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sábado, 15 de maio de 2010

"É dever dos pais educar a sexualidade dos filhos no pudor"

Eliana Machado/ CEN 2010

Dr. Valdir Reginato discutiu sobre o valor humano da sexualidade

A primeira conferência da tarde do Simpósio de Bioética, atividade inédita do Congresso Eucarístico Nacional 2010, tratou do valor humano da sexualidade. O palestrante dr. Valdir Reginato abordou, segundo os valores do Evangelho e da Igreja Católica, a importância de respeitar o momento certo de viver o sexo. Para introduzir o assunto, o médico falou sobre o Livro de Gênesis, na qual Jesus diz: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea" (2, 18).




De acordo com Reginato, o homem e a mulher foram criados para que a humanidade se tornasse completa. Logo, a sexualidade é uma obra da criação de Deus. Entretanto, alerta o acadêmico, esta sexualidade não pode ser deturpada e vivida antes do tempo. “Os jovens de hoje antecipam o sexo, o banalizam. Mas é importante que se entenda que não se faz festa dos 15 anos, aos 14; nem se ganha a corrida sem alcançar a chegada. Tudo precisa acontecer a seu tempo! O sexo não merece ser substituído por um momento casual, como uma criança que abre o presente antes do Natal esquecendo-se o motivo da festa”, explicou.


O médico ainda alertou que o assunto deve ser tratado desde a infância pelos pais, mostrando a importância da sexualidade e as consequências de não valorizá-la. “Cabe as pais educar os filhos dentro de uma sexualidade do pudor e do respeito. A educação dos filhos é uma responsabilidade primeira deles, não da escola, dos amigos ou da mídia”, enfatizou.


Para o conferencista, a vida diária de oração e a vivência da Eucaristia são bases fundamentais na vida do cristão que deseja valorizar a sexualidade. Ao final da palestra, a equipe da Arquidiocese de Brasília apresentou um vídeo com testemunhos de jovens namorados da cidade e celibatários que vivem a castidade.


Em visita ao Brasil, em maio de 2007, o Papa Bento XVI pediu castidade aos rapazes e moças do país, dos quais 79% aprovam as relações sexuais antes do casamento e são favoráveis ao uso de preservativos, segundo pesquisas. O líder da Igreja Católica disse que a prática da sexualidade está reservada aos casados e que ela será fonte de felicidade sempre que se souber fazer da castidade “dentro e fora do casamento um bastião das esperanças futuras”.


O Sumo Pontífice reconheceu que a castidade “precisa de um espírito de sacrifício e de renúncia”. Bento XVI acrescentou que o verdadeiro amor “buscará sempre mais a felicidade do outro, se preocupará mais com o outro, se entregará e desejará estar perto do outro”.




Sobre o palestrante


O dr. Valdir Reginato é médico e professor do Centro de História e Filosofia da Ciência da Saúde da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) nas áreas de Bioética, História da Medicina e Filosofia.


Sobre o Simpósio de Bioética


É a primeira vez que acontece o Simpósio de Bioética durante uma edição do Congresso Eucarístico. Abordando temas como aborto, planejamento familiar, cuidados no final da vida e valor da sexualidade, a atividade pretende contribuir para que, no Brasil, a vida seja amplamente defendida e amada pelos cristãos nos trabalhos pastorais. Dentre os palestrantes, estão Dom Antônio Augusto Duarte, presidente do Setor Vida do CELAM (Conselho Episcopal Latinoamericano); padre Dr. Aníbal Gil Lopes, membro titular da Pontifícia Academia Pro Vita; e o professor Dr. André Marcelo Soares, membro da Comissão de Bioética da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Os conferencistas, na sua maioria, fazem parte da Academia Pontifícia para a Vida..


A ideia de realizar a atividade no evento nasceu da Comissão Arquidiocesana de Bioética e Defesa da Vida de Brasília. “Queríamos aproveitar a ocasião do evento para discutir o tema da vida. Quando levamos ao Dom João [arcebispo da capital] nossa proposta, ele achou o tema tão importante e tão eucarístico, pois a Eucaristia é o pão da vida, que o incluiu dentro da programação”, explica o responsável pelo simpósio, padre Eduardo Peters, que ainda acrescenta: “Queremos também propor para todo o Brasil um jeito novo e digno de reconhecer na pessoa do outro esse Deus que nos chama à comunhão”. O Simpósio de Bioética acontece hoje (14) e amanhã (15), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães..

sábado, 28 de novembro de 2009

É o amor que humaniza a sexualidade


É o amor que humaniza a sexualidade

Quem verdadeiramente ama é capaz de assumir o outro integralmente
Amor: somente ele pode, de fato, humanizar a sexualidade. No entanto, em nossos dias esse termo se encontra envolto em uma complexa confusão em seu sentido e compreensão. Muitos o têm reduzido apenas à dimensão do prazer e à sua especificidade erótica. É certo que essa palavra engloba também essa dimensão, contudo, ele não se encerra apenas em tal expressão.

O amor – em seu sentido agápico (Grego: Agápe) – significa capacidade concreta de doação em favor de um outro, buscando a devida interação com a verdade dele. E isso também deve ser aplicado à concepção humano/erótica do amor, pois, este para ser autêntico não poderá ter o egoísmo como única força motriz.

O amor não se resume à utilização do outro como objeto de prazer sexual. Ele não poderá permitir a utilização momentânea e descartável de um “alguém humano” por meio de aventura descompromissada e irresponsável. O autêntico amor comporta o compromisso.

Estamos acostumados a ouvir os gritos de uma sociedade, que elevou à máxima potência a necessidade de satisfazer os próprios desejos e instintos a qualquer custo, transmutando assim o valor da pessoa e o colocando em segundo plano. Dentro desse universo de compreensão o que importa é satisfazer o desejo, não se importando se o outro é utilizado como um mero “brinquedo” por alguns instantes, sendo depois jogado nas mãos do destino.

É o amor/compromisso que humaniza a sexualidade, do contrário ela se torna apenas egoísmo animalesco. A vivência sexual sem o amor deixa de ser humana e torna-se escravidão instintiva.

Quem verdadeiramente ama é capaz de assumir o outro integralmente, com todas as suas consequências, sem querer usá-lo apenas para uma satisfação superficial.

O amor torna humana a sexualidade, gerando o comprometimento – que tem sua máxima expressão no matrimônio sacramental – e o bem, necessários para que a devida interação aconteça, sinalizando o outro como fim e não como meio. O ser humano possui uma dignidade inviolável, ele é pessoa e nunca deverá ser diminuído à categoria de objeto.

O amor traz cor e sabor à vida, ele inaugura uma primavera de sentido para toda e qualquer relação.

A virtude a que somos chamados consiste em contemplar pessoas e relacionamentos sob a ótica do autêntico amor. Assim a doação sincera em vista do bem inspirará nossas atitudes e nos permitirá elevar o ser à sua altíssima e verdadeira condição: a de filho amado, querido e respeitado por Deus.

Adriano Zandoná
Seminarista


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