejou igual à deles.

Quanto nos amaste, Pai bom, que não poupaste teu Filho único, mas por nós, ímpios o entregaste! Como nos amaste, quando por nós ele não julgou rapina ser igual a ti, fez-se obediente até à morte da cruz, ele, o único livre entre os mortos, com poder de entregar sua vida e o poder de retomá-la! Tudo ele fez por nós, diante de ti vitorioso e vítima, vitorioso porque vítima. Por nós , diante de ti sacerdote e sacrifício, sacerdote porque sacrifício. Fazendo de nós, servos, filhos para ti, nascendo de ti, a nós servindo.

Com muita razão minha grande esperança está nele, porque curarás todas as minhas fraquezas, por aquele que se assenta a tua direita e intercede por nós. De outro modo, desesperaria. Pois são muitas e grandes estas minhas fraquezas. São muitas e enormes. Porém muito maior é teu remédio. Teríamos podido pensar que teu Verbo estava longe de unir-se aos homens e entregarmo-nos ao desespero, se ele não se tivesse feito carne e habitado entre nós. Apavorado com meus pecados e com o peso de minha miséria, eu resolvia no espírito e pensava em fugir para o deserto. Mas me impediste e me fortaleceste dizendo-me: Para isto cristo morreu por todos, para que os que vivem não mais vivam para si, mas para aquele que por eles morreu.

Agora, Senhor, lanço em ti meus cuidados para viver e considerarei as maravilhas de tua lei. Tu conheces minha ignorância e fragilidade: ensina-me, cura-me! O teu Único, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, me remiu por seu sangue. Não me caluniem os soberbos, porque reflito no preço dado por mim. Como bebo, distribuo e, pobre, desejo saturar-me dele entre aqueles que dele comem e são saciados. Com efeito, louvarão o Senhor aqueles que o procuram.

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo.

É tempo de refletir e converter - Cláudio Henrique Ferreira

Durante um período da vida as pessoas são levadas a um momento analítico, ou seja, a ver, julgar e agir os seus atos. Esta pausa para pensar no modo de viver se torna altamente necessária na medida em que decidimos amadurecer a caminhada como ser humano e filho de Deus.

É neste contexto que o cristão deve viver a Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa. Mais do que um tempo de silêncio, o momento requer um pensamento cheio do Espírito Santo, verdadeiro transformador do homem. A celebração da Ressurreição de Jesus é tão sublime que há toda uma preparação de coração.

A vitória de Cristo sobre a morte é o ápice de um chamado à conversão, pois representa que em Jesus somos vencedores. Sendo assim, é valioso o recolhimento quaresmal, amadurecendo no coração a vontade de renovação.

Baseado no princípio de penitência, jejum e caridade, podemos traçar um projeto de mudança na conduta cristã por meio da renúncia aos vícios e hábitos não condizentes com o Senhor.

Por exemplo: ao jejuar, dê preferência à abstenção de comidas altamente nocivas à saúde, as quais são desnecessárias. Aproveite para evitar hábitos que são motivos de brigas e divisões. Chega a ser obrigatória a renúncia a certos tipos de palavras malditas, fofocas, calunia e outras que só desagregam.

Contudo, o mais precioso instrumento de conversão é a leitura da Palavra e a oração, pois a fé precisa deste suplemento tão simples, mas em alguns casos deixado de lado. Procure rezar o Terço, pedindo a graça e a misericórdia do Senhor em sua vida, afinal Ele não rejeita um clamor feito por quem acredita e espera uma resposta de bênçãos.

Assim sendo, que após 40 dias a sua vida mude para melhor, se decidindo inteiramente a servir a Deus, superando as provações e declarando que grandes coisas estão por vir e acontecer no tempo do Pai.

Cláudio Henrique Ferreira é jornalista, catequista e membro da Pascom de nossa diocese

Papa abençoa Campanha da Fraternidade e saúda brasileiros


Cartaz da Campanha da Fraternidade 2010, lançada nesta quarta-feria de cinzas em todo Brasil

O Papa Bento XVI abençoou a Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2010 e saudou os brasileiros, em uma mensagem ao presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, por ocasião da abertura da CFE, realizada nesta quarta-feira de cinzas, 17, em todo o país.

"Implorando as maiores bênçãos de Deus sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, aproveito a ocasião para enviar aos meus irmãos e amigos do Brasil cordiais saudações com votos de todo bem em Jesus Cristo, único Salvador de todos!"

.: Leia a íntegra da mensagem do Papa

O Papa iniciou a mensagem recordando que a Quaresma, tempo litúrgico iniciado ontem pela Igreja, é um período favorável de salvação, que trás consigo um forte apelo à reconciliação com Deus.

Ao comentar o tema da Campanha, Bento XVI desejou sucesso às Igrejas e Comunidades Eclesiais no Brasil, que decidiram unir esforços para ajudar as pessoas a se libertarem da escravidão do dinheiro. Recordando sua Mensagem para a Quaresma, o Pontífice destacou que a escravidão ao dinheiro e à injustiça "tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa convivência com o mal."

Lançamento da Campanha da Fraternidade

Foi aberta nesta Quarta-feira de Cinzas, 17, em Brasília, a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 (CFE), com o tema "Economia e Vida" e lema "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6, 24)". O evento contou com a participação dos representantes das cinco Igrejas membros do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), responsável pela Campanha deste ano, por ser ecumênica.

O representante da CNBB, no evento, o arcebispo de Montes Claros (MG), dom José Alberto Moura, leu a mensagem do Papa Bento XVI para a CFE.

Mensagem do Papa Bento XVI para a Campanha da Fraternidade 2010

Rádio Vaticano

Ao Venerado Irmão D. Geraldo Lyrio Rocha

Presidente da CNBB e Arcebispo de Mariana (MG)

Com a quarta-feira de cinzas, volta aquele tempo favorável de salvação, que é a Quaresma, com seu apelo insistente: "Reconciliai-vos com Deus" (2Cor 6,2); brado este, que deve ressoar nos lábios daqueles que anunciam a Palavra de Deus: "Encarregarei os meus ministros de anunciar aos pecadores que estou sempre pronto a recebê-los, que a minha misericórdia é infinita" (Carta para a proclamação de um Ano Sacerdotal, 16/VI/2009). Estes sentimentos divinos foram confiados ao Santo Cura d'Ars, que, no seu tempo, soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor.

