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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ecos da 48ª Assembleia Geral da CNBB

O Cinquentenário de fundação da Capital Federal, o Jubileu de Ouro da Arquidiocese de Brasília e a Celebração do 16º Congresso Eucarístico Nacional motivaram a realização da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na cidade de Brasília.

De 4 a 13 de maio de 2010, os Bispos debruçaram- se sobre uma pauta bastante carregada e desafiadora. Muitos foram os temas e assuntos tratados e discutidos. Além da pauta prevista, ocupamo-nos, ainda, com notas e declarações e participamos de diversas celebrações comemorativas.

Não é pretensão nossa repercutir aqui nem fazer uma análise completa do que foi e aconteceu ao longo da 48ª Assembleia Geral.

A nosso ver, merece destaque especial a “Mensagem dos Bispos sobre a Palavra de Deus e a Animação Bíblica de toda a Pastoral”. Aguardando a Exortação Apostólica pós-Sinodal do Papa Bento XVI sobre a Palavra de Deus, a Assembleia, ao invés de um Documento, optou por uma Mensagem que motivasse as comunidades a serem anunciadoras corajosas da Palavra em “estado permanente de missão”, em toda a sua ação evangelizadora. Para isso, porém, é necessário que os discípulos e discípulas de Jesus se deixem alcançar pela palavra do Mestre, escutando-O, acolhendo sua Pessoa, para segui-Lo...

A missão evangelizadora exige procura e desejo de conhecer, viver e anunciar a mensagem da Sagrada Escritura. O encantamento pela Palavra deve levar nossas Paróquias e comunidades a oferecer e facilitar o acesso à Bíblia, ao estudo bíblico e à vivência da mensagem revelada. Soou a hora de compreendermos que a Palavra de Deus é a “alma de toda a ação evangelizadora da Igreja”. Seria maravilhoso contemplar todos os agentes de pastoral “com a Bíblia na mão”, a Palavra de Deus no coração e com os pés na missão”.

A Leitura Orante da Palavra é escola que forma discípulos e discípulas apaixonados por Jesus Cristo. Pessoas e comunidades são convidadas a se engajarem num verdadeiro mutirão da Leitura Orante: a Palavra faz arder nossos corações, abrir nossas mãos e torna velozes nossos pés na missão.

Tempo apreciável dedicamos às “Comunidades Eclesiais de Base”, tema prioritário de nossa Assembleia. Na Mensagem que enviamos ao Povo de Deus, tocamos os desafios postos às CEB’s hoje, seu percurso histórico no Brasil, a experiência dos Intereclesiais, a espiritualidade e vivência eucarística, vivência e anúncio da Palavra de Deus e o testemunho de fé, solidariedade e serviço, a formação dos discípulos missionários, a participação nos movimentos sociais, de cidadania, de defesa do meio ambiente em vista da construção do Reino de Deus, espírito de abertura ecumênica e diálogo interreligioso, formação de rede de comunidades.

A promoção e a defesa dos Direitos Humanos exigiram de nós particular atenção e cuidado. Fazem parte da mensagem bíblica e da ação evangelizadora da Igreja. Quando a Igreja se pronuncia sobre os Programas Nacionais dos Direitos Humanos, ela o faz com o propósito de exercer o seu direito de sujeito presente na sociedade e participante dos destinos de nosso povo. Entre outras coisas, “reafirmamos a defesa da vida e da família cristã, a dignidade da mulher, o direito dos pais à educação religiosa e ética de seus filhos, o respeito aos símbolos religiosos, e nossa posição contrária à prática e à descriminalização do aborto, ao “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, à adoção de crianças por casais homoafetivos e à profissionalização da prostituição”.

Através da “Declaração sobre o momento político nacional”, afirmamos a necessidade de uma profunda “reforma política, que atinja o âmago da estrutura do poder e a forma de exercê-lo, tendo como critério básico inspirador a participação popular. Trata-se de reaproximar o poder e colocá-lo ao alcance da influência viável e eficaz da cidadania” (Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática, Documento da CNBB 91, 101).

Enfim, gostaríamos ainda de destacar a “Carta dos Bispos aos Presbíteros”, pelo encerramento do Ano Sacerdotal, expressando nosso desejo a todos os Sacerdotes do Brasil: que perseverem na fidelidade a Cristo e ao sacerdócio. Reiteramos, outrossim, nossa satisfação e confiança pelos Presbíteros que buscam cada vez mais identificar-se e configurar-se com Cristo Sacerdote.

Muitos outros temas e assuntos foram abordados durante a última Assembleia. Para qualquer outra informação sobre o andamento da 48ª Assembleia Geral, consulte a Página: www.cnbb.org.br.

Dom Nelson Westrupp

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CNBB faz pronunciamento sobre abusos sexuais na Igreja

CN Notícias

O presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, divulgou nesta quinta-feira, 13, um pronunciamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sobre os abusos sexuais na Igreja. A declaração foi lida na coletiva de imprensa após o encerramento da 48ª Assembleia dos bispos, em Brasília (DF).



