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sábado, 1 de maio de 2010

Papa diz que Economia deve ser "exercício de responsabilidade"




Bento XVI durante visita à sede da Academia, em 2005
A economia como espécie de mecanismo de autorregulação com interesses próprios e fins lucrativos é uma visão empobrecida, que deve ser substituída pela dimensão da vida econômica enquanto "exercício de responsabilidade humana, intrinsecamente orientada para a promoção da dignidade da pessoa, a busca do bem comum e do desenvolvimento integral - político, cultural e espiritual - dos indivíduos, famílias e sociedades", definiu Bento XVI aos membros da Pontifícia Academia das Ciências Sociais.


O Papa recebeu em audiência os participantes da XVI Sessão Plenária da Academia na manhã desta sexta-feira, 30, na Sala do Consistório do Palácio Apostólico Vaticano. O tema do encontro do organismo da Santa Sé é Crisis in a Global Economy. Re-planning the Journey [Crise na Economia Global. Replanejar o caminho] e acontece na Casina Pio IV, entre 30 de abril e 4 de maio.


Bento XVI destacou que a quebra do sistema financeiro mundial, além de demonstrar a fragilidade desse sistema e das instituição a ele vinculadas, também mostra o "erro do pressuposto de que o mercado é capaz de autorregular-se, para além da intervenção pública e o apoio de padrões morais internalizados".


Nesse sentido, o Pontífice lembrou que não se pode negligenciar a natureza da economia enquanto atividade de e para os seres humanos.



Lei natural


Ao ressaltar a necessidade de uma reflexão e investigação interdisciplinar sobre o assunto, o Santo Padre lembrou que replanejar o caminho implica avaliar os padrões de avaliação da vida econômica.


"A Igreja, baseada em sua fé em Deus o Criador, afirma a existência de uma lei universal natural que é a fonte última desses critérios, [...] acessíveis à razão humana e, como tal, devem ser adotados como base para decisões práticas. Como parte do grande patrimônio da sabedoria humana, a lei moral natural, que a Igreja apropriou, purificada e desenvolvida à luz da revelação Cristã, serve como um farol guiando os esforços de indivíduos e comunidades para exercer o bem e evitar o mal, enquanto direcionam seus compromissos para construir autenticamente uma sociedade justa e humana".


Bento XVI salientou que o aumento, em escala global, das preocupações com o bem comum exige a responsabilidade com as gerações futuras. "A solidariedade intergeracional deve passar a ser reconhecida como um critério ético fundamental para julgar qualquer sistema social".


Por fim, o Papa declarou que "todas as decisões econômicas e políticas devem ser orientadas para a 'caridade na verdade', na medida em que a verdade preserva e canaliza o poder libertador da caridade em meio às sempre contingentes estruturas e acontecimentos humanos.

terça-feira, 16 de março de 2010

Artigo do Padre Orlando Maffei: Economia para a Vida

Economia para a vida

A economia existe para a pessoa e para o bem comum da sociedade, não a pessoa para a economia. Tem havido uma inversão de valores. A economia é simplesmente um instrumento que deve estar a serviço das pessoas, e não o contrário. O lema da Campanha da Fraternidade, a afirmação de Jesus registrada no Evangelho segundo Mateus: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6, 24), nos propõe uma escolha entre os valores do plano de Deus e a rendição diante do dinheiro, visto como valor absoluto dirigindo a vida. O problema não é dinheiro em si, mas o uso que dele se faz. É útil como instrumento destinado ao serviço e intercâmbio de bens de uso, mas não pode ser o supremo comandante de nossos atos, o critério absoluto das decisões dos indivíduos e dos governos. Deve ser usado para servir ao bem comum das pessoas, na partilha e na solidariedade.

Nossa atitude diante do dinheiro mostra muito o tipo de pessoa que somos. Por isso Jesus diz: “Onde estiver o teu tesouro, ali também estará o teu coração” (Mt 6,21). Se o enriquecimento e a acumulação continuam a ser o sonho de nossa sociedade, os valores se invertem e colocamos em segundo plano a pessoa, sua vida, sua dignidade seu bem-estar. A relação com Deus e todas as demais aspirações humanas acabam por serem rebaixadas a valores secundários. Vemos assim que a acumulação, o não repartir, tem profundas conseqüências espirituais.

Manual da Campanha da Fraternidade Ecumênica - 2010

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