Eu desejo o mesmo sucesso às Igrejas e Comunidades Eclesiais no Brasil que, este ano, decidiram unir seus esforços para reconciliar as pessoas com Deus, ajudando-lhes a libertarem-se da escravidão do dinheiro. É que, como lembra a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010 – citando palavras de Jesus -, "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro". Alegrando-me com tal propósito de conversão, recordo que a escravidão ao dinheiro e a injustiça "tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa convivência com o mal" (Mensagem para a Quaresma 2010, 30/X/2009). Por isso, encorajo-vos a perseverar no testemunho do amor de Deus, do Filho de Deus que se fez homem, do amor agraciado com a vida de Deus, do único bem que pode saciar o coração da gente, pois, "mais do que de pão, [o homem] de fato precisa de Deus" (Ibid). Conseguireis assim, fazer frente ao "deserto interior" de que falei no início do meu ministério petrino, convidando a Igreja, no seu conjunto, a "pôr-se a caminho, para conduzir as pessoas fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude. (...) Nós existimos para mostrar Deus aos homens. E só onde se vê Deus, começa verdadeiramente a vida" (Homilia, 24/IV/2005). Se "a boca fala daquilo que o coração está cheio" (Mt 12, 34), podeis conhecer vosso coração a partir das vossas palavras. "Reconciliai-vos com Deus", de modo que as vossas palavras sirvam sobretudo para falar de Deus e a Deus.

Implorando as maiores bênçãos de Deus sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, aproveito a ocasião para enviar aos meus irmãos e amigos do Brasil cordiais saudações com votos de todo bem em Jesus Cristo, único Salvador de todos!

Vaticano, 8 de fevereiro de 2010

Benedictus XVI

40 dias de reflexão

Vivemos no mundo, mas sem seguir suas orientações

Em um mundo dessacralizado, distante da prática religiosa, percebe-se a influência dos tempos litúrgicos. Embora deformados, o Natal, a Páscoa e outras festividades têm ressonância no ambiente humano. Ainda que seja débil sua repercussão na consciência dos indivíduos, devem ser utilizadas em favor dos objetivos de evangelização, que é levar aos homens a Mensagem de Cristo.

As semanas que antecedem as comemorações da Morte e Ressurreição do Salvador, denominadas “tempo quaresmal”, nos proporcionam ricos ensinamentos, farta e bela semeadura, capaz de, uma vez aproveitada, produzir abundantes frutos espirituais.

Recordam outra “quaresma”, os quarenta dias de Jesus no deserto, preparando-se para sua missão salvífica. Ensina-nos o evangelista Marcos (1, 12-13): “E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E ele esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás e vivia entre as feras e os anjos o serviam”. E Lucas (4, 1-13) completa a descrição mostrando a vitória de Jesus sobre as tentações. Esse fato é revivido pela Igreja a cada ano e isso ocorre, entre outros motivos, pela sua própria natureza. Diz o Vaticano II em “Lumen Gentium” nº8: “A Igreja, reunindo em seu próprio seio os pecadores, ao mesmo tempo santa e sempre na necessidade de purificar-se, busca sem cessar a penitência e a renovação”. Queremos uma Igreja sem mancha nem rugas, embora composta de homens. Isso somente será possível através de uma verdadeira conversão. Exatamente é este o alvo do tempo litúrgico da quaresma.

São seis semanas de preparação para a Páscoa. Ela une profundamente cristãos e judeus. A mesma Sagrada Escritura serve de elemento constitutivo para uns e outros. A diferença é que nós celebramos o que já aconteceu – a vinda do Messias esperado – e vivemos na esperança da vida definitiva no paraíso; os israelitas, na expectativa do Salvador prometido ou o Reino de Deus.

Uma eficaz e condigna celebração da Páscoa se obtém, sobretudo, pela lembrança das exigências do Batismo, a frequência em ouvir a Palavra de Deus, a oração, o jejum e a esmola. A penitência é uma característica desta época. Lamentavelmente, hoje em dia, os cristãos, arrefecidos em sua Fé, esquecem-se desses compromissos.

O Concílio Ecumênico, na Constituição “Sacrosanctum Concilium”, adverte: “A penitência no tempo quaresmal não seja somente interna e individual, mas também externa e social” (nº110). São recomendados também “os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias, como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias)” (Catecismo da Igreja Católica, nº1438).

Esse quadro nos indica o caminho da perfeição, que passa pela Cruz. E lembra o dever da santidade, que, para ser cumprido, exige o esforço. Em consequência, a ascese e a mortificação, fazem parte do plano de Deus a respeito de seus filhos.

O quinto mandamento da Igreja prescreve o jejum e a abstinência. Eles são um meio de dominar os instintos e adquirir a liberdade de coração. Estão presentes também no Código de Direito Canônico (cc 1249 a 1253). O primeiro começa: “Todos os fiéis, cada qual a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência”. E no seguinte: “Os dias e tempos penitenciais em toda a Igreja são todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma”. No Brasil, a abstinência das sextas-feiras – exceto na Semana Santa – pode ser comutada por “outras formas de penitência, principalmente obras de caridade e exercícios de piedade”.

Este período do ano litúrgico coloca diante de nossos olhos, como imperativo da vida cristã, a conversão – através da penitência. Ora, nós respiramos uma atmosfera visceralmente contrária. Tudo em torno de nós sugere o prazer sem limites, isento de compromisso, um comportamento à margem das exigências oriundas das determinações do Evangelho. Essa maneira de ser penetrou os umbrais sagrados. Assim, pouco se fala do pecado, dos deveres que são substituídos por direitos sem barreiras, de um Cristo despojado de seus ensinamentos, que constrangem a sede ilimitada de liberdade sem peias.