Na nota, os bispos expressam "seu compromisso e empenho na investigação rápida e eficaz dos casos de abuso sexual na Igreja", tomando as medidas canônicas e civis cabíveis.



.: Leia pronunciamento na íntegra


- Parte I


- Parte II



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Segundo o pronunciamento, o tratamento do delito deve "considerar três atitudes – para o pecado: a conversão, a misericórdia e o perdão; para o delito: a aplicação das penalidades (eclesiástica e civil); para a patologia: o tratamento".



De acordo com Dom Geraldo, o perdão não significa a aceitação do delito ou defender a impunidade. "Perdão é uma coisa, se refere ao pecado, mas quanto ao delito, ao crime, tem a aplicação das penalidades".



No texto, a CNBB reconhece o "mal irreparável" causado às vítimas e suas famílias, dirigindo a estas seu "pedido de perdão", suas orações e a promessa de "envidar esforços para ajudá-las na superação de tão grande mal e seus traumas subsequentes e oferecer-lhes apoio psicológico e espiritual".



Na coletiva, o presidente da CNBB recordou os vários assuntos tratados durante os dez dias da assembleia, entre eles as CEBs, o PNDH-3, o momento político, a Campanha Ficha Limpa, o Acordo Brasil e Santa Sé, o trabalho escravo e a reforma agrária.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Aprovadas as emendas nas Diretrizes para a Formação Presbiteral


CNBB


Foram aprovadas por unanimidade, na manhã desta segunda-feira, 10, as emendas no documento das Diretrizes para a Formação Presbiteral. O texto já havia sido aprovado pelos bispos na assembleia do ano passado, mas após ter sido encaminhado para a Congregação para a Educação Católica, no Vaticano, o organismo da Santa Sé pediu que fossem incorporadas algumas emendas ao documento, que voltou a ser discutido este ano.

As emendas foram aprovadas por 305 votos dos bispos. Eram necessários 2/3 dos votantes, que equivalem a 204 votos. Agora, o texto segue, novamente, para a Congregação para a Educação Católica, da Santa Sé, para aprovação final.

Tema central e CEBs

O tema central "Discípulos e servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo", também entra na fase de conclusão. A mensagem acerca do assunto será aprovada pela 48ª Assembleia da CNBB, mas o tema deverá voltar na Assembleia de 2011.

Sobre as CEBs, os bispos também votarão uma mensagem ao Povo de Deus e outra que diz respeito ao momento político atual.

A 48ª Assembleia da CNBB reúne mais de 300 bispos e termina nesta quinta-feira, 13. Após a reunião, os religiosos continuam na capital federal para participarem do XVI Congresso Eucarístico Nacional, organizado pela arquidiocese de Brasília.

Questões agrárias e diretrizes da ação evangelizadora na coletiva


''Não cabe à Igreja fazer uma reforma agrária mas sim, fazer reflexões sobre o assunto'', afirma Dom Guilherme
A coletiva de imprensa desta segunda-feira, 10, destacou o possível documento da CNBB sobre as questões agrárias no Brasil, sobre as discussões em torno das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e os bispos eméritos. Participaram o Arcebispo de São Luiz do Maranhão (MA), Dom José Belisário da Silva, o Bispo de Ipameri (GO), Dom Guilherme Antônio Werlang, e o Bispo de Santa Cruz do Sul (RS), Dim Aloísio Sinésio Bohn.

O tema mais discutido foi a questão agrária. Dom Guilherme explicou que o Conselho Permanente da CNBB formou, em dezembro, uma comissão especial de bispos para iniciar um trabalho de análise sobre as questões agrárias no Brasil, e que o assunto foi trazido para a assembleia para, possivelmente, se lançar um documento sobre essa questão. "O último documento oficial da Igreja sobre a questão agrária é de 14 de fevereiro de 1980. Nesses 30 anos, tanto as questões agrárias, como a questão social e eclesial tiveram muitas mudanças. O que foi dito lá permanece válido e verdadeiro, mas em grande parte o documento está desatualizado".

O bispo disse também que foi apresentado aos bispos uma análise sobre os diversos modelos de ocupação de terra no Brasil, desde a época na colonização portuguesa até hoje, e se notou que, essa questão da divisão das terras, desde os tempos bíblicos sempre foi marcada por tensões. Porém, Dom Guilherme enfatizou que "não cabe à Igreja fazer uma reforma agrária mas sim, fazer reflexões sobre o assunto, olhar a situação e iluminar, à luz da Palavra de Deus, essa realidade".

O assunto começou a ser discutido pelos bispos no sábado, 8, mas ainda deve voltar outras vezes à plenária.

Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

Dom José Belisário, presidente da comissão da CNBB que discute esse tema, explicou que, no próximo ano, a assembleia dos bispos será eletiva, ou seja, será o ano de eleger a nova presidência da CNBB, e coincidindo com esse fato, deverá acontecer a aprovação das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

O bispo explicou que, sobre essa questão, a plenária não decidiu se serão feitas novas diretrizes, se as atuais serão mantidas, porque alguns bispos acham que ela ainda não foram vivenciadas como deveriam, ou se deverão ser acrescentadas novas diretrizes às que já existem, e assim complementá-las. E para isso, a comissão consultou a assembleia, mas os bispos ainda não decidiram o que será feito.

De acordo com Dom José, as diretrizes são importantes para a Igreja porque servem para todas as paróquias e comunidades do Brasil e isso "dá uma unidade ao trabalho da Igreja".

Bispos Eméritos

Sobre o assunto falou Dom Sinésio, que disse estar satisfeito com a reflexão feita pela assembleia da situação dos bispos eméritos no Brasil, que hoje somam 149, quase 1/3 do episcopado brasileiro. Aos 75 anos, a Santa Sé pede que os bispos renunciem à sua função por causa da idade, portanto eles já não ficam mais a frente da sua diocese. Os cardeais renunciam aos 80 anos.

Essa atitude de ceder o cargo a um bispo mais jovem é muito positiva porque renova a liderança na Igreja e é bom para o bispo que, nessa idade, já trabalhou muito e tem o direito de não ter tanta responsabilidade. "Os idosos olham o mundo sobre o prisma de sua idade, mas podem ajudar muito por causa de sua experiência", destacou Dom Sinésio.

Segundo ele, os bispos eméritos "podem continuar ajudando nos trabalhos mais simples e, em outros setores, como o aconselhamento e na oração, porque não pode mais trabalhar tanto, mas pode rezar mais pela Igreja".

Com a renúncia se cuida dos bispos mais idosos para não se exigir demais deles. Dom Sinésio disse também que mesmo com a vida mais calma, o bispo emérito não pode ficar entregue a si mesmo, por isso a Igreja tem uma tarefa para com ele". Nesta quarta-feira foi feita uma votação na plenária para se dar aos bispos eméritos uma ajuda financeira por parte da CNBB e das dioceses para os remédios e demais gastos necessários por causa da idade.

Dom Sinésio destacou que um bispo emérito é uma benção para a diocese mas, em contrapartida, ele não pode atrapalhar, "contrariando o novo bispo" que assume seu lugar e, assim, "impedir o dinamismo da mudança".

sábado, 8 de maio de 2010

Resumo dos trabalhos da primeira semana da Assembleia da CNBB

CN Notícias

Bispos durante os trabalhos da 48ª Assembleia Geral da CNBB

A primeira semana da 48ª Assembleia Geral da CNBB em Brasília foi intensa. Além das atividades próprias do encontro, os bispos participaram das festividades dos 50 anos de Brasília, com a Missa celebrada na segunda-feira, 3, pelo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, no local onde aconteceu a primeira Santa Missa na capital federal.

Mas as atividades da assembleia começaram mesmo na terça-feira, 4, logo cedo, com a Missa presidida, também, por Dom Lorenzo, no Santuário Dom Bosco. E no decorrer deste primeiro dia, foram apresentadas aos bispos as comissões de trabalho e a votação dos assuntos a serem tratados no encontro.

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Após muitos anos se encontrando em Itaici, município de Indaiatuba (SP), os bispos viveram uma nova adaptação ao local escolhido este ano, no Centro de Treinamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio (CNTC) e, por causa dessa nova infraestrutura, a assembleia não teve atividades no período da noite.

Na quarta-feira os bispos se dividiram em grupos e começaram o estudo do texto do tema central da assembleia: “Discípulos e servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo”. Cada grupo analisou o texto e entregaram suas observações à comissão responsável, presidida pelo Arcebispo de Porto Alegre (RS), Dom Dadeus Grings.

E no terceiro dia da assembleia os bispos refletiram sobre as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e as Diretrizes da Formação Presbiteral. O tema central também voltou ao debate. Até o final da assembleia, na próxima quinta-feira, 13, os bispos devem continuar o estudo sobre a Palavra de Deus.

A formação presbiteral continuou no debate dos bispos na sexta-feira, 7, juntamente com o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e o ecumenismo.

Diferentemente do que é costume das outras assembleias, os bispos trabalharão normalmente neste sábado, já que o tradicional retiro será o próprio Congresso Eucarístico que começa na próxima quinta-feira, 13. Portanto, neste domingo, os bispos terão o dia livre, e participarão apenas, em um momento do dia, da leitura orante da Palavra de Deus, conduzida pelo Bispo de Pelotas (RS), Dom Jacinto Bergmann.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Palavra de Deus e Missão Continental são assuntos da coletiva

CN Notícias



Missão Continental quer colocar a Igreja em ''permanente estado de missão'', diz Dom Raymundo
Nesta quinta-feira, 6, os bispos falaram sobre a Missão Continental, a Palavra de Deus e a evangelização nas universidades, na coletiva de imprensa da 48ª Assembleia da CNBB, em Brasília (DF). Participaram da ocasião o Arcebispo de Diamantina (MG), Dom João Bosco Oliver de Faria, o Arcebispo de Aparecida (SP), Dom Raymundo Damasceno Assis e o Arcebispo de Sorocaba (SP), Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Sobre a Missão Continental, o presidente do CELAM (Conselho Episcopal Latino-americano), Dom Raymundo, que apóia a iniciativa, explicou que se trata de um "mandato que nos deu a Igreja da América Latina, na Conferência de Aparecida, e tem como objetivo recuperar a dimensão missionária da Igreja e colocá-la em permanente estado de missão", explicou.