Esta época litúrgica tem muita semelhança com o apelo dos profetas à conversão, e esta, a partir do coração. Tanto é assim que usamos os textos do Antigo Testamento na escuta da Palavra de Deus, dirigida a cada um dos fiéis em nossos dias.

O apelo de Pedro deve repercutir em nossos ouvidos: “Salvai-vos, dizia ele, dessa geração perversa” (Atos 2,40). Vivemos no mundo, mas sem seguir suas orientações. O cristão será sempre alguém que “rema contra a corrente”. Quando encontramos um pregador ou um agente pastoral que teme ensinar a mesma Doutrina de Jesus Cristo ou prefere amenizá-la para não afastar os fiéis, sabemos que não são verdadeiros pastores.

A Quaresma é um tempo propício à reflexão cristã, a uma conversão do coração, a uma prática de penitência, tão distanciada de uma mentalidade moderna à margem do Evangelho, mas que penetrou até nas fileiras dos seguidores de Cristo.

Vivendo os ensinamentos da Igreja neste tempo litúrgico, nos dispomos a receber as graças da Páscoa da Ressurreição.

Dom Eugênio Sales
Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro

Fonte: Site da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Catequese de Bento XVI na Quarta Feira de Cinzas 2010


Catequese de Bento XVI na Quarta-feira de Cinzas 2010


Vatican Information Service, com tradução de CN Notícias


Queridos irmãos e irmãs!

iniciamos hoje, Quarta-feira de cinzas, o caminho quaresmal: um caminho que se desenrola por quarenta dias e que nos leva à alegria da Páscoa do Senhor. Neste itinerário espiritual não estamos sozinhos, porque a Igreja nos acompanha e nos apoia desde o início com a Palavra de Deus, que inclui um programa de vida espiritual e empenho penitencial, e com a graça dos Sacramentos.

São as palavras do apóstolo Paulo que nos apresentam uma entrega necessária: "Exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. [...] Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação!" (II Cor 6, 1-2). Com efeito, na visão cristã da vida, todos os momentos devem ser favoráveis e todo o dia deve ser dia de salvação, mas a liturgia da Igreja refere esta palavra de um modo todo particular neste tempo da Quaresma. E que os quarenta dias de preparação para a Páscoa são um tempo favorável e de graça o podemos realmente compreender no apelo que o austero rito de imposição das cinzas nos dirige e que se expressa com duas fórmulas: "Convertei-vos e crede no evangelho!", "Lembra-te que és pó e ao pó voltarás".

O primeiro convite é à conversão, palavra que deve ser compreendida em sua extraordinária seriedade, colhendo a surpreendente novidade que expressa. O apelo à conversão, de fato, expõe e denuncia a superficialidade fácil que muitas vezes caracteriza o nosso viver. Converter-se significa mudar a direção no caminho da vida: não, porém, com um pequeno ajuste, mas com uma verdadeira e real inversão de marcha. A conversão é ir contra a corrente, onde a "corrente" é o estilo de vida superficial, incoerente e ilusório, que muitas vezes nos arrasta, nos domina e nos torna escravos do mal ou como que prisioneiros da mediocridade moral. Com a conversão, ao contrário, se aponta para a medida alta da vida cristã, nos confiamos ao Evangelho vivo e pessoal, que é Cristo Jesus. É a Sua pessoa o objetivo final e o significado profundo da conversão, é Ele o caminho ao qual todos somos chamados a caminhar na vida, deixando-se iluminar pela sua luz e sustentar pela sua força que move os nossos passos. Desse modo, a conversão manifesta a sua face mais esplêndida e fascinante: não é apenas uma simples decisão moral, que corrige os nossos modos de vida, mas é uma escolha de fé, que nos atrai inteiramente na comunhão íntima com a pessoa viva e concreta de Jesus. Converter-se e crer no Evangelho não são duas coisas distintas ou, de qualquer modo, justapostas entre si, mas expressam a mesma realidade. A conversão é o "sim" total de quem entrega a própria existência ao Evangelho, respondendo livremente a Cristo que por primeiro se oferece ao homem como caminho, verdade e vida, como aquele que o livra e salva. Exatamente esse é o significado das primeiras palavras com que, segundo o evangelista Marcos, Jesus abre a pregação do "Evangelho de Deus": ""Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho" (Mc 1, 15).

O "convertei-vos e crede no evangelho" não está apenas ao início da vida cristã, mas acompanha todos os seus passos, ainda que se renovando e difundindo ramos em todas as suas expressões. Cada dia é um momento favorável e de graça, porque todos os dias nos solicitam uma entrega a Jesus, a ter confiança n'Ele, a permanecer n'Ele, a compartilhar de Seu estilo de vida, a aprender d'Ele o amor verdadeiro, a segui-Lo no cumprimento cotidiano da vontade do Pai, a única grande lei da vida. Todos os dias, também lá nas dificuldades e fadigas, nos cansaços e nas quedas, mesmo quando somos tentados a abandonar o caminho do seguimento de Cristo e fechar-mo-nos em nós mesmos, no nosso egoísmo, sem dar-se conta da necessidade que temos de nos abrir ao amor de Deus em Cristo, para viver a mesma lógica da justiça e do amor. Na recente Mensagem para a Quaresma, desejei recordar que "é necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do 'meu' para me dar gratuitamente o 'seu'. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Graças à ação de Cristo, nós podemos entrar na justiça 'maior', que é aquela do amor (cf. Rom 13,8-10), a justiça de quem se sente, em todo o caso, sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar".

O momento favorável e de graça da Quaresma mostra-nos o seu próprio significado espiritual através da antiga fórmula: Recorda-te que és pó e ao pó voltarás, que o sacerdote pronuncia quando impõe sobre a nossa cabeça um pouco de cinzas. Somos, assim, reportados ao início da história humana, quando o Senhor disse a Adão depois do pecado original: "Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar" (Gn 3, 19). Aqui, a palavra de Deus nos recorda de nossa fragilidade, também de nossa morte, que é a sua forma mais extrema. Frente ao medo inato do fim, e ainda mais no contexto de uma cultura que, de diversos modos, tende a censurar a realidade e a experiência humana de morrer, a liturgia quaresmal, por um lado, nos lembra da morte e nos convida ao realismo e à sabedoria, mas, por outro lado, exorta-nos sobretudo a compreender e a viver na novidade inesperada que a fé cristã irradia na realidade da própria morte.