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O prelado declarou que a ação eclesial visa fazer com que todos os cristãos, em suas dioceses, "se coloquem a serviço do anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo a todas as pessoas". E explicou que a Missão Continental possui três elementos que identificam o seu trabalho em toda a América Latina: a capelinha missionária, o Círio Pascal e a Bíblia.

Evangelização nas universidades

Dom Eduardo, que é o encarregado pelo setor universitário da CNBB, explicou que da mesma forma como a Palavra de Deus precisa estar presente em todos os lugares, ela precisa chegar às universidades, pois ali se formam "os principais protagonistas de uma história que queremos que seja nova. As universidades católicas vêm desenvolvendo trabalhos muito sérios, criando estruturas para que a Pessoa de Jesus Cristo seja conhecida".

Ele ressaltou ainda que o conhecimento pode acarretar uma perda de profundidade na fé, mas ele [conhecimento] nunca fará mal desde que as pessoas não estejam fechadas para o amor. E divulgou que – nos dias 10, 11 e 12 de outubro – acontecerá um encontro para universitários em Belo Horizonte (MG).

Palavra de Deus

Dom João salientou que a Igreja Católica gira em torno de três pólos, que são sua força e vida: a presença de Jesus na Eucaristia, a meditação e reflexão da Palavra de Deus e a prática da caridade. "A união da pessoa com Cristo – na Eucaristia e na Palavra – a leva, naturalmente, a pensar nos outros e não em si mesma e, assim, vivenciar a prática da caridade".

O bispo destacou que a Palavra de Deus é sempre viva e, nela, "Deus sempre fala em tempo presente". "Ela não é um livro escrito, é uma Palavra que se encarna na pessoa, e eu chamo a atenção, porque, muitas vezes, temos uma fé na linha racional, mas a fé também é na linha da confiança, do amor. Essa fé na Palavra de Deus é que leva a pessoa a ser presença de Jesus vivo para os outros".

O prelado concluiu que a Palavra de Deus entra na vida da pessoa, muda sua vida e é isso que tranforma o mundo. E exemplificou: "foi o que aconteceu com o Papa João Paulo II, que foi transformado pela Palavra de Jesus, quando Cristo pergunta aos discípulos: 'Quem sou eu?'. Essa palavra mudou a vida dele e ele mudou o mundo".

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Em carta, presidente Lula saúda bispos participantes da 48ª AG


DSC_0319Na manhã de hoje, na abertura da 48ª AG, em Brasília, o arcebispo de Manaus (AM) e vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Luiz Soares Vieira, leu uma carta enviada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha.

Na carta o presidente Lula manda sua “fraterna saudação” aos bispos e religiosos participantes e faz um balanço de seus oito anos de mandato como chefe da nação brasileira, e seu convívio com a Igreja Católica, em especial com a Presidência da CNBB.

“Tive a honra de visitar, em meu primeiro ano de Governo, a Assembleia Geral da CNBB que se realizava em Itaici; agora, esta Assembleia que se inicia coincide com meu último ano de Governo. Neste momento, dom Geraldo, minha primeira palavra é de agradecimento pelo diálogo e pela convivência franca e fraterna que tivemos ao longo desses quase 8 anos. O apoio da Igreja Católica em suas instâncias nacional, regionais e locais foi fundamental para que pudéssemos realizar e implementar as políticas sociais nestes dois mandatos. Tenho consciência de quanto são importantes os convênios com as entidades religiosas para que as políticas sociais aconteçam de fato em todo o País e em toda sua capilaridade junto ao povo mais pobre e excluído. Ao mesmo tempo, as críticas e os embates, em temas específicos, que vivenciamos com maturidade nos ajudaram a corrigir erros e limitações. As divergências e posições diferenciadas que tomamos não afastaram em nenhum momento nossa vontade de diálogo e mútua contribuição”, destaca o presidente Lula.

Leia aqui a carta do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, à presidência da CNBB.

Homilia da Missa de abertura da Assembleia Geral da CNBB

CN Notícias


Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”. Essas palavras de paz dirigidas por Jesus a Seus discípulos no discurso da Última Ceia, que acabamos de ouvir no Evangelho, constitui a nós bispos um momento de grande alegria e um ponto privilegiado de reflexão como sucessores dos Apóstolos ao celebrarmos a Eucaristia no início da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Estas expressões estão em sintonia com aquelas que Cristo, ao entrar a portas fechadas no Cenáculo na tarde da Páscoa, disse: “A paz esteja convosco”.

Eminências, excelências, irmãos no episcopado e irmãos e irmãs em Cristo, com estas mesmas palavras pascais desejo saudar a todos aqui presentes neste solene rito Eucarístico com afeto fraternal e profunda comunhão na minha qualidade de núncio apostólico representante de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, no Brasil, honrado e grato pelo convite formulado pelo excelentíssimo presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, convite que me permite encontrar novamente o episcopado brasileiro, celebrar a Eucaristia e expressar a minha sincera gratidão pela sua ação pastoral no Brasil, as quais pude constatar nas inúmeras visitas pastorais de tomadas de posse, celebrações comemorativas, assembleias e encontros ao longo de minha missão eclesial diplomática.