O homem é pó e ao pó retornará, mas é pó precioso aos olhos de Deus, porque Deus criou o homem destinando-o à imortalidade. Assim, a fórmula litúrgica "Lembra-te que és pó e ao pó voltarás" encontra a plenitude de seu significado em referência ao novo Adão, Cristo. Também o Senhor Jesus quis livremente compartilhar com todos os homens o destino da fragilidade, especialmente através de sua morte na cruz; mas é esta morte, cheia do Seu amor pelo Pai e pela humanidade, que se torna caminho para a gloriosa ressurreição, através do qual Cristo se tornou uma fonte de graça dada àqueles que crêem n'Ele e se tornam participantes de sua própria vida divina. Esta vida que não terá fim já está em curso na fase terrena da existência, mas será levada a termo após "a ressurreição da carne". O pequeno gesto de imposição das cinzas nos revela a extraordinária riqueza de seu significado: é um convite à percorrer o Tempo Quaresmal como uma imersão mais conciente e intensa no mistério pascal de Jesus, em sua morte e ressurreição, através da participação na Eucaristia e da vida de caridade, que nasce da Eucaristia e na qual encontra sua realização. Com a imposição das cinzas, renovamos o nosso compromisso de seguir Jesus, de nos deixar ser transformado por seu mistério pascal, para vencer o mal e fazer o bem, para fazer morrer o nosso "homem velho" ligado ao pecado e fazer nascer o "homem novo" transformado pela graça de Deus.

Queridos amigos! Enquanto nos preparamos para percorrer o austero itinerário quaresmal, queremos invocar com particular confiança a proteção e a ajuda da Virgem Maria. Seja Ela, a primeira crente em Cristo, a acompanhar-nos nestes quarenta dias de intensa oração e de sincera penitência, a fim de celebrar, purificados e totalmente renovados na mente e no espírito, o grande mistério da Páscoa de Seu Filho.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

PAPA, QUARESMA: VIDA ESPIRITUAL, PENITÊNCIA E A GRAÇA DOS SACRAMENTOS

Bento XVI recebeu no Vaticano os grupos de turistas, peregrinos e romanos que, como todas as 4as feiras, vêm a São Pedro para a audiência geral. Neste encontro semanal, aberto a todos, o pontífice faz sua catequese e saudação em várias línguas. Hoje, Bento XVI faz cumprimentos em italiano, inglês, francês, alemão, espanhol, tcheco, croata, polonês, eslovaco e português, e no final do encontro, concede aos presentes, ouvintes e telespectadores a benção apostólica. O encontro tem lugar na Sala Paulo VI.

Em sua catequese, ele recordaou que hoje, 4ª feira de cinzas, iniciamos o caminho quaresmal, que nos prepara para celebrar a Páscoa do Senhor. Neste itinerário espiritual, a Igreja nos sustenta com a Palavra de Deus, com um programa de vida espiritual e de penitência e com a graça dos Sacramentos.

A liturgia de hoje traz o significativo rito de imposição das cinzas, que pode ser feito com duas fórmulas. A primeira diz: “Converte e crê no Evangelho”. Este chamado à conversão é um convite a abandonarmos o estilo de vida superficial e incoerente, para entrar em comunhão com a pessoa de Jesus, entregando nossa vida ao Evangelho.

A segunda fórmula que o sacerdote pode pronunciar ao impor as cinzas é: “Pois tu és pó e ao pó tornarás”. Com estas palavras, a liturgia quaresmal, por um lado nos recorda a morte, exortando-nos ao realismo e à sabedoria; e por outro, nos encoraja a acolher e viver a novidade inesperada que a fé cristã desvela na própria realidade da morte.

Com a imposição das cinzas – recorda o pontífice – renovamos o nosso compromisso de seguir Jesus e deixar-nos transformar por seu ministério pascal, para vencer o mal e fazer o bem.

Cidade do Vaticano, 17 fev (RV)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Evangelho não propõe revolução de tipo social e político, diz Papa

Vaticano

Na oração do Ângelus deste domingo, o Papa Bento XVI fez uma reflexão sobre o tema da justiça, baseado no trecho do evangelho de São Lucas – lido nas missas de todo o mundo hoje. O Pontífice afirmou aos peregrinos na Praça de São Pedro, no Vaticano, que a verdadeira revolução é a do amor.

"O Evangelho de Cristo responde positivamente à sede humana por justiça, mas de um modo inesperado e surpreendente. Ele não está propondo uma revolução de tipo social e político, mas aquela do amor, que já realizou com sua Cruz e a sua Ressurreição", proclamou.

O Papa se referiu às bem-aventuranças e advertências da mensagem de Jesus no famoso Sermão da Montanha, narrado na Bíblia no trecho de Lucas, capítulo 6, versículos 17 e de 20 a 26.

"Na verdade, o evangelista Lucas, depois de quatro 'bem-aventurados vós...', acrescenta quatro advertências: 'ai de vós, ricos... ai de vós, que agora tendes fartura... ai de vós que agora rides' e 'ai de vós, quando todos os homens falam bem de vós', porque, como disse Jesus, as coisas serão invertidas: os últimos se tornarão primeiros, e os primeiros, últimos", citou.


Bento XVI explicou o motivo pelo qual são felizes os pobres, os famintos, os que choram e os deprezados por causa do nome de Jesus. "Porque a justiça de Deus se fará de modo que todos sejam saciados, recompensados de toda falsa acusação. Em uma palavra, porque os acolhe desde agora no seu reino".