A visita a “Ad Limina Apostolorum” manifesta ainda mais o seu afeto episcopal e a sua comunhão para com o Santo Padre e com a santa Igreja espalhada pelo mundo. Buscando as palavras de Jesus, ditas pelo celebrante na oração do rito da comunhão: “Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: 'Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz'”, neste momento nos introduzimos na profundidade da identidade messiânica de Jesus Cristo, que se revela Príncipe da paz e Cristo nossa paz e nos convida a refletir ainda mais o verdadeiro significado da paz, tão desejada e querida por todos neste mundo violento e desorientado. ”Shalom”, paz para os judeus, não é simplesmente um saudação habitual, como quer significar também na linguagem de hoje no âmbito comum e profano. Os judeus, de acordo com a própria fé e cultura, provindas das Sagradas Escrituras, atribuíam ao termo “shalom” um significado mais profundo, podendo ser resumido assim: a plenitude da vida e da salvação, a perfeição e a felicidade como realização de todos os desejos humanos, as esperanças messiânicas, incluindo a conquista definitiva da comunhão com Deus, cujo componente essencial do bem supremo é a paz como presença de Deus no meio do povo.

Jesus, ao falar de paz e dizer “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”, entra na perspectiva bíblica e se define como protagonista e realizador das expectativas messiânicas. Ele, o Messias, o Filho de Deus feito homem, despediu-se dos discípulos na Última Ceia utilizando a forte expressão, a qual vai além de toda a simples saudação: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”. Cristo qualifica a paz como um dom, ela não resulta da literatura profana, nem nas Sagradas Escrituras na linguagem tão direta em primeira pessoa como estas proferidas pelo Senhor. Aqui, como em outros temas, consideramos Paulo, Abraão, Moisés, na remissão dos pecados, Jesus se lhes atribui os poderes de Deus, em primeira pessoa, não foi condenado à morte por se igualar a Deus, por se declarar Filho de Deus. A partir deste evento o termo “paz” não é uma simples palavra de conveniência ou de protocolo formal nas saudações, nas despedidas. É uma significativa expressão de salvação escatologia oferecida por Ele aos homens e às mulheres de todos os tempos através do ministério da Igreja ao longo dos séculos. Justamente podemos dizer que Jesus é nossa paz, porque Ele é o único Salvador e Redentor, que, com Sua presença e salvação, instaura e garante a paz no mundo. Nesse sentido entendemos melhor a saudação de Nosso Senhor Jesus Cristo, depois da Ressurreição, ao aparecer aos apóstolos: “A paz esteja convosco”. Com Ele, o Cristo ressuscitado, a paz é estabelecida e se torna uma paz operante no mundo, como um dom duradouro e permanente. Jesus, no respeito da liberdade humana, não impõe a paz que Ele dá anuncia o dom da paz e defini o tipo de paz, a paz de Jesus é a sua paz. Aquilo que Ele dá aos Seus discípulos determina o tipo de paz. Passando a contrapor a Sua paz àquela que dá ao mundo, Jesus diz: “Não vou lhes dar como o mundo a dá”. Querendo estigmatizar insistentemente que a paz do príncipe deste mundo, satanás, é oposta à Sua. Este tipo de paz está para acabar, porque foi decretado o juízo do mundo e a caída de seu príncipe.

A vitória de Cristo sobre o maligno aconteceu com a Ressurreição e a partir dela foi inaugurado um mundo renovado, do qual a luz e a vida circundam em abundância e a graça da redenção está nascendo no universo, que geme as dores do parto para o seu regaste final. O mundo regenerado pelo Sangue de Cristo e constituído como nova criação se torna consequentemente o espaço e o tempo da ação dos cristãos, que não são deste mundo, mas estão no mundo para dar testemunho da Palavra e da Pessoa de Cristo, que nos assegura a vida e a felicidade para sempre. A inauguração dos novos tempos indica que o mundo ferido pelo pecado, em contínua e incessante gestação para uma definitiva redenção, continuará até os fins dos tempos experimentando a sua realidade terrestre, cósmica, conflitos, guerras, homicídios, roubos, injustiças, violência, desastres naturais e ameaça da destruição planetária. É o tempo da Igreja, é o nosso tempo em contínua tensão entre o bem e o mal, entre Cristo nossa paz e o mundo em busca permanente de paz, de progresso, de felicidade.