Na mensagem, o Papa destacou também que essa justiça e bem-aventurança só vão se realizar no "Reino dos Céus", nos final dos tempos, mas, ao mesmo tempo, já se manifestam na história. "Onde os pobres são confortados e admitidos no banquete da vida, já se manifesta agora a justiça de Deus. Esta é a tarefa que os discípulos do Senhor são chamados a cumprir na sociedade atual".

Com esta citação, o Papa quis encorajar todos os que ele encontrou na visita ao Centro da Caritas diocesana de Roma, neste domingo.

Bento XVI pediu a todos que leiam a Mensagem dele para a Quaresma deste ano, dedicada ao tema da justiça.

Plano Nacional de Direitos Humanos Graves equívocos no "documento" deturpam o significado dos verdadeiros direitos

O Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) foi assinado na calada de 2009 (aos 21.12 pp.) pelo presidente Lula. O programa atual é requento de dois anteriores que "não pegaram". No Brasil é assim. Muitas leis não prosperam. No contexto e entrelinhas das proposições do programa natimorto, surgiram reações e críticas inevitáveis por parte de muitos segmentos sociais, incluindo a CNBB. A razão da rejeição do documento deve-se à linguagem ambígua, sugerindo tomada de posições equívocas da parte de movimentos sociais e organizações populares.

O governo deve muito aos movimentos e organizações identificadas como bases de sua sustentação. Naturalmente são eles que exercem pressão para a efetivação dos direitos humanos. Ora, quem seria contra a defesa e a promoção dos direitos humanos verdadeiros, autênticos, legítimos, indispensáveis no exercício da democracia participativa? Porém, é preciso distinguir entre direitos legítimos e direitos duvidosos, questionáveis.

Esse questionamento sugere o conhecimento de causa sobre Direitos Humanos e os respectivos deveres dos cidadãos e cidadãs de bem. A cada direito humano vincula-se um dever correspondente. Direito tem quem direito anda! Direitos e deveres incumbem a todos! Repita-se sempre que a defesa e a promoção dos direitos humanos, bem como dos respectivos deveres, são fundamentais para todos os cidadãos e cidadãs.

As legítimas instituições são reconhecidas e valorizadas pela sociedade. Exemplo disso se verificou nas iniciativas da CNBB, da OAB, das Comissões de Justiça e Paz, de representantes de vários segmentos sociais pela ética na política, em torno da Lei 9840, combatendo a corrupção eleitoral (Campanha Ficha limpa). Não se pode aceitar a candidatura de quem comprovadamente pratica atos lesivos ao bem público, surrupiando o erário.

A população reconhece as entidades que defendem e promovem os direitos humanos, através de atividades de inclusão social e que ajudam a formação da opinião exercendo um efetivo controle social. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) é parâmetro e tarefa permanente na efetivação de ações que dignificam a vida dos seres humanos. Essa tarefa é inescusável e incumbe a todos os cidadãos e cidadãs de bem. João Paulo II, no seu discurso à Assembléia Geral das Nações Unidas, definiu a Declaração Universal dos Diretos Humanos (21. 10. 1979) como "uma pedra miliária no caminho do progresso moral da humanidade".

No Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 153 encontramos preciosa referência: "A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio ser humano e em Deus seu Criador". Segue-se daí que os direitos humanos são universais, invioláveis e inalienáveis, pois convergem para a dignidade de cada pessoa humana.

A Igreja enfoca o contexto dos direitos humanos na lei natural e na lei positiva, que correspondem aos Mandamentos da Lei de Deus (amar a Deus, amar e servir o próximo). A lei natural defende e promove a vida. A Lei de Deus confirma a lei natural. A lei natural e a lei positiva enfocam a dignidade dos seres humanos, imagem da semelhança de Deus, Criador e Pai. Humanistas e cristãos ativistas da defesa e promoção dos Direitos Humanos alimentam a sua mística na fé e na razão. Não em ideologias!

Entretanto, há grupos de pressão que confundem direitos humanos com desvios de comportamento ético e moral. Eis alguns equívocos absurdos: - aborto provocado seria um "direito" de matar o filho indesejado; - união homoafetiva seria um "direito" equiparado à instituição familiar, com ou sem a adoção de crianças; - profissionalização da prostituição; - combate aos símbolos religiosos em locais públicos, em nome do Estado laico; - ideologização da anistia aos militares pervertida em perseguição; - legitimação de invasões de propriedades produtivas; - combate ao agronegócio. Por aí vai.

Notadamente há graves equívocos no "documento" que deturpam o significado dos verdadeiros DDHH. O agronegócio seria ameaça à agricultura familiar, quando é responsável pelo desenvolvimento sustentável e pelo crescimento do país. A invasão de terras provocaria maior atraso no campo, além de desestabilizar a paz social. O pior mesmo seria instrumentalizar e controlar a liberdade de expressão pela imprensa, como recentemente aconteceu uma censura com o "Estadão" (SP) que pediu apurações de ações comprometedoras envolvendo a família Sarney.

Dom Aldo Pagotto
Arcebispo da Paraíba

Horário de verão acaba neste domingo

Agência Brasil

Depois de 126 dias, o horário de verão termina à zero hora deste domingo, 21. Os moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste deverão atrasar os relógios em uma hora.

Em outubro, ao decretar o horário de verão, o governo estimou que a economia de energia chegaria a 5% nos horários de pico de consumo. Um decreto presidencial determinou, a partir deste ano, o período exato em que o horário diferenciado vai vigorar: começará sempre no terceiro domingo de outubro e terminará sempre no terceiro domingo de fevereiro.

Segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a ideia do horário de verão surgiu nos Estados Unidos, 100 anos antes da Conferência de Washington de 1884, com o fim de aproveitar a luz natural o mais possível durante os dias mais longos do ano.

O Brasil começou a adotar o horário de verão em 1931/1932. Até 1967, o horário era decretado esporadicamente e sem um critério científico mais apurado. Depois, ficou 18 anos suspenso e só voltou no verão 1985/86, motivado por um racionamento de energia em função de baixa nos reservatórios das hidrelétricas.