É tempo da Igreja no Brasil nos seus contrastes gritantes de situações de violência, de injustiça, de corrupção, de desigualdades sociais, que, a partir de Aparecida em 2007, adere com todas as suas forças a missão continental de evangelização lançada no âmbito latino-americano e caribenho. Como é proposto, neste ano, a Assembleia Geral da CNBB tratará o tema central: “Discípulos e servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo”. O Concílio Vaticano II, na constituição pastoral, enfrenta o tema da paz e da sua promoção na comunidade internacional e apresenta os conceitos básicos sobre a natureza da paz. Conceitos iluminados pela revelação da Igreja. A paz, disse o mesmo concílio, não é simplesmente a ausência da guerra, não se reduz apenas ao equilíbrio entre as forças abertas, é obra da justiça, fruto da ordem que o Divino Criador estabeleceu e que deve ser realizada pelos homens. A paz nunca se alcança de uma vez para sempre antes de ser edificada em Cristo. A paz terrena, nascida do amor ao próximo, é imagem e efeito da paz de Cristo, vinda do Pai, pois o Filho encarnado e Príncipe da paz reconciliou com Deus todos os homens pela cruz.

O Papa Paulo VI, em 1967, acolheu o ensino conciliar [referente ao Concílio] e respondeu ao desejo mundial de paz naquele momento à beira de um conflito mundial nuclear com a instituição da Jornada Mundial da Paz a ser celebrada em janeiro de cada ano. A recente celebração da Jornada Mundial da Juventude, em janeiro de 2010, que foi a 43ª edição, teve como tema “Se queres cultivar a paz, preserva a criação”. A centralidade de Cristo na história se opõe, hoje mais que no passado, ao antropocentrismo dominante e agressivo do pensamento filosófico e da ciência, que não se limita às esferas intelectuais ou tecnológicas, mas desce rapidamente no meio de gente comum e se torna hábitos de vida. Este modo de pensar é subjacente às formulações recomendadas em sedes internacionais, obrigando os Estados membros das organizações internacionais a adotá-las no próprio país como normas a implementar. Com consequências devassas, sobretudo nos assuntos da vida, da dignidade da pessoa humana, da liberdade de expressão e de religião, da salvaguarda das instituições como o matrimônio, a família, um conceito de gêneros deturpando e mudando o real significado dos termos que constitui a substância da Carta Magna dos Direitos Humanos.

A Igreja sabe que Jesus chamou de bem-aventurados os construtores da paz e é consciente também de que os discípulos não são maiores que o Mestre e podem ser perseguidos e padecer sofrimentos, levando-os à cruz, o que não é um partido inútil ou uma derrota total do trabalho e do esforço que eles passam na própria missão. Eles sabem que a doação apostólica, com suas aflições, lá está para levar esperança, melhorar as condições de vida, dignificar as pessoas, oferecer-lhes uma vida melhor aqui, e sobretudo, a certeza de viver para sempre como resposta verdadeira e última aspiração de todo o homem e mulher.

A Igreja hoje atravessa um momento de profunda tristeza e amargura, suor de sangue com dor e sofrimento, figurando nas páginas dos jornais e de outros meios de comunicação, exposta ao público pelas fraquezas de alguns de seus membros qualificados, os quais foram responsáveis de pecados e crimes gravíssimos, passivos de juízo diante de Deus e dos tribunais. Estamos cientes de que é tempo de purificação e de penitência. Acompanhamos, com clareza, os pastores e os superiores maiores estão convidados a tomar de imediato as medidas adequadas e instruídas pela Santa Sé para aplicar as penas correspondentes aos responsáveis pelos crimes cometidos no território ou nas áreas de próprias competências. Somos todos solidários para fazer frente a qualquer tipo de especulações e, sobretudo, sempre unidos ao Santo Padre, atingido em primeira pessoa por uma campanha orquestrada e perversa. Todavia, estejamos bem certos e firmes de que esta onda tempestuosa vai passar e a santidade da Igreja permanece intacta porque é santa por Jesus Cristo. Santos são os inúmeros homens e mulheres que são venerados nos altares pela imensa multidão de cristãos que vivem a própria vida na fé, no ministério, na boa conduta moral, na fidelidade, na honestidade em família, no trabalho e nas múltiplas atividades humanas.

Nesta grande luta que enfrentamos, a cada dia, em nosso meio, temos a certeza de que Jesus está conosco. O Congresso Eucarístico Nacional, que dentro de poucos dias será celebrado aqui em Brasília, tem como lema “Fica conosco, Senhor”, isso nos atesta que não estamos sozinhos na batalha pela fé e pelo amor de Deus ao próximo no nosso trabalho pastoral, nesta luta cotidiana de viver mais e mais segundo a lei do amor de Deus. Não estamos sozinhos a enfrentar os desafios dos tempos contemporâneos, que urgem empenho, sabedoria, entusiasmo, energias e iluminações do Espírito Santo. O desejo pulsante dos discípulos de Emaús que disseram: “Fica conosco, Senhor” é nosso desejo, nossa vontade, nosso ardor missionário de discípulos de Cristo. E a Eucaristia é nosso alimento espiritual e nossa força para enfrentar todo o mal, todo o perigo e todas as adversidades. Não fiquemos tristes diante do sofrimento, Jesus está ao nosso lado e é fiel e patrocina a nossa causa diante de Deus Pai, compassivo e misericordioso.