"Outros países também fazem mudança na hora legal para aproveitar a maior luminosidade no período primavera-verão, a exemplo do que acontece na União Europeia, nos Estados Unidos, no Canadá e na Rússia", informa a Aneel.

Documentos da Santa Sé sobre Pio XII estarão na internet

Rádio Vaticano

Serão publicadas em breve na Internet, as mais de 8 mil páginas dos "Atos e documentos da Santa Sé relativos à II Guerra Mundial" (Actes et documents du Saint-Sie'ge relatifs a' la Seconde guerre mondiale), redigidos pelos padres jesuítas Pierre Blet, Angelo Martini, Robert A. Graham e Burkhart Schneider. A obra, de onze volumes, foi publicada pela Livraria Editora Vaticana.

O material foi publicado por ordem de Paulo VI, e contém uma seleção ampla e detalhada dos documentos dos arquivos secretos do Vaticano sobre a II Guerra e o pontificado de Pio XII naqueles anos.

A iniciativa de disponibilizá-lo na Internet tem o apoio da Santa Sé, que aderiu ao pedido da Fundação "Faça o caminho" (Pave the Way Foundation-Ptwf), uma organização judaico-americana. Foi digitalizada uma antologia de 5.125 documentos

pertencentes aos Arquivos Secretos do Vaticano e datados entre março de 1939 e maio de 1945.

A Fundação PTW é uma organização concebida para remover os obstáculos entre as religiões, promover a colaboração e colocar fim ao abuso da religião para fins políticos.

Em entrevista à Zenit, o fundador e presidente Gary Krupp, diz que "ao desenvolver sua missão, constatou que o papado de Pio XII, na época da II Guerra, foi motivo de contestação. Este fato – explica – tem impacto sobre mais de um bilhão de pessoas. A publicação on-line de todo este material quer ser um serviço à verdade histórica".

Dia da Oração pelas Vocações - Papa Bento XVI

Mensagem do Papa para o Dia de Oração pelas Vocações centrada no testemunho sacerdotal

(16/2/2010) “O testemunho suscita vocações” foi o tema escolhido pelo Santo Padre, neste Ano Sacerdotal, para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado a 25 de Abril, IV domingo de Páscoa. E isso porque, como escreve o Papa, “a fecundidade da proposta vocacional, se depende primariamente da acção gratuita de Deus, é também favorecida pela qualidade e riqueza do testemunho pessoal e comunitário de todos aqueles que já responderam ao chamamento do Senhor no ministério sacerdotal e na vida consagrada”.

“A iniciativa livre e gratuita de Deus cruza-se com a responsabilidade humana daqueles que acolhem o seu convite... Deus serve-se do testemunho de sacerdotes fiéis à sua missão, para suscitar novas vocações sacerdotais e religiosas para o serviço do seu Povo”. “Poder-se-ia afirmar que as vocações sacerdotais nascem do contacto com os sacerdotes, como se fossem uma espécie de património precioso comunicado com a palavra, o exemplo e a existência inteira. O mesmo se diga da vida consagrada”

Foram três os aspectos da vida do presbítero - “essenciais para um testemunho sacerdotal eficaz” – postos em destaque pelo Papa na sua Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

Antes de mais, a amizade com Cristo. “Jesus – lê-se na Mensagem - vivia em constante união com o Pai, e isto suscitava nos discípulos o desejo de viverem a mesma experiência, aprendendo d’Ele a comunhão e o diálogo incessante com Deus. Se o sacerdote é o «homem de Deus», que pertence a Deus e ajuda a conhecê-Lo e a amá-Lo, não pode deixar de cultivar uma profunda intimidade com Ele e permanecer no seu amor, reservando tempo para a escuta da sua Palavra. A oração é o primeiro testemunho que suscita vocações”.

Outro aspecto da consagração sacerdotal e da vida religiosa é o dom total de si mesmo a Deus. “No seguimento de Jesus – observa o Papa, cada pessoa chamada a uma vida de especial consagração deve esforçar-se por testemunhar o dom total de si mesma a Deus. Daqui brota a capacidade para se dar depois àqueles que a Providência lhe confia no ministério pastoral, com dedicação plena, contínua e fiel… A história de cada vocação cruza-se quase sempre com o testemunho de um sacerdote que vive jubilosamente a doação de si mesmo aos irmãos por amor do Reino dos Céus.”

Finalmente, um terceiro aspecto que – recorda o Papa - não pode deixar de caracterizar o sacerdote e a pessoa consagrada é viver a comunhão: “o sacerdote deve ser um homem de comunhão, aberto a todos, capaz de fazer caminhar unido todo o rebanho que a bondade do Senhor lhe confiou, ajudando a superar divisões, sanar lacerações, aplanar contrastes e incompreensões, perdoar as ofensas”.

“Fiel à sua vocação (escreve o Papa, a concluir a sua Mensagem), cada presbítero, cada consagrado e consagrada, transmite a alegria de servir Cristo, convidando os cristãos a responderem à vocação universal à santidade. Para se promoverem as vocações…, para se tornar mais forte e incisivo o anúncio vocacional, é indispensável o exemplo daqueles que já disseram o próprio «sim» a Deus e ao projecto de vida que Ele tem para cada um. Será o testemunho pessoal, feito de opções existenciais e concretas, a encorajar os jovens a tomarem decisões empenhativas que envolvem o próprio futuro. Assim fez o Santo Cura d’Ars, que, no contacto permanente com os seus paroquianos, «ensinava sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar».

domingo, 10 de janeiro de 2010

Missa Sagrada Família Igreja São Geraldo

Missa Sagrada Família Igreja São Geraldo



Veja como foi esta união dos devotos e a Sagrada Família

Missa liderada pela Legião de Maria Capela Santa Rita

Missa liderada pela Legião de Maria Capela Santa Rita



Nesta última sexta feira, dia 08/01/2010, a Legião de Maria, da Capela Santa Rita, realizou uma linda Missa da Benção. Veja aqui como foi

Coroinhas na Sant'Ana Matriz gravam músicas natalinas na Excelsior FM

Coroinhas na Sant'Ana Matriz, gravam músicas na Rádio Excelsior FM



Confiram as atividades dos Coroinhas da Sant'Ana Matriz conosco

Programa de Ano Novo do Padre Orlando Maffei

Programa de Ano Novo do Padre Orlando Maffei



No dia 30 de dezembro de 2009, no Programa do Padre Orlando, Hora da Ave Maria, foi realizado um programa especial de Ano Novo, veja como foi.