Quero agradecer às palavras de Dom Geraldo para comigo e por sua adesão, em nome de todo o episcopado, à comunhão com o Santo Padre. Quero também agradecer à presença de Dom João Braz de Aviz, que nos hospeda aqui em Brasília, quero saudá-lo afetuosamente. Finalmente, quero dirigir-me aos novos bispos que rodeiam o altar e participam pela primeira vez da Assembleia Geral Ordinária da CNBB: sintam-se bem acolhidos e recebidos com um abraço fraternal no início do seu pastoreio nas diferentes dioceses do Brasil. Jesus, o Bom Pastor, seja sua referência, seu modelo e seu guia no exercício do ministério episcopal. Sei que estão ainda experimentando o temor da primeira notícia e sabem que a graça de Deus é grande e serão recompensados pela sua generosa disponibilidade para servir a Igreja. Seu primeiro contato com a Igreja, que lhes foi confiada, foi uma graça, uma experiência divina de grande afeto, devoção e incondicional colaboração com o clero e com os fiéis e já estão trabalhando nas atividades pastorais, assistidos pelo Espírito Santo. Faço votos que se sintam mais animados e encorajados a servir com zelo a Igreja e unidos em comunhão com o Santo Padre e com os irmãos bispos da missão com o dom de pregar o Evangelho.

A todos os bispos presentes eu faço votos que esta Assembleia Geral possa ser profícua e que a graça de Deus entre nos seus corações e a iluminação do Espírito Santo possa lhes dar verdadeiramente a força para conduzir o pastoreio em suas respectivas dioceses. Que Nossa Senhora Aparecida proteja a todos!

Núncio Apostólico encoraja bispos em abertura da Assembleia


CN Notícias



Bispos na Missa de abertura da Assembleia da CNBB

Na manhã de hoje, 4, às 7h, no Santuário Dom Bosco, foi celebrada a primeira Missa da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que acontece em Brasilia (DF). A celebração foi presidida pelo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, e concelebrada pelo Arcebispo de Mariana (MG) e presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha; pelo Arcebispo de Brasília (DF), Dom João Braz de Aviz, e os demais bispos.

A Missa de abertura contou também com a participação especial dos novos bispos nomeados pelo Papa Bento XVI ao longo do último ano e início de 2010. Logo no início da celebração, o presidente da CNBB agradeceu a presença do núncio, representante do Papa, e, na pessoa dele, agradeceu ao Santo Padre por tantas nomeações para o Brasil.

Em sua homilia, Dom Lorenzo ressaltou a comunhão de toda Igreja com o Santo Padre e refletiu sobre a paz tão desejada no mundo atual e o ensinamento deixado por Jesus Cristo, o protagonista dessa paz.

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Dom Lorenzo Baldisseri explicou que, com a ressurreição de Jesus, a paz se torna um dom duradouro e permanente. "A paz que Jesus nos dá é a mesma que Ele deu a seus discípulos: 'Não vo-la dou como o mundo a dá' (João 14,27)", e explicou que a paz do mundo é oposta àquela que Cristo nos dá.

O núncio recordou que a Igreja atravessa, atualmente, um momento de profunda tristeza e amargura exposta pela mídia por causa das fraquezas de alguns de seus membros, passíveis de juízo diante de Deus e nos tribunais humanos, e afirmou que “é tempo de oração e penitência”.

“Essa onda vai passar e a santidade da Igreja ficará intacta por causa de Jesus Cristo, sua cabeça”, destacou. E, recordando o tema do Congresso Eucarístico, “Fica conosco, Senhor”, ele atesta que “não estamos sozinhos diante dos desafios dos tempos contemporâneos”.

“O desejo dos discípulos de Emaus é o nosso desejo – a Eucaristia é nosso alimento, nossa força para enfrentar tudo”, disse. E concluiu dando as boas-vindas aos novos bispos. “Sintam-se bem acolhidos no início de seu pastoreio. Jesus, bom Pastor, sede vossa referência e exemplo no ministério”.

Bispos refletem sobre reforma agrária, missão da Igreja e pedofilia




''Nossa missão primordial é transmitir a Palavra de Deus, transmitir Jesus'', disse Dom Dadeus, na primeira coletiva de imprensa na Assembleia da CNBB

A primeira Coletiva de Imprensa da 48ª Assembleia da CNBB, na tarde desta terça-feira, 4, abordou o tema central do encontro dos bispos: "Discípulos e servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo", a revisão das diretrizes da ação evangelizadora na Igreja no Brasil e a questão da reforma agrária, um dos temas prioritários da assembleia. Além desses assuntos, após a coletiva, os bispos também falaram sobre pedofilia.

Dirigiram-se aos jornalistas o Arcebispo de Porto Alegre (RS), Dom Dadeus Grings; o Bispo de Colatina (ES), Dom Décio Zandonade, e o Bispo de Araçuaí (MG), Dom Severino Clasen.

O Arcebispo de Porto Alegre destacou que a assembleia está discutindo o tema central, que já foi abordado pelo último Sínodo, com o intuito de fazer uma animação de todas as pastorais da Igreja a partir da Palavra de Deus, da Bíblia, enfim, a partir de Jesus Cristo, porque essa é a missão da Igreja. "Nossa missão primordial é transmitir a Palavra de Deus, transmitir Jesus, que é o rosto humano de Deus e, ao mesmo tempo, o rosto divino do homem".

"O ser humano tem, inerente a si, uma tendência profunda para Deus, para a eternidade e, a Igreja tem essa missão de fazer a conexão com o Senhor e mostrar que isso é uma realidade que traz muita alegria (...) A essência da vida cristã é o amor. Se conseguíssemos levar as pessoas a se amarem seríamos uma civilização do amor, na qual todos veriam no rosto do outro um irmão", enfatizou o prelado.

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Sobre a reforma agrária, Dom Décio explicou que os bispos não devem chegar a um documento definitivo sobre o assunto, mas que é um tema muito importante e será retomado com grandes reflexões ao longo da assembleia e, principalmente, dos próximos anos, a ponto de tentar clarear essa questão, vital para milhões de pessoas.

Pedofilia

"O que nos envergonha é também o que nos leva a ter esperança de novos tempos", declarou Dom Severino, enfatizando que "essa realidade nos frustra enquanto Igreja e nos machuca muito. "[A pedofilia] é um crime, mas não seria o momento oportuno para que a sociedade bata no peito e comece a eliminar a cultura de morte e valorizar a cultura da vida? A sociedade hoje precisa dar uma nova guinada, ela está perdendo a referência da vida na busca da facilidade (...). É preciso empenho para que o ser humano encontre dignidade desde sua concepção", concluiu.

Dom Dadeus enfatizou que "a pedofilia é um crime, porque atinge crianças, que precisam ser preservadas em sua inocência e futuro, assim como também o aborto é um crime". O bispo destacou que diante desse tema é preciso "tolerância zero", mas que esses erros na Instituição criada por Cristo mostram que "a Igreja não é perfeita, e isso é bom, porque senão não teria lugar para mim". O Arcebispo de Porto Alegre assinalou que a Igreja não se omite diante de tal realidade e pede perdão: "O gesto da Igreja pedindo perdão ensina a todos que se envolvem em algum crime que também peçam perdão". E continou: "Nós queremos, a partir desse encontro, ser um dos sinais dos tempos e aproveitar para criar uma civilização do amor, na qual haja justiça e misericórdia, as quais atingirão onde a justiça não atinge, alertando-nos sobre o que podemos fazer para superar essas crises que estão não só dentro da Igreja, mas no mundo todo".

A pedofilia é um dos assuntos atuais que os bispos devem refletir nestes dias da assembleia.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Missa de abertura da 48ª AG contará com a participação especial dos novos bispos

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Na manhã do dia 4, às 7h, no Santuário Dom Bosco, acontecerá a primeira missa da 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que será presidida pelo Núncio Apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, e concelebrada pelo arcebispo de Mariana (MG) e presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha; pelo arcebispo de Brasília (DF), dom João Braz de Aviz, e os demais bispos.

A missa de abertura contará também com a participação especial dos novos bispos, nomeados pelo papa Bento XVI ao longo do último ano e início de 2010.

Veja aqui a relação das missas da 48ª Assembleia Geral da CNBB.

Bispos começam a chegar para a 48ª Assembleia da CNBB


Da Redação


Bispos chegando para a Assembleia da CNBB
"É uma alegria celebrar os 50 anos de Brasília com a Assembleia dos Bispos e o Congresso Eucarístico para mostrar que a Eucaristia é o ponto de unidade e partilha", disse o Bispo de Itabuna (BA), Dom Ceslau Stanula, nesta segunda-feira, 3. Dia da chegada dos bispos para os trabalhos da 48ª Assembleia Geral da CNBB, que acontece pela segunda vez na capital federal.

Dom Ceslau destacou que Brasília é o 'cérebro do Brasil', onde se concentram todas as autarquias e, nesta realidade, a "Eucaristia deve ensinar a todos que nós estamos aqui para servir, pois todas as autoridades são para o servir; e nós, como Igreja, estamos aqui reunidos na assembleia para meditar, refletir e rezar para realizar o melhor serviço".

Mais de 300 bispos, de todas as dioceses do país, estarão reunidos no Centro de Treinamentos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio (CNTC) até o dia 13 deste mês.

O tema central da assembleia, "Discípulos e servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo", traz uma perspectiva muito positiva para os trabalhos dos bispos, de acordo com o prelado de Petrópolis, Dom Filippo Santoro. "Vamos retomar o tema do Sínodo - a Palavra de Deus - que é uma realidade viva, uma pessoa, por isso a perspetiva é de uma renovação profunda na vida da Igreja e também de um mergulho bíblico que possa iluminar a fé dos nossos fieis e lançá-los na missão", afirmou.

Dom Filippo enfatizou ainda que a fonte dessa renovação é a Eucaristia. "O Congresso Eucarístico nos dá a fonte do ímpeto missionário. A Palavra e a Eucaristia estão unidas, então é a fonte verdadeira de uma renovação muito profunda de nossas Igrejas no amor a Cristo e ao próximo", concluiu.

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