Missa de Ano Novo na Sant'Ana Matriz Confiram!

Missa de Ano Novo Sant'Ana Matriz

No último dia 31/12/2009 a Sant'Ana Matriz realizou uma maravilhosa missa de Ano Novo. Confiram!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Angelus: Sabedoria de Deus habita a história, diz Papa


Angelus: Sabedoria de Deus habita a história - 03/01/2010


Vatican Information Service, com tradução de CN Notícias


No Angelus, Bento XVI tocou no tema sobre o sentido da história.

"A história - disse o Papa - faz sentido, porque ela é 'habitada' pela Sabedoria de Deus. No entanto, o plano divino não se cumpre automaticamente, pois é um projeto de amor, e o amor gera liberdade e chama a liberdade. O Reino de Deus vem certamente, realmente, e já está presente na história e, graças à vinda de Cristo, já venceu a força negativa do maligno. Todos os homens e mulheres são responsáveis por acolhê-lo na própria vida, no dia-a-dia".

A seguir o texto integral:


Queridos irmãos e irmãs!

Neste domingo - o segundo depois do Natal e primeiro do ano novo - tenho o prazer de renovar a todos o meu desejo de todo o bem no Senhor! Os problemas existem, na Igreja e no mundo, assim como na vida cotidiana da família. Mas, graças a Deus, nossa esperança não está em previsões improváveis e nem mesmo em previsões econômicas, embora sejam importantes. Nossa esperança está em Deus, não no sentido de uma religiosidade genérica, ou de um fatalismo revestido de fé. Nós confiamos no Deus que, em Jesus Cristo, revelou de modo completo e definitivo a sua vontade de estar com o homem, de compartilhar a sua história, para guiar a todos ao seu Reino de amor e de vida. E essa grande esperança anima e algumas vezes corrige nossas esperanças humanas.

De tal revelação nos falam hoje, na Liturgia eucarística, três leituras bíblicas de riqueza extraordinária: o capítulo 24 do Livro do Eclesiástico, o hino que abre a Carta aos Efésios de São Paulo e o prólogo do Evangelho de João. Estes textos afirmam que Deus não é somente o único criador do universo - aspecto comum também em outras religiões -, mas que é Pai, que "nos escolheu nele antes da criação do mundo e [...] nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo" (Ef 1, 4-5) e que, por isso, chegou ao ponto inconcebível de se fazer homem: "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1, 14).

O mistério da Encarnação do Verbo de Deus foi preparado no Antigo Testamento, especialmente quando a Sabedoria Divina é identificada com a Lei mosaica. Afirma, de fato, a mesma sabedoria: "a voz do Criador do universo deu-me suas ordens, e aquele que me criou repousou sob minha tenda. E disse-me: 'Habita em Jacó, possui tua herança em Israel'" (Eclo 24, 12-13). Em Jesus Cristo, a Lei de Deus tornou-se um testemunho vivo, escrita no coração de um homem no qual, através da ação do Espírito Santo, está presente corporalmente toda a plenitude da divindade (Col 2, 9).

Queridos amigos, esta é a verdadeira razão da esperança da humanidade: a história faz sentido porque é "habitada" pela sabedoria de Deus. No entanto, o plano divino não se cumpre automaticamente, pois é um projeto de amor, e o amor gera liberdade e chama a liberdade. O Reino de Deus vem certamente, realmente, e já está presente na história e, graças à vinda de Cristo, já venceu a força negativa do maligno. Todos os homens e mulheres são responsáveis por acolhê-lo na própria vida, no dia-a-dia.

Por isso, também 2010 será mais ou menos "bom" na medida em que cada um, segundo as suas responsabilidades, saiba colaborar com a graça de Deus. Nos voltemos à Virgem Maria, para aprender d'Ela essa atitude espiritual. O Filho de Deus tornou-se carne nela não sem o seu consentimento. Toda vez que o Senhor quer dar um passo à frente com nós para a "terra prometida", primeiro bate àz portas de nosso nosso coração, espera, por assim dizer, o nosso "sim", nas pequenas ou nas grandes escolhas.

Maria ajude-nos a acolher sempre a vontade de Deus, com humildade e coragem, porque também as provações e sofrimentos da vida cooperam para apressar a vinda de seu Reino de justiça e paz.

Sete dicas para permanecer na graça

Sete dicas para permanecer na graça

O mais importante é aprender a permanecer na graça de Deus, permanecer na graça que recebemos. O mundo é mal educado, mas Jesus é muito educado e não arromba a porta do coração de ninguém. Ele pede que aceitemos o seu amor e assim entra no nosso coração na medida em que dizemos sim. Então diga: “Senhor Jesus eu te aceito na minha vida, eu abro a porta aqui do meu coração e ponho a minha mão no meu coração para com este gesto eu também me ajudar, eu abro a porta do meu coração entra Jesus na minha vida, eu te quero e sei que Tu me amas como sou, pode vir, pode entrar na minha vida.

Jesus é muito educado, o mal não, ele invade a vida da gente, se aproveita de nossas quedas e da nossa inclinação ao pecado.

Nós recebemos muitas graças, mas o mais importante que receber as graças é permanecer é ser fiel todos os dias. E não podemos nos enganar, pois estamos em um mundo que não quer Deus, e se você se sente remando contra a maré, se você se sente assim, considere-se o cristão mais normal do mundo e quem não se sente assim é preciso rever-se como cristão.

É como aquela música: “ Procuro abrigo nos corações, de porta em porta desejo entrar, se alguém me acolhe com gratidão faremos juntos a refeição”.

Eu vou lhe indicar sete pontos para permanecer na graça de Deus: Primeiro ponto: A vida espiritual. Não deixe a oração para depois. Não diga vou rezar depois. Coloque a oração como mais importante. Ficar a sós com Deus que continua cantando que procura abrigo nos corações. A oração tem que estar em primeiro lugar. Orar é parar para estar com Deus, é colocar a oração acima de tudo. Não deixe que paire na sua cabeça de que aquilo que Deus te deu é só isso, não, porque Ele tem muito mais para você.

Segundo: Amizades verdadeiras:
Escolha bem as suas amizades, não despreze ninguém a sua volta, mas preste atenção com quem você anda, são pessoas que te constroem? Nós precisamos de amizades verdadeiras que nos levem a compreender a ação de Deus na nossa vida.

É preciso andar com quem constrói em você a novidade de Deus. Não ande com quem não lhe constrói. Agora o que vamos fazer com as pessoas que estão ao nosso lado? Partilhar com o outro pedindo que a pessoa te ajude a ser mais de Deus, que ela te ajude a não ter mais os comportamentos que não são coerentes. Se não somos sinceros um com o outro então não é amizade.

Quem tem que fazer a escolha é você que recebeu as graças, porque o mais importante é permanecer na graça.

Terceiro: Tenha metas: Que tipo de pessoa você decide ser?
Madre Tereza de Calcutá dizia: “Não importam as circunstancias, nem se ninguém vai me compreender, eu vou seguir em frente, porque eu vou me transformar na pessoa que eu me decidi ser.


Escreva sobre as suas metas, é claro que a nossa meta é o céu, mas qual é a meta na sua família? É perdoar? É sorrir? Porque talvez você já não de nenhum sorriso há muito tempo. Talvez a sua meta seja não reclamar mais, e você terá que reunir todas as forças para não reclamar.

Não brinquemos com a graça que recebemos. Foi Deus que te ama, quem derramou sobre você essas graças e a gente não brinca com quem nos ama.

É preciso se confessar. Não construa coisas novas em cima das máscaras. Deus te ama então não tenha medo de tirar as máscaras. Deus vê o coração sonda com compaixão, pois Deus só sabe amar você.

Quarto ponto: Você tem que ter quem te conhece de verdade. Estamos em um mundo de muitas mentiras, um mundo de aparências. É preciso ter alguém com quem você se encontre, e que você pode falar tudo. Pode ser um diretor espiritual ou um amigo. .

Nosso Senhor não constrói nada sobre os escombros, Ele quer fazer tudo novo. É preciso eleger uma pessoa e dizer a ela(e): meu amigo eu quero contar tudo para você o que está se passando comigo, coisas da minha alma.

Você precisa ser quem você é, por causa da graça que você recebeu, e porque você não quer entrar nessa onda de viver de aparências e por isso você precisa ter alguém que te conhece mesmo, de verdade.

Quinto ponto: Viver em atitude de vigilância. O que precisamos vigiar? O que você quer de fato? Eu quero ser de Deus. Então vigie naquilo que te rouba de Deus, aquilo que te leva ao pecado.

Vigiar para que o mal não se aproxime. Você tem todo o direito de pedir a Nosso Senhor, então peça agora: “Meu Deus me livra da tentação que me derruba, me livra da tentação que me faz cair, porque eu não tenho forças. Livra me Senhor do mal que domina o meu jeito de falar.

Viver assim é muito duro, mas é assim que um cristão vive. É assim mesmo, nós ainda não estamos no céu, mas nós vamos para lá em uma atitude de vigilância, e por isso recebemos tanta graça de Deus. É por causa da vontade de Deus, por causa dos seus desígnios, que eu aqui estou, mas eu sou igualzinho a você, então por isso preciso vigiar sempre.

Santo Agostinho diz que o cristão que não controla a boca, não consegue controlar mais nada. Jesus não está brincando conosco e o tempo está passando rápido.

Sexto ponto: Colocar-se a serviço do próximo. Você precisa ter um apostolado, este é o remédio contra todo o egoismo. Porque a graça que Deus deu, ela não é só para você, ela é tão grande que deve crescer em você e transbordar para o outro. Já não perguntamos mais como o outro está com medo que ele diga que não está bem e aí você ter que ouvir, e você está sem tempo. Isso não é ser cristão.

Quem não sabe fazer coisas ao outro, nunca vai saber se dar ao outro, porque ficamos com medo de entregar o nosso olhar ao outro. Quando é que vamos ser capazes de fazer da nossa vida um serviço?, De dar o nosso rosto e poder chegarmos a ser como Jesus? Você precisa servir alguém. Mate de amor aquele que está ao seu lado! Quem sabe dando um copo d'água.

Sétimo ponto: Tenha paciência consigo mesmo e com os outros. È isso mesmo. Sabe porque? Nem tudo acontece de uma só vez. A vida do cristão é um cai e levanta, então tenha paciência com você e com os outros.

Jesus está dizendo aqui nesta parábola (ver: São Mateus 13,24)como o reino de Deus se estabelece aqui dentro de mim e de você e São Paulo nos explica, sobre as lutas que vivemos dentro de nós. Por isso monsenhor Jonas nos fala tanto: Aguenta firme meu filho!

Porque temos tanta coisa boa mas dentro de nós cresce trigo e também o joio, então tenha paciência, porque muitas vezes temos vontade de arrancar tudo, não faça isso. Tenha paciência, porque nosso Senhor vai voltar e os anjos vão separar o joio do trigo de dentro de nós.

O trigo quanto mais cresce, mais ele floresce, e ele se dobra, agora o joio não se dobra. Esta luta dentro de nós deve nos levar a adoração ao Santíssimo Sacramento para nos dobrar diante de nosso Senhor Jesus Cristo.

Se vivermos um desses sete pontos buscando a perfeição, com certeza nós vamos nos santificar. Abra-se pois Jesus quer se revelar a você!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mensagem de Ano Novo do Padre Orlando Maffei

Mensagem de Ano Novo do Padre Orlando Maffei

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